|
OUSAR
Uma amiga
me fez a seguinte confidência:
-
Meu maior sonho é
ter muito dinheiro para construir um
orfanato que abrigue crianças desvalidas de
família, viverei assim, para elas, com elas
e por elas.
Perguntei-lhe:
-
Mas enquanto você
não enriquece para realizar seu sonho, já
que gosta tanto dessas crianças, o que faz
por elas?
-
Não faço nada,
aliás, faço sim, fico esperando que esse
sonho se realize, por enquanto é o máximo
que posso fazer.
Sem
dúvida que é um nobre ideal, mas todo ideal
carece de alimento, de exercício, necessita
ser colocado em prática.
Nos
emocionamos com a teoria, ensejamos o bem em
nossa vida, nos deleitamos com estórias
emocionantes, mas por vezes esbarramos na
hora de exteriorizar o bem, de extravasar
nossa boa vontade.
Nos
deparamos com um dilema:
Somos
tímidos na hora de demonstrar nossos nobres
sentimentos.
Temos
enorme timidez em falar:
-
Eu te amo, em
demonstrar gentileza, em ser educado.
Ao
comparecer a um velório escutei o seguinte
comentário de um dos filhos do falecido:
-
Sempre tive
vontade de beijar meu pai, no entanto, minha
timidez me impedia de ter esse contato,
agora que ele partiu, sinto-me arrependido
por não beijá-lo, por não abraçá-lo todas as
vezes que tive vontade, minha timidez só
não entrava em ação quando brigávamos,
nessas ocasiões não pensava duas vezes em
magoá-lo.
Deixou de
exteriorizar o carinho pelo pai por pura
timidez.
Uma pena
que tenha sido assim!
As
idéias, as palavras, os ideais, se perdem ao
vento se não forem sedimentados com o
“arregaçar as mangas”, com a ousadia, com o
exercício.
Podemos
não ter condições de construir um orfanato,
entretanto, nada nos impede de abraçar o
trabalho voluntário em uma dessas casas.
Podemos
não ter condições de modificar o mundo,
entretanto, nada nos impede de que
transformemos nosso comportamento para
melhor.
Na
questão de nº 643 de “O Livro dos
Espíritos”, Kardec faz o seguinte
questionamento aos mentores que o assistem:
643 Há pessoas que, pela sua posição, não
têm a possibilidade de fazer o bem?
R – Não há ninguém que não possa fazer o
bem; somente o egoísta nunca encontra
ocasião. Bastam as relações sociais com
outros homens para encontrar ocasião de
fazer o bem, e cada dia de vida dá a
oportunidade a quem não esteja cego pelo
egoísmo; porque fazer o bem não é somente
ser caridoso, é ser útil na medida de vosso
poder todas as vezes que vossa ajuda se
fizer necessária.
Como
podemos ver todos sem exceção possuímos
capacidade para fazer o bem.
O bem
esta ao alcance de todos que se propuserem a
quebrar as amarras da indiferença!
A
resposta é clara e um convite a prática, e
ao exercício do bem.
Portanto,
deixemos de lado o esperar acontecer, a
timidez, e ousemos na hora de realizar
nossos sublimes objetivos.
Mãos a obra !!!
Artigo gentilmente cedido por
Wellington Balbo
Baurú - SP
|