Anabor Cardoso Araújo
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RENASCER DE NOVO

"Na verdade, na verdade te digo que não pode ver o Reino de Deus, senão aquele que renascer de novo"

A experiência tem provado que muito temos a desvendar, muito temos ainda a caminhar pelos complexos, que nos leva a imortalidade da alma.Ela deve ser responsabilizada pelas infrações que houver cometido contra a lei do amor, tão belamente exaltada por Jesus, o amigo incondicional de nossas existências. A razão nos diz,que deve haver uma punição. E não será esta punição o retorno a este mundo ou a outros? E o compromisso por tais infrações e desregramentos não serão os reajustes que assistimos, que vivemos no cenário social?. "Certamente que sim".

André Luiz em um de seus livros nos diz o seguinte:"A justiça está sendo feita, através das injustiças aparentes". Injustiças aparentes para os céticos, para os materialistas, para os que não crêem que a vida continua após o túmulo, para os que querem que seja feita apenas a sua vontade. Os que acreditam que a justiça está sendo feita, tem certeza absoluta que Deus existe, que é o pai bondoso e justo,compreendem a sua justiça pela fé baseada na razão. Ninguém medianamente iluminado pelas luzes da razão deixará de admitir como princípio incontroverso que o céu ou o universo é infinito. Nele existem sóis e terras inúmeras, tão vastas quanto ao próprio infinito. Deus está unido aos mundos assim como o Espírito está unido ao corpo.Portanto a justiça Divina está presente neste pálido ponto azul chamado Terra situado na imensidão cósmica, assim como em todos os recantos do Universo.

A vida deve ser uma continuada peregrinação por estes e outros mundos onde a alma vem realizar o seu progresso intermito, até alcançar a absoluta perfeição, quer no apuro dos sentimentos de amor, quer na iluminação da inteligência e da sabedoria. A luta por combater o orgulho e o egoísmo ocorrerá sem tréguas, daí o motivo por que nascem uns trazendo os farrapos da miséria para acostumarem-se a combater as necessidades da pobreza, quando outros vêm habitar palácios para banhar-se em águas perfumadas carros importados, criados, muito dinheiro e sempre ofuscados pelo brilho do ouro. Ao passo que outros humildes, anônimos, nem sabem escrever o próprio nome.

As enfermidades, a loucura, o lar sem pão, a criança sem mãe, a viúva sem
teto, o operário sem trabalho, não serão modalidades da justiça Divina pelas infrações da lei de amor? A morte violenta em desastres ou na guerra, os assassínios, a destruição de vidas pelo fogo, pela água, pelo raio, pelos terremotos, pelos naufrágios, pelos desabamentos e outras calamidades não serão recursos naturais sobrevindos para corrigir o Espírito que não soube obedecer aos ditames da referida lei de amor? A revelação de capacidades inventivas, a tendência de muitos para as artes, para a ciência, para o comércio, para a literatura, para a filosofia, para a indústria, para a lavoura, não são indícios de almas, espíritos que aqui já viveram e que trouxeram incubadas em estado latente,as vocações especiais para virem a este planeta novamente reproduzir os frutos das suas especialidades e gostos, assim como as particularidades na atividade material ou mental?

Sejamos eqüitativos em nossas considerações. Se deixarmos rebarbas em  nossas consciências melindradas, ficaremos detidos no mesmo ponto em que havíamos começado a trajetória da vida. É preciso romper a estrada com energia, com atividade, deixando mesmo sangrar os pés, queimar a fronte, cansar o corpo até tombarmos, não vencidos e desanimados, mas para respirar novo oxigênio e nos reerguemos de modo a correr com maior velocidade a caminho da perfeição.

Allan Kardec no capítulo IV de "O Livro dos Espíritos", item 171 comenta:

Todos os Espíritos tendem à perfeição, e Deus lhes proporciona os meios de consegui-la com as provas da vida corpórea, mas na sua justiça permite-lhes realizar em novas existências aquilo que não puderam fazer ou acabar numa primeira prova. Não estaria de acordo com a eqüidade, nem segundo a bondade de Deus castigar para sempre aqueles que encontraram obstáculos ao seu melhoramento, independentemente de sua vontade, no próprio meio em que foram colocados. Se a sorte do homem fosse irrevogavelmente fixada após a sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança e não os teria tratado com imparcialidade. A doutrina da reencarnação,que consiste em admitir para o homem muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à idéia da justiça de Deus com respeito aos homens de condição moral inferior; a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, e é o que os Espíritos nos ensinam.
 

Artigo gentilmente cedido por
ANABOR CARDOSO ARAÚJO
Orador, articulista e dirigente espírita.
Grupo Espírita Renascer - Iguatama - MG

Formatação: Damião da Silva Leão