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Sei que te feri sem querer, em
meu gesto impensado.
Pretendias apoio e falhei, quando
mais necessitavas de arrimo. Aguardavas alegria e consolo, através
de meus lábios, e esmaguei-te a esperança...
Entretanto, volto a ver-te e rogo
humildemente que me perdoes.
Ouviste-me a palavra correta e
julgaste-me em plena luz sem perceber o espinheiro de sombra
encravada em minh'alma. Reparaste-me o traje festivo, mas não viste
as chagas de desencanto e fraqueza que ainda trago no coração.
Às vezes, encorajo muitos
daqueles que me procuram, fatigados de pranto, não por méritos que
não tenho e sim esparzindo os tesouros de amor dos espíritos
generosos que me sustentam. Contudo, justamente na hora em que me
buscaste, chorava sem lágrimas, nas últimas raias da solidão. Talvez
por isso não encontrei comigo senão frieza para ofertar-te.
Releva-me o desespero quando me
pedias brandura e desculpa-me o haver-te dado reprovação, quando
esperavas entendimento.
Deixa, porém, que eu te abrace de
novo e, então, lerás em meus olhos, estas breves palavras que me
pararam na boca: perdoa-me a falta e tem dó de mim.
Pelo Espírito: Meimei
Do livro: Diálogo com Deus - Preces de Meimei
Adésio Alves Machado |