Castro estava encimesmado. Gostaria de saber o
que tinha de tão especial aquele homem simples, de baixa estatura,
cabelos brancos e olhos brilhantes para ser amado e procurado por
multidões.
Todos os dias eram inúmeras
visitas, entravam na casa do ancião cabisbaixas e saiam de lá
regozijadas, cheias de esperança, comumente estampando largo sorriso
no rosto.
Foram muitas as vezes que Castro
vira adolescentes, adultos, homens e mulheres reverenciando aquele
enigmático homem como alguém que havia feito prodígios em suas
vidas.
Curioso, Castro resolveu tirar a
estória a limpo e rumou para a casa do misterioso homem, lá
chegando, perguntou:
-
Diga-me, diga-me o que falas
para essas criaturas que te procuram, porque vejo-as entrando aqui
combalidas e desanimadas e após o encontro contigo saem com novo
ânimo e cheias de esperança. Todas te amam e reverenciam como se
desse a elas novo rumo existencial, portanto, diga-me qual o
conselho que tu transmite?
O bondoso homem encarou-o e com
doçura respondeu:
-
Não digo nada, apenas lhes
dou atenção me limitando a ouvi-las.
Um dos mais sublimes predicados:
Saber ouvir.
A questão é que por vezes ficamos
alheios a tudo, preocupados apenas com o que temos a falar deixamos
de dar atenção ao que as pessoas tem a dizer.
Assim, freqüentemente surgem
desentendimentos provenientes do excesso de vozes.
O bondoso homem apenas ouvia, por
isso era tão requisitado. Dava as pessoas atenção e um ouvido amigo
para que pudessem desabafar, falar sobre suas vidas, contar sobre
suas vitórias e derrotas, medos e anseios, assim, elas sentiam-se
valorizadas e saiam do encontro com aquele homem mais aliviadas,
portanto, mais felizes.
Muitas vezes o conselho mais eficaz
vem através do silêncio, do bom senso em saber calar e apenas ouvir.
Imagine leitor amigo, um mundo
surdo.
Um mundo onde o cônjuge não mais
empresta seu ouvido ao companheiro.
Um mundo onde todos caminham com os
tampões da indiferença a não escutar a voz de quem clama por
auxílio.
Um mundo onde os jovens se fazem
surdos para os conselhos dos mais experientes.
Por isso, cultivar o Saber ouvir
nos transforma em criaturas diferenciadas , em seres que aprendem
com a história dos outros.
Sabendo ouvir evitamos mal
entendidos.
Valorizamos as pessoas.
Criamos laços de simpatia.
Crescemos como seres humanos.
Comunicamo-nos com eficácia.
Pode ser que em algum lugar alguém
esteja sedento pela sua atenção, ávido por um ouvido amigo que antes
de condenar procura sempre compreender.
Em um mundo barulhento quem
humildemente aprende a ouvir conquista respeito, carinho e o que é
melhor, a amizade sincera e imorredoura de muitos que um dia
serviram-se de nossos ouvidos para melhorar seu astral.
Pensemos nisso!