Camargo abandonara a esposa e os
dois filhinhos pequenos há dez anos, desde então, sua vida entrou
em intenso declínio, envolveu-se com vícios de todos os matizes,
a irresponsabilidade era sua fiel amiga, e a inconseqüência
parceira constante.
Cavou para si um abismo de
angustia e aflição, dor e sofrimento.
Arrependido, fatigado pelas lutas
insanas que empreendeu contra a vida, sentiu vontade de voltar ao
seio da família.
Seria tarde demais?
A família o aceitaria ?
Emocionou-se ao lembrar das
palavras de seu amigo Paulo:
-
Camargo, Deus não abandona nenhum de seus
filhos, em cada amanhecer há nova oportunidade de recomeçar.
Sim, faria isso mesmo,
recomeçaria uma nova vida, desenharia agora um futuro mais feliz!
Sentiu um novo alento no coração,
há muito que não gozava daquela paz, constatou que
Céu e Inferno não são locais
geográficos, mas sim, estados da alma, e naquele momento sua alma
navegava pelo Céu da esperança de reconquistar a confiança daqueles
que amava.
Daria aos filhos a atenção que
não dera em outros tempos!
Se a esposa estivesse com outro
companheiro a seu lado, compreenderia e lhe ofereceria a amizade
para que ambos criassem em harmonia as crianças.
Compreendeu enfim, que o
sofrimento mora no cultivo das imperfeições e que encontrar o porto
da felicidade é lutar por modificar as más inclinações que
acabrunham e trazem sofrimento.
Se antes indiferente, agora faria
a diferença!
Se antes impaciente, agora
exercitaria a paciência!
Se antes violento, agora
cultivaria a paz!
A alegria desses pensamentos o
contagiava, pagaria o mal que faz sofrer, com o bem que tranqüiliza
e liberta.
Embalado por essas doces
reflexões, fechou os olhos e orou com fervor para que Deus lhe
concedesse a benção do recomeço.
Com lágrimas nos olhos agradeceu
e foi em busca da reconciliação com a família querida! |