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NÃO HÁ REPRESENTANTES OFICIAIS DO
ESPIRITISMO EM SETOR ALGUM
DA POLÍTICA HUMANA
O trabalhador da casa espírita, seja ele atuante em
área mediúnica, doutrinária ou administrativa, sabe, perfeitamente, que
centro espírita não é lugar de se fazer campanha política, em qualquer
época, sobretudo próximo às eleições. O espírita, definitivamente, não
pode confundir as coisas. Se estiver vinculado a alguma agremiação
partidária, se deseja concorrer como candidato a cargo eletivo, que o
faça bem longe das hostes espíritas, para que tudo que fizer ou disser,
dentro da casa espírita, não venha a ter uma conotação de atitude de
disfarçada intenção, visando a conquistar os votos de seus confrades.
Há necessidade de distinguir a política terrena, da
política do Cristo. Cada situação, na sua dimensão correta. Política
partidária, aos políticos pertence, enquanto que religião é atividade
para religiosos. O argumento de que os parlamentares se servem, com o
pretexto de "defender" os postulados da Doutrina, ou aliciar prestígio
Social para as hostes espíritas, ou, ainda, ser uma "luz" entre os
legisladores, é argumento falacioso, inverossímil.
A título de tolerância, muitas vezes fechamos os
olhos para essas questões, mas a experiência demonstra que, às vezes, é
conveniente até fechar um olho, porém, nunca os dois.
Considerando que nosso mundo é a morada da opinião, é
normal que tenhamos divergências sobre esse assunto. Inaceitável, porém,
tendo em vista a própria orientação da Doutrina Espírita, o clima de
imposições que se estabelece, não raro, envolvendo companheiros que
confundem veemência com agressividade, ou defesa da verdade com
hostilidade.
É inadmissível a utilização da tribuna
espírita, como palanque de propaganda política. O Espiritismo não pactua
com irrelevantes e transitórios interesses terrenos. Por isso, não pode
alguém se escravizar à procura de favores de parlamentares, a ponto de,
este, exercer infausta influência nos conceitos espíritas.
Não tem cabimento, um líder de partido,
no púlpito da casa espírita, palestrando e dirigindo o culto místico de
uma fé. Por outro lado, também não tem o menor sentido, um espírita nas
ruas e nos palanques, implorando votos, qual mendigo, com sofismas e
simulação de modéstia, de pobreza, de humildade, de desprendimento, de
tolerância, etc., com finalidade demagógica, exaltando suas próprias
"virtudes" e suas “obras” beneficentes.
Pode essa advertência
se caracterizar num açoite no dorso dos sutis cânticos da sereia, que
arrastam alguns desatentos líderes para a militância
político-partidária, porém, é um alerta oportuno. OPORTUNÍSSIMO, EU
DIRIA!!!
Bom seria se esses "espíritas” (!?),
que mendigam votos, optassem por outro credo, para que seja assegurada a
não-contaminação desse politiquismo em nossas hostes, até porque, "A
RIGOR, NÃO HÁ REPRESENTANTES OFICIAIS DO ESPIRITISMO EM SETOR ALGUM DA
POLÍTICA HUMANA".¹
Nada obsta, repelir as atitudes
extremas. Não podemos abrir mão da vigilância exigida pela pureza dos
postulados espíritas e não hesitemos, quando a situação se impõe, no
alerta sobre a fidelidade que devemos a Jesus e a Kardec. É importante
lembrarmos que, nas pequeninas concessões, vamos descaracterizando o
projeto da Terceira Revelação.
Urge que façamos uma profunda distinção
entre Espiritismo e Política. Somos políticos desde que nascemos e
vivemos em sociedade, sim, e daí? A Doutrina Espírita não poderá,
jamais, ser veículo de especulação das ambições pessoais, nesse campo.
Se o mundo gira em função de políticas econômicas, administrativas e
sociais, não há como tolerar militância política dentro da religião. Não
se sustentam as teses simplistas de que só com a nossa participação
efetiva nos processos políticos ao nosso alcance, ajudaremos a melhorar
o mundo.
Recordemos que Jesus cogitou muito da melhora da
criatura em si. Não nos consta que Ele tivesse aberto qualquer processo
político partidário contra o poder constituído à época. Nossa conduta
apolítica não deve ser encarada como conformismo. Pelo contrário, essa
atitude é sinônimo de paciência operosa, que trabalha sempre para
melhorar as situações e cooperar com aqueles que recebem a
responsabilidade da administração de nossos interesses públicos. “Em
nada nos adianta dilapidar o trabalho de um homem público, quando nosso
dever é prestigiá-lo e respeitá-lo tanto quanto possível e também
colaborar com ele, para que a missão dele seja cumprida. Porque é
sempre muito fácil subverter as situações e estabelecer críticas
violentas, ou não, em torno das pessoas. (...) Não que estejamos batendo
palmas para esse ou aquele, mas porque devemos reverenciar o princípio
da autoridade”.²
Estamos investidos de
compromisso mais imediato, ao invés de mergulharmos no mundo da política
saturada, por equívocos lamentáveis. Por isso, não devemos buscar uma
posição de destaque, para nós mesmos, nas administrações transitórias da
Terra. Se formos convocados pelas circunstâncias, devemos aceitá-la, não
por honra da Doutrina que professamos, mas como experiência complexa,
onde todo sucesso é sempre muito difícil. “O espiritista sincero deve
compreender que a iluminação de uma consciência é como se fora a
iluminação de um mundo, salientando-se que a tarefa do Evangelho, junto
das almas encarnadas na Terra, é a mais importante de todas, visto
constituir uma realização definitiva e real. A missão da doutrina é
consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas
possibilidades divinas no caminho da vida. Trocá-la por um lugar no
banquete dos Estados é inverter o valor dos ensinos, porque todas as
organizações humanas são passageiras em face da necessidade de renovação
de todas as fórmulas do homem na lei do progresso universal.”³
O Espiritismo traz-nos uma nova ordem religiosa, que
precisa ser preservada. Nela, o Cristo desponta como excelso e generoso
condutor de corações e o Evangelho brilha como o Sol na sua grandeza
mágica. Uma doutrina que cresceu assustadoramente nos últimos lustros,
em suas hostes surgiram bons líderes ao mesmo tempo em que, também,
apareceram imprudentes inovadores, pregando essas idéias de militância
política.
Se abraçamos o Espiritismo, por ideal cristão, não
podemos negar-lhe fidelidade. O legado da tolerância não se
consubstancia na omissão da advertência verbal diante das enxertias
conceituais e práticas anômalas, que alguns companheiros intentam impor
no seio do Movimento Espírita. Mantenhamos o espírito de paz,
preservando os objetivos abraçados e, se houver necessidade de selar
nosso compromisso com testemunho, não titubeemos e não nos omitamos,
jamais.
NOTAS:
1 VIEIRA, Valdo. Conduta
Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de janeiro: FEB,
2001,Cap. 10
2Xavier, Francisco Cândido.
Entender Conversando, ditada pelo Espírito Emmanuel, São Paulo: Ed. IDE,
3 ª edição, 1984.
3 Xavier,
Francisco Cândido. O Consolador , ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de
Janeiro: Ed. FEB, 1984, pergunta 60.

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