Exuberante
escritor, filósofo, novelista, poeta, o francês Voltaire
(1694-1778), foi o personagem mais relevante do Renascimento
francês, suas idéias foram de grande importância para a revolução
francesa de 1789. Mais que isso, seu pensamento livre de
preconceitos e alicerçado na liberdade de expressão, influenciou
decisivamente grandes figuras da humanidade, tais como: Benjamin
Franklin, Thomas Jefferson, James Madison...
Inteligente,
perspicaz, sagaz, sua irreverência o colocou várias vezes na prisão.
Certa vez, se indispôs com jovem
aristocrata, o cavaleiro de Rohan, sua eloqüência deu-lhe a vitória
no embate verbal, contudo, o cavaleiro sentindo-se menosprezado,
mandou dar-lhe uma surra e prendeu-o novamente na Bastilha.
Sua produção literária ultrapassa as 30.000
páginas, versátil, escreveu contos, novelas, cartas, peças de teatro
e livros de filosofia e história.
Seus ideais de liberdade e tolerância religiosa
mostram a faceta nobre e digna de sua alma.
Para Voltaire, o ser humano tinha o direito de se
expressar e mostrar a todos sua visão da vida, sem sofrer
retaliações e constrangimentos por pensar de forma oposta.Era ele
um genuíno democrata!
Atribui-se ao célebre filósofo a seguinte frase:
“Não concordo com uma palavra do que dizes,
mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”.
E foi na França de Voltaire, que o cântico de
liberdade ecoou através das vozes esclarecedoras dos Espíritos.
O também democrata Allan Kardec, compilou sem
preconceitos aquelas teorias novas, belas, sublimes e que abririam
oportunidades de instrução para todos os educandos do planeta Terra.
A liberdade com respeito que tanto pregava
Voltaire transbordava agora nas páginas de “O Livro dos Espíritos”
na questão de nº 827.
P - 827 A obrigação de respeitar os direitos
dos outros tira do homem o direito de ser senhor de si?
R – De jeito nenhum, porque esse é um direito
que a natureza lhe concede.
Notável, a liberdade desde que não ultrapasse os
limites do bom senso e traga prejuízo a outrem, é direito sagrado do
ser humano.
Temos o inalienável direito de comandar as nossas
vidas, de escolher nossos destinos!
Temos o inalienável direito de discordar e o
inalienável dever de mesmo discordando respeitar!
Porém, mesmo em pleno século XXI, muitos não se
dão conta disso e tentam constranger, humilhar, impor...
Ah, como seria útil se cônjuges ciumentos, pais
autoritários, e amigos intransigentes se familiarizassem com as
idéias de Voltaire.
Em lamentável esquecimento das individualidades,
alguns agem como se fossem donos do semelhante exclamando frases do
tipo:
Não faça isso! Não faça aquilo! Não diga isso!
Não me contrarie! Faça como eu faço! Pense como eu penso!
Hoje, não recorre-se a prisão como se fazia à
época de Voltaire, no entanto, agarra-se a violência em suas mais
tristes formas:
A violência física que se exprime através da
agressão.
A violência verbal que se materializa na
leviandade da fofoca.
A violência psicológica que se faz através da
imposição de teorias e doutrinas que incutem o medo e impedem o
livre pensar.
A violência econômica que se traduz em exploração
de pessoas que trabalham em regime de semi escravidão em troca de
ínfimos recursos.
Todas essas facetas tolhem a liberdade de
expressão, de sentimento e de pensamento do ser humano.
Lembro-me de amigo que tinha enormes dificuldades
de exteriorizar seus sentimentos, vivia travado, com medo até mesmo
de se apaixonar por alguém, tudo porque quando criança fora por
várias vezes admoestado pelo pai por chorar em público ou dar
demonstrações públicas de afeto.
Faltou ao pai respeitar os sentimentos do filho
dando-lhe liberdade de expressão. Ora, o que fazia o garoto de
errado para que o pai lhe chamasse à atenção?
Ah o respeito, este anda lado a lado com a
liberdade.
Inexiste liberdade sem respeito!
O respeito jamais se fará através da violência, e
a humanidade não se libertará do julgo da ignorância enquanto houver
fortes oprimindo fracos, inteligentes desdenhando obtusos, ricos
discriminando pobres...
E a ignorância é um dos grandes cárceres da
humanidade.
Voltaire era preso e jogado na Bastilha, todavia,
o filosofo estava solto, com o pensamento livre para criar,
produzir; um de seus poemas mais aplaudidos – Henriade, foi
produzido justamente à época em que estava preso.
Encarcerados estavam todos aqueles que lhe
prendiam, pobres coitados, eram prisioneiros da ignorância.
Só há o mal onde ignora-se o bem, só há o ódio
onde ignora-se o amor, só há trevas onde ignora-se a luz.
E a luz, se faz cada vez mais esplendorosa onde
há liberdade as formas de pensar, as individualidades, as
limitações,aos desejos.
E por falar em desejos, será que respeitamos os
desejos, as aptidões e damos liberdade àqueles que caminham conosco
no cenário do mundo?
Será que não tolhemos sua liberdade de expressão?
È imperioso que não algememos nossos afetos do
coração, por mais que amemos e queiramos o bem, é salutar que demos
a eles a liberdade de se comportarem de acordo com seu estágio
evolutivo.
Em realidade, somos companheiros de viagem,
espíritos viajores do universo que aprendem nessa intensa troca de
experiências.
Manipular, podar, tolher, devem ficar apenas nos
livros de história, servindo de parâmetro para que vejamos como
éramos e como estamos hoje.
Pensemos nisso!