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Passe é importante!
Isto é incontestável ... Ele distribui inúmeros benefícios aos que buscam seus
recursos e tem a amplitude de beneficiar, também, aqueles que se dedicam a
este trabalho verdadeiramente fraterno, à Casa que o mantém e ao ambiente todo
onde estende suas ondas de amor.
Inúmeros estudos e
livros já foram publicados para possibilitar o bom entendimento da questão,
aprimorando trabalhadores da área e esclarecendo aqueles que dele se valem
para minorar suas dificuldades físicas e espirituais. Normalmente, toda Casa
Espírita mantém um trabalho de passes, que tem sido a reunião mais numerosa em
muitos locais.
Porém, o passe é
secundário, se comparado à importância da preleção que o antecede. É claro
que, às vezes, muitas preleções deixam a desejar, lançando à mente do público
presente para o passe efeitos contrários ao que se deve esperar de uma reunião
de passes. Mas, o que se busca com ideal é a preleção clara, objetiva,
motivadora e empolgante para despertar valores esquecidos, lançar sementes de
esperança e, ao mesmo tempo, mostrar o que o Centro Espírita tem de melhor: o
conhecimento espírita !
Por vezes, ouvimos
ponderações do tipo que colocamos como título do presente artigo. Elas denotam
bem a necessidade de esclarecimento do público que, em sua maioria, busca no
passe uma solução mágica para seus problemas. Temos notado Casas cheias de
pessoas que nem são espíritas. Lá comparecem para o passe e saem como
chegaram, apenas naturalmente beneficiados pela importante tarefa do passe.
Não percebem, contudo, que as jóias do bem estar, da fraternidade e também da
cura ou saúde que buscam está justamente nas ponderações claras trazidas pelos
expositores que estudam para oferecer ao público o melhor de seus esforços.
Ouvir a palestra com
atenção, raciocinar em seus fundamentos e seqüência de argumentações já
predispõe o ouvinte a mudar a maneira de pensar, a ver a vida com mais alegria
e disposição, a entender a proposta cristã, a compreender os princípios do
Espiritismo, e isto tudo lhe abrirá horizontes novos para nortear o próprio
caminho, evitando as causas de perturbações. É muitas vezes, na palestra que
entenderemos as razões e os porquês da existência, do sofrimento, das
dificuldades. É também na palestra que encontraremos roteiro de trabalho que
pode mudar nossos passos, radicalmente muitas vezes, da estagnação aflita para
o trabalho vibrante que garante a paz !
É na palestra que
poderemos sentir a vibração amorosa dos espíritos presentes no ambiente,
dispostos e preocupados, sim, com nossa condição mental, procurando tudo fazer
para que nos sintamos mais felizes e receptivos.
É também na palestra
que compreenderemos o papel do Centro, a função do passe, que assimilaremos,
com muito mais facilidade, os ensinamentos de Jesus e a maneira de usar isso
com mais objetividade.
É no ambiente da
palestra que vamos, aos poucos, conhecendo novos amigos, integrando-nos com os
trabalhos do Centro e afastando, por conseqüência, a solidão e seus
companheiros, como a depressão, a angústia, a aflição...
É na palestra antes
do passe que já vamos curando nossas enfermidades físicas e morais, no contato
com um ambiente muito preparado para nos atender, posteriormente, com os
magníficos recursos espirituais do passe em si...
Portanto, amigo,
busque, sim, o passe. Mas, venha mais cedo. Interesse-se pela palestra. Ouça
com atenção, reflita sobre seu conteúdo, converse depois com o expositor sobre
dúvidas que ficaram.
Grupos Espíritas,
mantenhamos o passe, mas valorizemos mais as palestras curtas que o antecedem,
ampliando, talvez, seu espaço, para esclarecer as mentes ansiosas que buscam o
serviço da Casa, oferecendo-lhes o melhor que temos: o conhecimento espírita !
E, ao mesmo tempo, esclareçamos nosso público para que percebam que a tarefa
do passe é importante, mas não é a principal tarefa do Centro, nem da
Doutrina. Esta e aquele existem para esclarecer a criatura, ensinando-a a
defender-se ...
Este esclarecimento
tornará as pessoas livres, independentes, crescendo por si mesmas. Não teremos
os eternos dependentes de passes e ainda formaremos trabalhadores conscientes.
Às vezes, fico a
pensar que a "multidão do passe" não é espírita, mas apenas "tomadores" de
passe. Isto é o ideal ?
Qual o objetivo da
Doutrina ?
Ideal que a Doutrina
seja conhecida. Portanto, cabe aos Centros e dirigentes formar condições para
isso, introduzindo o conhecimento, também e principalmente, ao lado do passe,
tão procurado em nossas Casas.
Pensemos que a
acomodação, a estagnação, o medo, timidez e falta de iniciativa que ainda
domina muitas pessoas está contribuindo para adiar a implantação de um mundo
melhor. Muitas vezes, elas existem em função do condicionamento e dependência
que, sem pensar ou querer, estamos criando naqueles que buscam os Centros
Espíritas.
Já imaginaram esta
multidão transformada em pessoas dinâmicas (como é a própria Doutrina),
criativas, interessadas, motivadas e conhecedoras da Doutrina ? O panorama de
muitos Centros e da própria sociedade em geral seria outro.
Nada contra o passe.
Mantemos, também, na Casa a que estamos vinculados, um trabalho semanal de
passes. Estas são, apenas, reflexões contra a rotina que cria dependência.
(Dirigente Espírita
Nº 58 - Março/Abril de 2000) |