O Retrato de Allan Kardec

       É comum encontrar-se o retrato de Allan Kardec estampado em publicações doutrinárias ou afixado nas paredes das casas espíritas.
       Pessoalmente, considero importante conhecer seus traços fisionômicos, saber que existiu e que pertenceu a uma época, que era um senhor distinto de olhar sereno e aparência sóbria.
       Alguns centros têm retratos de Jesus, ou de seus fundadores, o que leva um companheiro a se perguntar:
       - Mas o Espiritismo não é avesso à adoração de imagens?
       E eu achei que a resposta merecia mais que duas frases no meio de uma conversa.
       Companheiro: não há inconveniente algum em se possuir um retrato de Allan Kardec, de Jesus, de personalidades espíritas que são caras a um grupo ou comunidade, uma vez que eles nos recordam de Espíritos importantes para o estabelecimento das bases da nossa crença, ou para a organização do centro que freqüentamos.
       O que é preciso deixar claro é que estes quadros não são imagens, como as que preenchem os altares de certos templos religiosos, para serem adoradas.
       É lógico que Jesus não está (nem pode estar) numa representação criada por mãos humanas, nem Kardec, numa litografia reproduzida em xerox ou off-set!
       Num centro, a assimilação das mais básicas noções da Doutrina por parte dos seus freqüentadores, mediante o estudo, dissipará todas as dúvidas a este respeito, e não é preciso abolir o retrato de Allan Kardec para evitar confusões quanto à sua finalidade.
       Se alguém que participa do Centro durante certo tempo continuar achando que deve reverenciar um quadro, é o Centro Espírita que está falhando em sua função de esclarecimento espiritual.
       Qualquer pessoa com parcos conhecimentos doutrinários sabe que a Doutrina Espírita não ensina a adoração exterior.
       Que a verdadeira adoração se dá no íntimo de cada um, através da elevação do pensamento que se transfunde também em ações de amor e caridade.
       Que podemos nos dirigir a Deus, aos Espíritos Superiores, a Jesus, ao nosso Espírito protetor, exclusivamente através da prece espontânea e sincera. E que seremos ouvidos, onde quer que estejamos, dentro ou fora do templo, perto ou longe de uma imagem, se nosso sentimento for verdadeiro.
     Que a melhor forma de adoração é o cumprimento das Leis de Deus.
       Que conversamos com os bons Espíritos através da ligação mental e, não, olhando para o seu retrato numa parede.
      

RITA FOELKER