|
MILAGREIROS DO ALÉM,
POMADISMOS E CURANDEIRISMOS
A revista Veja de 14/06/2000, pág. 68
traz longa reportagem intitulada “Não
ajuda em nada”, demonstrando que
pesquisas confirmam uma realidade
preocupante, que tratamentos alternativos
(místicos) comprovadamente são ineficazes no
restabelecimento da saúde de pacientes,
especialmente com câncer.
É lastimável acompanharmos a Imprensa comum
dando notícias sobre “Espíritos” que têm
fornecido dietas para regime de
emagrecimento ou, ainda, divulgam que
cirurgiões do “além” que vão retalhando
corpos em nome de operações “espirituais”,
outros que prescrevem receitas com
medicamentos alopáticos, fitoterápicos
(ervas “milagrosas”) e chás de “coisa
nenhuma”.
O Espírito
André Luiz adverte: “Aceitar o auxílio
dos missionários e obreiros da medicina
terrena, não exigindo proteção e
responsabilidade exclusivos dos médicos
desencarnados”
(1)
É atitude equivocada a tendência de
subestimar a contribuição da medicina
humana, entregando enfermidades aos
Espíritos milagreiros do além (de
preferência cirurgião com nome germânico ou
hindu) para que “curem” complexos processos
de metástases, por exemplo.
Os
conceitos espíritas nos remetem à certeza
que a matriz das doenças está fincada no
estado mental do enfermo, portanto, a
rigor, não serão agentes externos que
determinarão curas para os que teimam
permanecer entorpecido na condição de
revolta e dubiedades ante os códigos de
justiça vigentes nos Estatutos Divinos, ou
naqueles que só se refarão sob o guante dos
legítimos processos de enfermidades em face
dos dispositivos de causa e efeito,
até porque
“A doença pertinaz leva à purificação mais
profunda”
(2)
Os Espíritos não estão a
disposição para promoverem curas de
patologias que a rigor representam
providências corretivas para nosso
crescimento espiritual no buril expiatório.
Nesse sentido, os dirigentes de núcleos
espíritas deveriam promover bases de estudos
e reflexões sobre as propostas, filosóficas,
científicas e religiosas do Espiritismo ao
invés de encetarem trabalhos espirituais
para os inócuos “curanderismos”.
Os
preceitos doutrinários esclarecem-nos que
devemos “Aproveitar a moléstia como
período de lições, sobretudo como tempo de
aplicação de valores alusivos à convicção
religiosa. A enfermidade pode ser
considerada por termômetro da fé”.(3)
São
inoportunas certas manifestações de
promessas de “curas” de obsessões com
sessões da famosa corrente magnética
brasiliense (prática “inventada” em
Brasília, por grupos que seduzem empolgados
“filantropos” através do apelo
assistencialista, inoculando estranhas
práticas doutrinárias) como a magnetização
“desobsessivas” para afastar Espíritos aos
moldes de como se espanta moscas das feridas
expostas. Para consubstanciar esse objetivo
recorrem ao auxílio da varinha de condão do
chamado “choque anímico” com o qual os
enfermos se “libertam” dos obsessores,
conforme promete livro(4)
,publicado pelos seguidores desse movimento
equivocado.
Há, ainda
outros núcleos que propõem aplicações de
luzes coloridas (cromoterapias) para
higienizar auras humanas e curar (pasmem):
azia, cálculo renal, coceiras, dores de
dente, gripes, soluços em crianças,
verminose, fieiras, conforme propaga
literatura específica.(5)
Acreditem!! Se não bastasse recomenda-se
até carvãoterapia (?!) para neutralizar
“maus-olhados” nesse sentido, segundo crêem
é só colocar um pedaço de tora de carvão
debaixo da cama e estaremos imunes do grande
flagelo da humanidade – o “olho comprido”
!!
Muitas instituições espíritas do
DF têm distribuído o remédio (cura tudo do
momento) uma tal pomada do “vovô fulano”.
O que se nota, a bem da verdade, é
que ainda não há rigor suficiente das
instituições espíritas para com a pureza
doutrinária tão-necessária, pois não se viu
bater em retirada de todos os rincões do
meio espírita os sistemas divergentes, que
teimam em se alojar aqui e ali, na tentativa
de, pelo decurso do tempo, serem confundidos
e aceitos como Espiritismo de fato:
ramatisismo, roustainguismo, ubaldismo,
armondismo, umbandismo etc, e mais os
apometristas, cromoterapistas, pomadistas,
cepistas etc. O que se quer é a
transparência doutrinária no movimento
espírita ou a confusão doutrinária? Se for
transparência doutrinária, então, maior
rigor para com os divergentes, a fim de que
desanimem e se afastem de vez por
todas. A vida moderna, globalizada ou não,
está a pedir, isso sim, posicionamentos e
comportamentos firmes e consentâneos com a
proposta espírita. Como bem recomenda o
ínclito Codificador, em Viagem Espírita
1862, pág. 33: "O excesso em tudo é
prejudicial, mas, em semelhante caso, vale
mais pecar por excesso de prudência do que
por excesso de confiança".
Sabemos que os que lêem estas
linhas podem pensar que estamos revestidos
de idéias ficcionais, mas podemos assegurar
que não teríamos materiais tão imaginativos.
Em recente entrevista ao jornal
Alavanca - abril/maio-2000 - Divaldo Franco
adverte sobre as “terapias alternativas” ,
“curandeirismos” e a fascinação na prática
mediúnica, apontando-os como fatores que
têm desestabilizado o projeto da unidade
doutrinária”.
É por essas e outras que a
revista Veja, abril de 1999, registra que os
médicos da ala conservadora da psiquiatria
consideram os médiuns como dotados de
neuroses, psicoses, desvios de
personalidade, esquizofrenias. Se pararmos
para refletir daremos uma certa razão para
esses profissionais, até porque muitos
adeptos do Espiritismo não conhecem os
livros de Allan Kardec, Emmanuel, André
Luiz, Joanna de Ângellis, Bezerra de
Menezes, Vianna de Carvalho e outros
consagrados expoentes da difusão doutrinária
e lastimavelmente estão aguilhoados nas
práticas que comprometem todo projeto
doutrinário.
O exercício dos Códigos
Evangélicos nos impõe a obrigatória
fraternidade e compreensão aos adeptos
dessas esquisitas práticas, o que não
equivale dizer que devemos nos omitir quanto
à oportuna admoestação para que a Casa
Espírita não se transforme em academia de
andróides hipnotizados pela fantasia e
ilusão
(1)
Luiz, André, Conduta Espírita
Cap.35. Editora FEB:RJ /1977-5ª
edição
(4)
Colegiado dos Vínculos Fraternais,
Desobsessão por Corrente Magnética,
1ª edição Sociedade de Divulgação
Espírita “Auta de Souza”-1996.DF
(5)
Nunes, René. Cromoterapia.A Cura
Através da Cor.Editora Asa Sul./Brasilia
1ª edição
Artigo gentilmente cedido por
Jorge
Luiz Hessen
Servidor público Federal, Expositor Espírita na região de Brasília e
Goiás,
Articulista das Revistas "Reformador", "O Espírita" e "Brasília
Espírita "
E-Mail:
jorgehessen@gmail.com
Site:
http://meuwebsite.com.br/jorgehessen
|