O garoto tinha pavor de permanecer na sala de aula. Todo dia era aquele drama entre os pais e os professores, funcionários e demais alunos. A sala não tinha forro e a cada manhã eram ouvidos os gritos de pavor para entrada às aulas. Somente com a presença da mãe ou do pai ao seu lado, o garoto concordava em permanecer, ainda que muito contrariado.

      Era o início da vida escolar daquele garotinho de pouca idade. Com o tempo, já que nem o tratamento psicológico resolvia a questão, uma informação espiritual - provinda de fonte digna e respeitosa - esclareceu o assunto e auxiliou os psicólogos, pais e professores a ajudarem o assustado garoto.

      Em existência imediatamente anterior, o mesmo espírito - também na época um garoto no início da vida escolar - sofreu o traumatismo de ter sua vida física encerrada numa sala de aula, quando o teto desabou sobre os alunos. Ficou o trauma que ora se refletia com intensidade na memória, que associava a sala de aula à tragédia vivida antes.

      Estes e outros casos de lembranças de existências passadas, muitas delas nítidas e passíveis de sérias pesquisas científicas, mostram claramente que somos um espírito eterno vivendo diversas experiências carnais. E isto se manifesta não apenas através de lembranças, mas principalmente nas tendências morais, no patrimônio intelectual, nas habilidades desenvolvidas e mesmo nos afetos e desafetos espontâneos.

      É que, entre outras razões, como uma única existência pode decidir a sorte futura? Como pode alguém, que moralizado e esforçado nas boas causas durante toda vida, possa estar na mesma situação de outra que comportou-se relapso, indiferente e mesmo em prejuízo de si ou do próximo? E os que morrem na infância, os incapazes e aqueles sem perspectivas? Ao mesmo tempo, por que tantos extremos entre os seres humanos? Estas são questões que só a reencarnação consegue explicar.

      Admitamos, ainda que por um instante no raciocínio, que realmente vivamos diversas experiências carnais na Terra e concluiremos:

  1. O que não se pôde fazer numa existência, faz-se em outra;

  2. Ninguém escapa à lei de progresso;

  3. A cada um será dado conforme as suas próprias ações, segundo seu merecimento real e esforços próprios na conquista do intelecto e da moral;

  4. Ninguém fica excluído da conquista da felicidade, já que as oportunidades se renovam;

  5. Ninguém está condenado eternamente a nada, pois sempre teremos oportunidade de reparar o mal que causamos;

  6. Que a idéia está conforme as noções de justiça e imparcialidade de Deus para todos.

      São questões que se multiplicariam ao infinito, porquanto são inúmeras as questões morais e psicológicas resolvidas pela multiplicidade das existências.

      Para ampliar o assunto, sugiro ao leitor consultar O Livro dos Espíritos, especialmente na questão 222. Se quiser conhecer a história do garoto citado no início do artigo, busque o livro Nossos Filhos são Espíritos, de Hermínio C. Miranda.