
PERDER OU GANHAR?
Em tudo que formos fazer, nas decisões e ações
empreendidas, seja na realização de um sonho ou nas atitudes e providências,
é preciso sempre ponderar se tais escolhas redundarão em prejuízo para
alguém. A dor que se sabe poder evitar e ignoramos, o prejuízo de outrem que
venhamos a produzir e as lesões causadas no próximo – pelo exercício de
nossas ambições ou pela alucinada corrida pela sobrevivência – representará
tragédia anunciada em nosso próprio horizonte. E considere-se que tais
lesões podem ser afetivas, patrimoniais ou físicas.
Quando pensamos apenas no sucesso
profissional, em conquistas materiais, em progredir a qualquer custo; quando
desejamos ser admirados pelo acúmulo de riquezas e pela ampliação de poderes
para exaltação do orgulho e da vaidade ou, para disso, fazermos arma com a
qual firamos a miséria, a incapacidade do semelhante, produzindo mais inveja
do que respeito e admiração, mais ódio mudo que gratidão espontânea; quando
nos fingimos de bons para a conquista de postos transitórios, trombeteando
atos generosos para ganhar votos, estamos perdendo a vida...
Quando reduzimos a vida a uma luta ferrenha
pelo realce social, pelo soerguimento de uma vaidade tola, num constante
esbanjar de recursos ou na mesquinha sovinice; quando apenas nos felicitamos
mediante no abraçar de escrituras de papel como parte de nossa personalidade
ou quando nos orgulhamos por estar dirigindo latas que pagamos mais caro que
uma casa, por simples luxo ou vaidade, por estarmos vivendo na alucinação da
inutilidade, estamos perdendo a própria vida...
Quando, porém, aceitamos a luta honesta, no
sacrifício das ambições para que mais semelhantes sejam detentores do mínimo
necessário ou de algumas alegrias a mais; quando nos fazemos defensores da
ética nas posturas, sacrificando nossos interesses em favor da justiça e da
verdade; quando nos recusamos a sermos peso morto na folha de pagamento dos
governos, ganhando sem trabalhar, como roedores da carne de velhos que
morrem sem recursos, de crianças que perecem de fome por falta de merenda;
quando entendermos que viver é algo que pede consciência tranqüila acima do
bolso cheio ou do dinheiro no banco; quando não nos deixamos levar pela
leviandade da maioria, mas escolhemos nossos caminhos com base nas
orientações seguras do Evangelho, onde não há espaço para furtar o próximo,
onde não se encontra desculpa para o crime que se comete em nome da ambição
ou da guerra social, onde não há complacência com o mal, ainda que se busque
ajudar o maldoso; quando entendemos que todas essas questões não nos levem
às reverências da sociedade, não nos vestirão de púrpura nem nos darão lugar
de destaque, não nos fornecerão recursos para desperdiçar em vaidades que
muitas vezes custam o que um cidadão não consegue ganhar durante toda sua
vida; quando tudo fazemos para ajudar quem necessita, quando servimos por
amor sem desejar alguma coisa; enfim quando entendemos a necessidade de nos
enquadrarmos na definição de um homem de bem, poderemos sim sermos
considerados perdedores aos olhos do mundo mesquinho e injusto que enaltece
os chamados espertos. No entanto, teremos vivido e aproveitado as lições
para nos tornarmos melhores. Teremos, aí sim, ganhado a vida.
Perder ou ganhar, é, pois, uma questão de
escolha!
Melhor não causar prejuízos, melhor perder
que ganhar com desonestidade, melhor não lesar, melhor ter a consciência
tranqüila, melhor perder muitas vezes para ganhar na realidade palpável de
nossa autêntica condição de filhos de Deus!