O QUE É? O QUE É?

       Quando o Gonzaguinha perguntou o que é a vida, a resposta não foi única. Mas todas eram, de algum modo, válidas.
          Grande parte das mensagens publicadas em livros espíritas nos diz que a vida é expiação, dor, prova, para agüentarmos firme, para nos resignarmos, para entendermos que o sofrimento presente, dependendo da forma como o encaramos pode significar a felicidade futura. Se esbravejamos, se nos revoltamos, pouco ou nenhum proveito ele nos trará.
          Tudo isto é verdadeiro. Entretanto, nem toda dor existe para nos conformarmos.
          Há coisas na vida que podemos mudar - boa parte delas. E temos o direito de mudá-las. O sofrimento nos impulsiona para o progresso, mas ele não é um fim em si mesmo. Ninguém está na Terra para sofrer, e, sim, para progredir.
          Jesus não nos convidou a sofrer. Pelo contrário, ele aliviava a dor. Enviou seus apóstolos para espalhar a Boa Nova e, que mais? Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos - Ele disse.
          Se sairmos perguntando, pouca gente vai dizer que vive a vida que quer. Pode ser que a tenha desejado, nalgum dia distante, antes de reencarnar, mas agora, sem a visão espiritual das razões da escolta, se pudesse, escolheria outra.
          Existem, porém, circunstâncias que podem e devem ser transformadas. E que, se as transformamos farão grande diferença e nos ajudarão a conviver com o que não dá mesmo para ser mudado.
          De fato, não vivemos a vida que queremos. Vivemos o modelo daquilo que achamos que viver significa.
          Por exemplo: se acreditamos que a vida é dor, ela será. Se acreditamos que é luta, ela será. Se acreditamos que esta luta pode ser vencida, sentimo-nos vencedores. Se acreditamos que é uma luta sem vencedores, seremos derrotados.
          Se olharmos a vida como uma linha ascendente, estaremos subindo. Se a olharmos como uma linha descendente, vamos parar bem no fundo. Se acharmos que é sempre a mesma coisa, eis o que ela é.
          Se acreditarmos no nosso poder de decidir e realizar, faremos o nosso destino. se acharmos que o destino é que manda, seremos levados por ele.
          Importa descobrir o que pensamos que a vida seja, na medida em que transformamos nossa vida no conceito que dela fazemos. E descobrir uma resposta que nos faça sentir mais vivos, mais plenos, mais felizes!
          Para o Espiritismo, a vida é uma jornada de crescimento espiritual, um caminho de progresso intelectual e moral, que é o que realmente conta, que são as verdadeiras conquistas do Espírito. Não precisamos ser tristes e soturnos, não precisamos sofrer, não precisamos ser humilhados. Precisamos apenas nos tornar seres humanos melhores.
          Pense: que será que Jerônimo Mendonça (conhecido como o "Gigante Deitado", orador espírita tetraplégico e cego que, enquanto esteve entre nós, encarnados, foi um exemplo de alegria e otimismo) pensava que a vida fosse?

RITA FOELKER