O mau caráter na
base do problema

       A propósito, encontramos no Jornal da Tarde (04/08/78) estas considerações de Luiz Carlos Lisboa, no seu artigo "Os Demônios", ao falar sobre um personagem de Dostoievsky:
       "A religião e a psicopatologia costumam às vezes designar de maneira diferente as mesmas realidades /.../
       "Há uma realidade que poderíamos chamar de "demoníaca", à falta de outro termo melhor, e que se caracteriza no homem por uma irresistível inclinação para o ressentimento, a inveja, a frustração, a intolerância, e pelo desejo de moldar o mundo à sua concepção. Este último elemento é fundamental. A certeza de que é preciso modificar os outros homens, a sociedade, o planeta, talvez o universo, é constante neste tipo de natureza. /.../ A guerra santa, a não conciliação das classes sociais, a defesa de nossos ideais, a pureza racial - são variados os pretextos e múltiplas as acrobacias intelectuais que tentam conferir alguma aparência de dignidade ao ódio animal que fomenta nesses exemplares humanos que Dostoievsky chama de demônios".

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Aliás, essa característica de
pretensos "salvadores da pátria"
tem sido constante nos vários
líderes religiosos e políticos
desequilibrados.

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       Um exemplo de triste memória foi Hitler. Sobre essas personalidades fanáticas os Espíritos degenerados, desejosos de promover o mal, encontrariam presas fáceis pela fascinação primeiro, evoluindo rapidamente para a subjugação moral e posteriormente para a possessão (que se explica na atualidade como um grau extremo de simbiose espiritual).
       Ao falar sobre o efeito de vinganças obsessivas efetuadas por Espíritos trevosos sobre encarnados e a maneira de evitá-las, Kardec salienta a necessidade da vigilância moralizadora para a manutenção do equilíbrio mental e espiritual.
       Antigamente ofereciam-se sacrifícios sangrentos - diz o Codificador - para apaziguar os deuses infernais que nada mais eram do que os Espíritos maus... (O Evangelho Segundo o Espiritismo).
       De fato. Essas tragédias não parecem procurar a reedição daquelas páginas de fanatismo e selvageria? - É a pergunta que nos acode, para encontrarmos logo adiante a resposta de Kardec, na mesma obra:
       O Espiritismo vem provar que esses demônios não são mais do que as almas de homens perversos que ainda não se despojaram dos seus instintos materiais; que não se pode apaziguá-los senão pelo sacrifício dos maus sentimentos, ou seja, pela caridade; e que a caridade não tem apenas o efeito de impedi-los de fazer o mal, mas também de induzi-los ao caminho do bem e contribuir para a sua salvação.
      
Entendamos por salvação o encaminhamento do Espírito (em estado de queda) de retorno aos processos de evolução espiritual, o que, a rigor, corresponde ao destino de todos os Espíritos.