O ESPIRITISMO NO BRASIL

 

O mediunismo, permitindo um relacionamento ostensivo entre encarnados e desencarnados, deu aos homens visão e entendimento do Além, da vida espiritual, da eternidade do ser.

Comprovou cientificamente a continuidade da vida e a existência da alma, apregoada por todos os religiosos. Entretanto não foi unicamente esta comprovação (que por si só se constituiu na mais bela aquisição da humanidade) o legado do Espiritismo. Ele propiciou o advento de um novo período, de uma nova etapa da evolução dos terráqueos.Foi o advento da Ciência-Religião, que, no decorrer dos anos, provou a excelência de seus ensinamentos filosóficos, científicos e religiosos.

Muitos cientistas se apegaram ao fenômeno físico e fecharam os olhos e ouvidos para o conteúdo filosófico, espiritual e religioso do Espiritismo.

Os franceses foram pródigos nesse entendimento: enveredaram pelo chamado Espiritismo Científico; abandonaram, negaram os aspectos filosóficos e religiosos da Doutrina e distanciaram-se dos caminhos propostos pelos Espíritos na Codificação.

Houve necessidade de dar diferente rumo ao Consolador. Era imprescindível consolidar as bases morais da Doutrina e, para tanto, as novas idéias precisavam crescer em ambiente menos eivado de orgulho e vaidade; onde houvesse mais amor, fraternidade e caridade no coração do povo (o que vale dizer entre os verdadeiros "pobres de espírito").

Visando esse objetivo, a Espiritualidade determinou a transferência da "Árvore Consoladora" para o Brasil (Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, no dizer do espírito Humberto de Campos)

Os Espíritos Superiores, atentos às eventuais necessidades de modificações nos rumos traçados para a evolução da Terra, haviam providenciado,com a antecedência necessária, a reencarnação de espíritos aptos para darem continuidade à obra codificada por Allan Kardec.

O terreno fértil foi preparado para o desenvolvimento das novas idéias que reviviam o Cristianismo em sua pureza primitiva.

E, assim, o Espiritismo se desenvolveu na Terra do Cruzeiro, alicerçado na Moral Cristã, no Mediunismo e na Reencarnação.

A primeira notícia jornalística sobre os fenômenos espíritas foi publicada no "Jornal do Comércio", do Rio de Janeiro, de 14 de junho de 1853.

As primeiras manifestações espíritas em nosso País ocorreram, através das mesas girantes e falantes, quase no mesmo tempo na Corte do Rio de Janeiros, no Ceará, em Pernambuco e na Bahia, alastrando-se por todo o País. Figuras proeminentes, nobres, membros da Corte, generais, magistrados, historiadores, médicos, enfim pessoas de todas as classes sociais e atividades profissionais participaram desse movimento inicial.

A primeira obra espírita, em português, publicada no Brasil foi "O Espiritismo na Sua Mais Simples Expressão", traduzida por Alexandre Canu, em 1862.

Em Salvador, na Bahia, em 17 de setembro de 1865, Luís Olímpio Teles de Menezes fundou o "Grupo Familiar do Espiritismo", o primeiro agrupamento espírita organizado no Brasil, visando o estudo da Doutrina, prestar assistência social e divulgar o Espiritismo.

Foi Teles de Menezes quem, em julho de 1869, publicou o primeiro jornal espírita do Brasil: "O Eco d'Além-Túmulo", com o subtítulo "Monitor do Espiritismo no Brasil", ao qual a "Revue Spirite" se refere, em outubro do mesmo ano, na seção bibliográfica. Em dezembro, a mesma revista volta ao assunto fazendo referências elogiosas ao jornal baiano e transcrevendo o artigo de introdução escrito por Teles de Menezes, vertido para o francês.

Em 1871, Teles de Menezes não conseguiu aprovar oficialmente a "Sociedade Espírita Brasileira", em função de pareceres exarados onde negavam autorização, por ser o Espiritismo "um atentado formal contra a verdade católica" e que "uma sociedade cuja doutrina tem por fim contrariar a Religião do Estado é contra o Estado." (numa clara demonstração da intransigência religiosa dominante, pactuada com o poder de Estado). Somente em 1873, se fundou a Sociedade Espírita Brasileira, oriunda do Grupo Familiar.

Numerosos outros grupos e sociedades foram, desde então, criados.

Faremos breve referência apenas a alguns, dos mais antigos e dos que mais contribuíram para o desenvolvimento do Espiritismo Brasileiro.

No Rio de Janeiro: "Grupo Confúcio" (1873); "Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade" (1876); "Grupo Fraternidade" (1880); "Grupo Ismael" (1880); "Federação Espírita Brasileira" (1884).

