Perfeição Espiritual ou Nirvana?

       Outro dia, perguntaram se o Espiritismo concorda ou discorda da idéia do Nirvana, a denominação budista do ponto máximo da evolução do Espírito. Achei que era uma ótima pergunta, já que a Filosofia Espírita coincide com o pensamento oriental em muitos pontos, porém ambos têm algumas diferenças entre si que nem sempre são percebidas.

Primeiro, é preciso entender bem o significado que comumente se empresta à palavra Nirvana. Entre os ocidentais, Nirvana é mais aceito como a diluição do Eu, a perda da individualidade, a integração final com o Todo.

Com isto, a Doutrina Espírita não concorda, já que ela nos considera imortais e esta diluição representaria nossa extinção, pois que deixaríamos de existir como individualidades.

No entanto, alguns filósofos orientais consideram Nirvana como um estado de paz e plenitude, libertação definitiva dos limites impostos pela personalidade, sem perda da individualidade. Uma integração com o Cosmo sem necessidade de auto-desintegração.

Esta visão está mais de acordo com o Espiritismo.

Podemos dizer, com respaldo nos ensinamentos dos Espíritos Superiores que à medida que evoluímos, que nos aproximamos da perfeição, vamos ficando cada vez mais parecidos uns com os outros.

Enquanto somos pouco evoluídos, somos muito diferentes, por que cada um de nós evoluiu em determinados aspectos, enquanto que o outro evoluiu de outro jeito e isto cria variedades ao infinito. Contudo a perfeição é uma só: é o desenvolvimento máximo de todas as qualidades. E quando se é um ser perfeito em meio a seres perfeitos, é como se fôssemos moléculas de água no oceano. Não há mais sentido em ser a molécula-Ana, a molécula-João, etc. Deixa-se de existir como personalidade, mas a individualidade permanece.

No entanto o exemplo da molécula no oceano, embora seja adequado, não ilustra exatamente a perfeição, por que entre moléculas é possível conceber uma separação física, separação esta que deixa de existir no campo da matéria sutil e do pensamento.

A própria matéria segundo a teoria quântica, não tem limites claramente definidos, de maneira que as coisas não estão tão separadas quanto parecem. Mas mesmo sendo possível fechar um pensamento dentro da cabeça. Apesar de manter suas características e sua integridade, um pensamento interpenetra e é interpenetrado por outros pensamentos e influências.

Este tipo de interpenetração é que poderia ser confundida com diluição, mas o que ocorre de fato é que a integridade do ser individual se mantém sempre, tanto de acordo com alguns pensadores do Oriente quanto com a Doutrina Espírita.

RITA FOELKER