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O MÉDIUM
Como já registramos anteriormente, as faculdades mediúnicas de
Chico Xavier iniciaram-se aos 5 anos de idade, logo após a
desencarnação de sua mãe.
Certo dia o menino
chorava sob umas bananeiras porque sua madrinha lhe havia
aplicado uma daquelas surras, quando sua mãe chegou e
perguntou-lhe porque chorava.
"- Ah! A senhora não
imagina o quanto eu tenho sofrido.
- Meu filho, no lugar
onde eu estou uma enfermeira me informou que você está
querendo se queixar das surras, mas você deve apanhar com
calma, porque isso vai lhe fazer bem."
"- Leve-me com a senhora,
mamãe! Não me deixe mais aqui!...
"- Agora não posso,
porque vou para o hospital..."
Quando a madrinha de
Chico chegou, de volta à casa, pois havia saído a passeio, o
menino contou eufórico, da visita da mãezinha. A madrinha
achou que o Chico estava louco e aplicou redobrada surra
naquela infeliz criança.
No outro dia a mãe de
Chico lhe aparece novamente e disse:
"- Eu não quero que você
minta, mas não precisa dizer que eu estou lhe aparecendo."
"- Mas eu estou apanhando
muito! Olhe minha pele como está!"
"- A sua madrinha é uma
instrutora, por isso você deve gostar muito dela."
De família
tradicionalmente católica praticante, Chico Xavier foi educado
sob os preceitos da Igreja Católica Apostólica Romana,
inclusive alguns de seus biógrafos informam que ele foi
coroinha, o que não está provado. No entanto, provado está que
Chico foi BOM católico, como é, e será sempre EXEMPLO
ESPÍRITA. Em inúmeras entrevistas concedidas à imprensa -
Rádio, Televisão, Jornal -, Chico refere-se à Igreja Católica
com imenso carinho e elevado respeito. Aliás, quando da
primeira visita de João Paulo II ao Brasil, assim expressou-se
o médium das Alterosas: "... Considero Sua Santidade como um
Pai Espiritual de todos nós." Estas e outras expressões
semelhantes de Chico Xavier por certo têm sido "indigestas"
aos espíritas radicais, aos que não compreendem ou não
conseguem aprender que o Espiritismo respeita as correntes
religiosas, sem jamais desviar-se de seus princípios e
postulados doutrinários. E o médium assimilou, com meridiana
clareza, este critério. Chico Xavier tem dito que muitos
confrades acham-no religioso demais, porém, Chico teve uma
formação religiosa bastante rígida. Sua mãe foi uma pessoa
eminentemente religiosa e assim educou seus filhos. Era um
hábito que tinha Dona Maria João de Deus, reunir à noite sua
família para as orações. Lamentavelmente, hoje, não existe
mais este hábito tão espiritualizado e salutar! Pois bem,
assim o Chico foi criado - sob a luz da oração e sob os
preceitos da Igreja Católica.
Aos 5 anos de idade ele
inicia seu intercâmbio com a outra dimensão da Vida,
dialogando com a mãezinha desencarnada.
Quando o Chico contava
aos outros, ninguém acreditava. Muitos, como o bondoso Padre
Sebastião Scarzelli, acreditava, porém, achava que aquilo não
era bom e lhe dava enormes penitências.
E sua mãe continuava
aparecendo. Um certo dia disse ao filho:
"- Você não deve
aborrecer-se porque não acreditam em você; seja humilde, pois
sem humildade você não cumprirá uma boa tarefa."
"- O que tem isso?"
"- Mas eu sempre digo a
verdade..."
"- A verdade é de Deus e
Ele sabe o que faz..."
Chico, porém, continuou
chorando e disse:
"- Papai e o Vigário
dizem que eu estou desequilibrado..."
"- Você ainda é uma
criança, meu filho, disse Dona Maria, abraçando o filho... Um
dia você compreenderá que o Padre e seu Pai querem somente o
seu bem. Não é preciso você, por agora, dizer a ninguém sobre
as nossas conversas. Um dia você poderá falar aos
outros."
Desde aquele dia, durante
sua tenra idade, Chico não confidenciou a alguém os diálogos
que manteve com a mãe desencarnada.
Um fato curioso, dentre
tantos outros, "foi quando Chico tinha 12 anos - 1922 -, e o
Grupo Escolar em que o mesmo estudava, instituiu um prêmio ao
aluno que escrevesse a melhor redação sobre a Independência do
Brasil. Chico começou a escrever, quando um Espírito apareceu
e começou a ditar-lhe a redação. O menino levantou-se,
acercou-se do estrado onde estava sua professora, Dona Rosália
Laranjeiras, e lhe informou do fato. Dona Rosália, de formação
Católica disse ao menino que ele retornasse à sua classe
e escrevesse, pois ali não dever-se-ia falar sobre espíritos,
no que Chico obedeceu. Quando do julgamento da redação, Chico
recebeu o 2º lugar do Estado de Minas Gerais, mas até hoje ele
afirma, honestamente, que não lhe pertenceu aquela redação.
Mais tarde, Chico Xavier
declararia: "... a meu ver, tive três períodos distintos em
minha vida mediúnica. O primeiro de completa incompreensão
para mim, é aquele dos cinco anos de idade, quando via minha
mãe desencarnada, proteger-me, até os 17 anos, época em que me
via sob a influência de entidades felizes e infelizes, até que
a misericórdia do Senhor penetrou nossa casa em julho de
1927..."
Naquele ano, um reduzido
grupo de estudiosos do Espiritismo funda o Centro Espírita
"Luiz Gonzaga", na residência de André Xavier, irmão de Chico,
e este continuou a tarefa da psicografia.
Antes, porém, o jovem
resolve falar com o seu confessor, Padre Sebastião Scarzelli,
o qual lhe ouviu em confissão, ocasião em que Chico lhe
informa que iria dedicar-se ao Espiritismo. O Padre responde
que a Igreja não aprovava o Espiritismo. Entretanto, que ele,
o Padre, iria orar à Virgem Maria por ele. Depois disso diz o
Chico que nunca mais viu o Padre Sebastião, mas guarda por ele
imensa gratidão e carinho.
O Padre Sebastião
Scarzelli, já em avançada idade, foi entrevistado, na cidade
de Joinville, Santa Catarina, e disse que tudo o que o Chico
diz a seu respeito é verdade, e que sempre admirou aquele moço
por sua distinção, sempre atarefado na loja do Senhor
Felizardo." - Deus abençoe o Chico Xavier para que ele não
comercialize jamais os dons que o Senhor lhe concedeu...",
arremata o venerando Sacerdote.
DO LIVRO: Chico Xavier
- O Homem, o Médium, o Missionário
AUTOR: Antônio Matte Noroefé |