Pessoas cultas não
estariam isentas

       Perguntamo-nos, com freqüência, como é possível que muitas vezes pessoas de nível superior e de razoável preparo intelectual se deixem influenciar por certas convicções e práticas esdrúxulas?
       Em 1982, por exemplo, o jornal O Estado de São Paulo (07/03/82) relatava o caso de jovem médica com graves problemas de conduta a ponto de ser indispensável sua interdição legal. A situação se degenerara a partir de sua participação numa seita misteriosa, da qual se fizera "sacerdotisa".
       No mesmo artigo, o psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg dava sua explicação: "Nem sempre o amadurecimento psicológico corre paralelamente com a informação cultural quantitativa./.../ alguns estudiosos da matéria observam que o excesso de tecnicismo na formação profissional acadêmica leva muitas vezes a pessoa, na faixa de sua idade adulta, a apegar-se a modelos simplistas de misticismo. Seria uma espécie de fuga diante das naturais crises existenciais./.../ De certa maneira, seria uma forma desqualificada de psicoterapia de grupo, de mentes vulneráveis à sedução de um espiritualismo grosseiro".