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Em verdade não temos como nos
afastar da presença da morte, ela caminha conosco para onde formos,
implacavelmente, até que nos abrace de forma irreversível.
A morte impõe, como
característica fundamental, o afastamento físico daqueles que
amamos, sempre causando dor moral pungente, pertinaz e profunda nas
entranhas sentimentais, emocionais, espirituais.
Estabelecer comparação com outra
situação é-nos impossível, pela condição da morte ser inigualável.
Os tecidos sutis da alma são atingidos duramente, sem apelação,
porque ela obedece cegamente os desígnios divinos.
A morte minimiza o seu impacto
quando é aguardada por um enfermidade de longo curso, mas, em
chegando o Espírito ao mundo espiritual, a surpresa é
invariavelmente a mesma para todos: está frente à imortalidade.
Usando toda uma metodologia
imperceptível, ela costuma arrebatar dos braços dos que ficam, os
seus afetos, mas, ao mesmo tempo, leva os adversários, engendrando
certo tipo de aflição nem sempre bem definida.
A morte é a transferência
compulsória de uma para outra vida, sem pedido de permissão aos
envolvidos no processo desencarnatório.
As reações são variadas, ou seja,
enquanto para uns se constitui em libertação do jugo da carne, para
outros são algemas para uma consciência maculada por desmandos
cometidos na vilegiatura terrestre.
A morte pode ser considerada como
uma concessão divina, malgrado não seja assim compreendida pela
maioria, devido à fixação do "sentenciado" às solicitações terrenais,
as quais falam mais alto aos seus interesses de ordem imediata e
transitória.
O túmulo é local de encontro para
todas as criaturas, é lugar onde a igualdade impera; as diferenças
existem apenas na maneira como são os corpos cadaverizados guardados
para serem transformados em alimento dos animais vermíformes.
Revoltar-se contra a morte é
atitude insensata, porque as suas conjunturas são passageiras, logo
promovendo, ela mesma, o reencontro dos que se separaram, dando
mostras, assim, de que não era definitiva a separação tão
amargurada.
Aconselhável nos munirmos de
paciência, resignação, prepararmo-nos para o reencontro com a morte
e esperarmos confiantes, sabendo que os do outro lado nos aguardam
também ansiosos por nos abraçarem, desejarem boas vindas e nos
cobrirem de vibrações amorosas.
Dos nossos afetos houve tão
somente uma antecipação do retorno ao mundo verdadeiro, o
espiritual, continuando eles a viver como aqui prosseguimos nós; não
os vemos, mas eles estão conosco, bem mais juntos agora do que
antes, amando-nos se os amamos, odiando-nos se por eles nutrimos
ódio.
A tristeza e a saudade serão
sempre dissipadas pela convicção que possuímos de que os
reencontraremos.
Utilizemos as nossas horas na
produção do bem pensando neles, e a eles oferecendo os nossos gestos
de amor e caridade, convertendo a separação em motivo para a prática
do Bem em prol da felicidade de alguém ou, pelo menos, da suavização
da dor alheia, tudo em nome deles, que é a melhor forma de os
reverenciarmos.
Se porventura quisermos fazer
mais em memória deles, coloquemos em seus lugares um dos órfãos do
amor, do bem-estar material, os mais carentes, enfim, procedimento
que receberá deles, naturalmente, toda benção, sendo esse gesto
motivo para que eles mais de nós se acercarem.
Dirigindo as nossas atenções para
o bem do próximo, a dor da saudade sofrerá grande queda,
arrefecer-se-ão seus grilhões e estaremos mais libertos para a
continuidade dos compromissos aqui iniciados e que precisam de
conclusão.
Indubitavelmente, a maior
expressão de amor é dar a vida pela vida de outras criaturas, como
fez JESUS após encaminhar João para Maria na hora de Sua
crucificação, e ela a ele, para que juntos, por carinho e tributo à
Sua Vida, não esmorecessem na preservação de Sua mensagem.
Vamos enxugar as nossas lágrimas,
meditar na nossa imortalidade, entregarmo-nos ao trabalho
edificante, transformando todos os nossos instantes em esperança na
felicidade porvindoura.
ADÉSIO ALVES MACHADO Escritor, Orador e Radialista. Autor dos livros: Ser, Crer e Crescer - Elucidações Para uma Vida Melhor;
Diálogo com Deus - Preces de MEIMEI e Verdades que o tempo
não apaga, lançado recentemente. Para adquiri-los ligue:
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