Em São Paulo: "Grupo Familiar" fundado por Dr. Ramos Nogueira (anterior a 1887); "Grupo Espírita Verdade e Luz" (1890), fundado por Batuíra (Antônio Gonçalves da Silva); "Centro Espírita Amantes da Pobreza", em Matão, fundado por Cairbar Schutel (1905).

Santa Catarina: "Centro Espírita Caridade e Jesus" (1895), fundado por Joaquim Antônio S. Tiago, denodado pioneiro do Espiritismo desse Estado.

Bahia: Nesse estado, Petitinga (José Florentino de Sena) fundou, em Juazeiro, o "Centro Espírita Caridade" e mais tarde fundou, em Salvador, o "Grupo Espírita Caridade".

Minas Gerais: Fundou-se, em 1897, o Centro Espírita Fé e Amor, na Fazenda Santa Maria, em Sacramento, onde o Prof. Eurípedes Barsanulfo (1880-1918), o bom e caridoso "Missionário da Mediunidade", ao assistir a um trabalho mediúnico dirigido por seu tio e iniciador, Mariano da Cunha Júnior, convenceu-se das verdades espíritas e dedicou o resto de sua vida ao Espiritismo.

A primeira estação de rádio espírita no Brasil foi a Rádio Piratininga, na Capital de São Paulo, em 1940.

A primeira tradução para o português de "O Livro dos Espíritos" foi publicada no início de 1875; fato noticiado na "Revista Espírita de Allan Kardec, em agosto do mesmo ano. Ainda nesse ano editou-se "O Livro dos Médiuns"; em 1876, "O Céu e o Inferno"; e em 1876, o "Evangelho Segundo o Espiritismo", todos traduzidos por Carlos Travassos e editados pela Editora B. L. Garnier.

Inúmeros jornais e revistas espíritas apareceram no cenário nacional, dos quais destacamos, talvez, movido por sentimentos pessoais:

"O Espiritismo Experimental", fundado na capital paulista, em setembro de 1886, por Francisco dos Santos Cruz Júnior, grande trabalhador espírita.

"Luz da Verdade", jornal quinzenal fundado em 20 de janeiro de 1890 por Batuíra, português que foi uma das maiores personalidades do Espiritismo paulista.

"O Clarim", jornal publicado até hoje em Matão,SP. Foi fundado, em 1905, por Cairbar Schutel, esse baluarte do conhecimento e fé, cognominado "O Bandeirante do Espiritismo".

Merece especial citação, por sua extraordinária contribuição ao Espiritismo, que se estende até hoje, a revista mensal "Reformador", órgão da "Federação Espírita Brasileira", publicado desde 21 de janeiro de 1883, graças à tenacidade e profundo amor à causa espírita do português Augusto Elias da Silva, com recursos do próprio bolso.

Foi em "Reformador" que Elias da Silva (convicto da necessidade da união dos espíritas para enfrentar os grandes adversários do Espiritismo: o Materialismo, o positivismo, o Racionalismo e o Catolicismo) defendeu a união dos espíritas em uma sociedade formada por delegados de todos os grupos espíritas.

No Natal de 1883, Elias da Silva reuniu em sua casa amigos e, juntos, decidiram fundar uma nova sociedade destinada a federar todos os grupos.

Dias depois, em 1º de janeiro, numa segunda reunião, aprovaram o plano de uma Federação Espírita Brasileira e, no dia seguinte, 2 de janeiro de 1884, foi aclamado o primeiro diretório.

No dia 2 de janeiro, os membros instaladores elegeram a primeira diretoria que ficou assim constituída: Presidente, Major F. R. Ewerton Quadros; Vice-Presidente, M. Fernandes Figueira; Secretário, João F. da Silveira Pinto; Tesoureiro, A. Elias da Silva; Arquivista, F. A. Xavier Pinheiro. Quatorze dias depois, o "Reformador" passou a ser órgão da Federação.

Assim nasceu, como se expressou Fernandes Figueira, "a humilde filha do Céu, mas trazia em seu seio, como o carvalho na bolota, todas as forças, todas as energias, que a fariam crescer, florir, frutificar e copar como árvore materna, a cuja sombra deveriam acolher-se, para se desalterarem, as gerações presentes e futuras".

As palavras desse denodado espírita foram verdadeiramente proféticas. A Federação Espírita Brasileira tornou-se a "Casa-Máter do Espiritismo", por seu papel extraordinário e de indiscutível importância na implantação e no desenvolvimento do Espiritismo em nosso país e, com certeza, sob a proteção dos Espíritos Superiores, ela prosseguirá, fiel aos ensinamentos de Jesus e da Codificação Kardequiana, sua nobre e sublime missão.
 

Do livro: Tire suas dúvidas - Grandes Temas Espíritas
Autor: Homero Moraes Barros
Editora Didier


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Formatação: Damião da Silva Leão