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Sentimentos em Jogo
Quando juntamos sexo e responsabilidade, muitos já antevêem o perigo de
tornar o discurso moralista ou anacrônico.
Mas responsabilidade não é uma coisa fora
de moda: é um atributo de todos os seres adultos. A forma de lidar com o
sexo, na nossa sociedade, é que é, muitas vezes, irresponsável.
A busca do prazer descompromissado, que
todo mundo pensa existir, não é tão descompromissada quanto parece.
Segundo Emmanuel, no livro "Vida e Sexo", sempre que duas pessoas se
relacionam sexualmente, em bases de afinidade e confiança, estabelece-se
entre os dois um circuito de forças e um compromisso de natureza
espiritual.
Uma ligação fortuita pode ainda gerar
filhos indesejados que se sentem rejeitados desde o útero e carregam
problemas psicológicos por toda a vida; levar à prática dos abortos ou ao
abandono de crianças; transmitir a AIDS ao parceiro ou ao bebê - riscos
muito sérios a considerar para que alguém pense que pode fazer sexo sem
responsabilidade.
Além destes resultados visíveis e
dramáticos, existe toda a gama de sentimentos envolvidos, que nem sempre
ficam muito claros. Um parceiro pensa assim, o outro pensa
assado, o que esperam não é definido para ambos e o resultado é a
desilusão, mágoa e ressentimento. Como?
Ele queria pra sempre: ela, pra uma vez.
Ele estava se desforrando da namorada, ela estava apaixonada pra valer.
Ele só pensava nela; ela só pensava em outro cara.
E vão pra cama sem pensar no amanhã mas,
principalmente sem pensar nos sentimentos do outro. Em que pode dar isto?
Os livros mediúnicos estão cheios de casos
assim, de comprometimentos sérios que surgem quando Espíritos, que se
sentem lesados no campo afetivo, procuram o acerto de contas em ligações
sofridas que custam pra se resolver. Alguns ilustram muito bem a
complexidade das malhas do destino de pessoas que, neste campo, agiram sem
avaliar as conseqüências.
Do ponto de vista da vida futura, muitos
dissabores seriam evitados com um pouco mais de reflexão.
Não vamos ao extremo de achar que só deve
existir sexo dentro do casamento. O mais importante é o respeito pelo
outro, e não uma simples certidão. E muitos casamentos estão tão cheios de
mágoa, ressentimento e culpa que não poderão ser superados só numa vida
terrestre.
No entanto, tem que haver ternura, tem que
haver o que Herculano Pires chama de "consciência do valor do Ser amado",
respeito aos seus sentimentos e muita, muita sinceridade.
RITA FOELKER


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