TÓXICOS
Como todos os assuntos palpitantes e entre os mais sérios, senão o mais grave da atualidade, o do comércio e uso da "droga"e suas conseqüências, sempre foi objeto da atenção e conversa lúcida, esclarecedora e amiga de nosso querido Chico.
Tóxico (do grego toxicon, significa veneno de flecha) traduz-se, na medicina atual, como qualquer substância que, incorporada no organismo, mesmo em quantidade pequena, gere prejuízo à saúde ou cause a morte. Há os tóxicos legais (fumos, bebidas alcoólicas, insumos, medicamentos etc.) e os ilegais, tais como os alucinógenos, os narcóticos e os estimulantes.
Verdadeiro flagelo a ocupar os noticiários do cotidiano, as trágicas conseqüências, que o tráfico e o uso da droga geram, estão aí à vista de todos! Organizações internacionais e autoridades no assunto afirmam haver atualmente, só nos Estados Unidos, mais de dez milhões de viciados.
Chico Xavier, em entrevista na extinta TV Tupi, em 23 de maio de 1980, respondendo sobre tóxicos, disse:
"Ainda observando o que acontece nesse setor, nós somos obrigados a reconhecer que os tóxicos atingem muito mais os adolescentes nas classes mais favorecidas do que nas classes que lutam com a penúria de ordem material. Então, é um problema de assistência afetiva. A carência de amor para milhares de jovens no setor da abastança material, faz com que eles rebelem e procurem determinadas fugas, à vista da fome de amor que experimentam a passam a confiar nos tóxicos, quando os tóxicos podem apenas oferecer a eles a enfermidade, a desestima à vida, a loucura e até mesmo à morte. Reconhecemos que devemos combater a influência dos tóxicos através de uma intensificação do amor, na assistência afetiva mais intensa junto de nossos filhos."
Ainda, sobre o tema, vale a pena transcrever, para aprendizado, do livro Entrevistas, item 26, algo da curiosa experiência vivida pelo nosso estimado médium:
"Quanto aos efeitos do ácido lisérgico, devo dizer, que propriamente neste mundo não tive nenhuma experiência dessa natureza. Mas, em outubro de 1958, ouvi, pela primeira vez, referência à mescalina, ao ácido lisérgico.
Aconteceu que um determinado dia - não me lembro qual, precisamente, no calendário - amanheci com larga dose de pessimismo; um espírito de indisciplina, de intemperança mental, acreditando que não era uma pessoa feliz, observando cada dificuldade como se tivesse uma alente nos olhos para aumentá-las em todos os sentidos.
Perguntei ao espírito Emmanuel, que nos dirige há muitos anos, se eu poderia ter uma experiência desta com amigos de Belo Horizonte. Ele me disse que eu não precisava ter essa experiência e que me facultaria um ensinamento, nesse sentido, na primeira oportunidade.
Quando foi à noite, vi-me no desdobramento fora do corpo. Emmanuel se aproximou de mim informando que iria fazer a experiência desejada.
Colocou uma bebida branca num copo - naturalmente em outro estado de matéria - e disse-me que aquele líquido era um alcalóide que iria me facultar experiência semelhante a que se tem com o ácido lisérgico.
Depois que bebi aquela bebida, que era um tanto quanto amarga, comecei a me sentir muito mal, senti que estava entrando num pesadelo, vendo animais monstruosos em torno de mim, vendo criaturas de interpretação difícil, cenas muito desagradáveis, e acordei com a impressão de muito mal-estar, passando um dia terrível.
Em outubro, na minha terra, comumente, temos muita bruma seca e vi, então, o Sol como se fosse uma fogueira incendiando o céu e a bruma seca como se fosse a fumaça daquela fogueira. Tudo me irritava, tudo me descontrolava.
À noite, então, ele me informou que na experiência que estava tendo e desejava, o alcalóide não fez senão aumentar os recursos que estava alimentando na minha mente. A bebida alterou minhas percepções e estava tendo o resultado: vendo por fora de mim o que estava dentro de mim.
Com o espírito aflito, porque a situação era muito desagradável, pedi instruções para readquirir minha tranqüilidade. Mandou-me que orasse, procurasse lugar onde praticar o bem para adquirir vibrações de alegria.
Comecei a visitar doentes desamparados, procurar vibrações de simpatia aqui e ali, e durante uns cinco dias estive trabalhando por me desfazer daquele estado terrível da minha mente, que não era um estado muito longe da alienação mental. No sexto dia, melhorou. Aquela nuvem passou e adquiri otimismo, compreensão da vida e paz de espírito.
À noite, ele informou-me que eu iria ter a mesma experiência: iria beber o mesmo alcalóide do mundo espiritual, semelhante ao da Terra. Tomei aquela bebida de gosto amargo e o meu otimismo se transformou numa expressão de alegria profunda, numa embriaguez de felicidade.
No outro dia tive sonhos maravilhosos, como se estivesse numa cidade de cristal, como se o céu fosse todo de vidro e qualquer luz se refletia em muitos ângulos.
Acordei feliz. Fui para a repartição e o meu chefe de serviço tinha para mim expressão angélica. Os meus companheiros estavam todos nimbados de uma luz que eu não podia explicar...
Durante uns quatro dias estive assim, naquele estado de alegria anormal. Ele, então, me disse: - Você também está vendo seu estado mental aumentado pelo alcalóide. Está vendo seu próprio mundo íntimo fora de você...
Chegamos à conclusão de que o ácido lisérgico, ou um alcalóide qualquer, ou produto sintético que provoque estas sensações são de resultados ruinosos se a Ciência não entra no assunto."
A seriedade do problema, no momento, reclama evidentemente muito equilíbrio e atenção, "devemos combater a influência dos tóxicos através de uma intensificação do amor, na assistência afetiva mais intensa junto de nossos filhos", como nos disse o Chico.
Do Livro: Chico Xavier - Fonte de Luz e Bênçãos
Autores: Urbano T. Vieira e
Dirceu Abdala