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Mediunidade: Prova ou
Missão?
Segundo Herculano Pires,
mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as
relações entre os homens e os Espíritos.
A mediunidade é uma capacidade de que Deus
nos dotou. Como a capacidade de falar, de enxergar, de ouvir e de andar,
temos a capacidade de sentir a presença dos Espíritos, sendo que algumas
pessoas desenvolvem a capacidade de transmitir os pensamentos deles.
Há, contudo, quem diga que a mediunidade é
uma prova para o Espírito encarnado. Um fardo colocado sobre seus ombros,
para carregar durante sua caminhada terrena.
E há quem diga que o médium é um
missionário, um enviado de Deus para despertar a Humanidade sonolenta para
a realidade da vida espiritual. (E, o que é pior, há médiuns por aí que se
convencem disto, esquecendo-se de que a mediunidade só dá bons frutos ao
lado da humildade e do desprendimento.
São duas posições que só tem cabimento,
quando se encara a mediunidade como um dom sobrenatural, uma concessão
divina a este ou aquele eleito. Mas o Espiritismo vê a mediunidade como
aptidão humana, que todos possuem em maior ou menor intensidade. Podemos
nos referir a ela, então, simplesmente como tipo de sensibilidade e como
meio de comunicação.
Vejamos por este lado: cada encarnação do
Espírito reúne determinadas condições, determinadas circunstâncias, que
lhe proporcionam meios de progredir. Estas condições podem ser as mais
diversas: a riqueza material ou a pobreza, a vocação para as Artes ou as
Letras, uma inteligência acima da média, a colaboração daqueles que estão
em volta, enfim, podemos relacionar tudo o que faz parte da nossa vida e
nos dá possibilidade de servir ao mundo, ao próximo, à Humanidade como um
todo.
Pensemos, por exemplo, na fala. A fala é
tão natural, que ninguém se sente um escolhido de Deus por poder falar...
No entanto, existem milhões de maneiras de se usar a fala, o que vai da
escolha de cada um. O professor usa a fala para ensinar. O cantor produz
músicas. E a fala também pode ser usada para ofender, para difamar, para
fazer intrigas.
Com a mediunidade, é a mesma coisa. Cada
médium emprega sua mediunidade de acordo com a sua vontade e a sua
consciência.
É evidente que, quando a mediunidade se
revela na vida de alguém através de fenômenos ostensivos, o raciocínio
iluminado pelo conhecimento espírita logo deduz: aquela pessoa escolheu
vir ao mundo com esta mediunidade para servir e auxiliar seus semelhantes,
do mesmo modo que quem via Mozart tocar piano aos cinco anos já sabia que
ele tinha nascido para a Música. Mas depende exclusivamente do médium
decidir se vai levar adiante este plano ou não, arcando com as
conseqüências do que decidir.
Agora: mediunidade é prova? Provas são
meios do Espírito progredir. Se entendermos que alguém pode progredir
espiritualmente usando sua faculdade mediúnica, podemos dizer que é uma
prova.
Mediunidade é missão? Pode até ser vista
como tal, como há pessoas que vêem no Magistério uma missão, ou na
Política (no bom sentido), ou no trabalho de promoção social.
Importa mesmo é não considerar a
mediunidade nenhuma espécie de ministério divino ou calvário
redentor. em nossa vida, ela se tornará aquilo que dela fizermos: uma
bênção para alívio da dor, uma fonte de esclarecimento a encarnados e
desencarnados, ou uma estrada de sofrimentos e comprometimentos
espirituais.
RITA FOELKER


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