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DOS COMPONENTES DE REUNIÕES
MEDIÚNICAS
Para maior segurança no exercício da
mediunidade e no trato com os médiuns e com os desencarnados que se
comunicam nas reuniões mediúnicas, é importante que não só ao dirigente
mas a todos os seus integrantes, conhecer, em linhas gerais, o que a
Doutrina Espírita nos ensina acerca da prática mediúnica. Assim procedendo
seremos mais úteis aos que nos procuram em busca de socorro espiritual,
aos desencarnados envolvidos em processos obsessivos, bem como a nós
mesmos, em virtude de nossas necessidades de aprimoramento e edificação
espiritual.
De todos os componentes das reuniões
mediúnicas pede-se um mínimo de requisitos indispensáveis ao êxito da
tarefa.
O dirigente, particularmente, é objeto
de assistência especial dos amigos espirituais, assistência essa que
cresce na proporção de seu preparo, dedicação, boa vontade e empenho em
reformar-se interiormente.
Responsável pelos esclarecimentos aos
Espíritos tendo forçosamente que lhe ocorrerem em determinados momentos da
tarefa, pormenores desconhecidos, quanto às necessidades dos comunicantes.
Requisitos essenciais dos
componentes de Reuniões Mediúnicas
a) Morais: Vivência
evangélico-doutrinária, esforçando-se por exemplificar a mensagem cristã.
b) Doutrinários: Estudo
evangélico e doutrinário; conhecendo pelo menos, os princípios básicos e
gerais da Doutrina, as obras da Codificação e subsidiárias, bem como ter
conhecimento das questões mediúnicas, do plano espiritual e de suas
relações com o mundo físico.
c) Qualidades: Autoridade
fundamentada no exemplo. Hábito de estudo e oração. Dignidade e respeito
para com todos. Afeição sem privilégios. Brandura e firmeza. Sinceridade e
entendimento. Conversação construtiva. Discrição e discernimento. Bondade
e energia. Preparação constante. Assiduidade e pontualidade. Fé
raciocinada.
d) Preparo: Estudo permanente
para saber sempre mais. Desenvolvimento da intuição. Cultivo do tato
psicológico, evitando atitudes e palavras violentas. Aliar raciocínio,
sentimento, compaixão e lógica.
e) Segurança: A Espiritualidade
Superior espera do dirigente o apoio fundamental da obra. Não lhe serão
exigidas qualidades superiores às do homem comum, mas, diante dos
desencarnados, dos médiuns e dos freqüentadores, as funções do dirigente
são semelhantes às de um pai de família, devendo dispensar a todos os
integrantes do conjunto a orientação e o amparo que um professor reto e
nobre cultiva perante os alunos.
Do trato com os espíritos
comunicantes
Na direção das reuniões, cultivar a
humildade e vigilância no trato com os médiuns, com os espíritos
comunicantes e com os freqüentadores em geral, encarnados e desencarnados,
observando sempre:
-
Não forçar a comunicação do espírito,
através deste ou daquele médium.
-
Deduzir, se possível, o sexo a que
pertenceu a entidade em sua última existência, visando uma elucidação
psicológica ideal.
-
Analisar, sem censura, os problemas de
animismo (do médium) ou de mistificação (por parte dos espíritos) agindo
criteriosamente.
-
Evitar, discutir, criticar, desprezar,
desafiar, impor, ridicularizar, magoar ou alongar-se demais no diálogo com
as entidades manifestantes.
-
Reconhecer que nem sempre pode ser
desfeito o processo obsessivo, de imediato, sem prejuízos para encarnados
e desencarnados.
-
Quando necessário e sob a assistência
dos dirigentes espirituais usar a hipnose construtiva, visando a
sonoterapia ou a projeção de quadros mentais para esclarecimento do
comunicante.
-
Embora respeitando a necessidade do
espírito de desinibição e desabafo, preservar sempre, a integridade do
médium e a dignidade do recinto.
-
Frente a idéias fixas, buscar atingir o
centro de interesses efetivos do espírito para que se lhe descongestione o
campo mental.
-
Generalizar o esclarecimento que se
proporciona às entidades, evitando, no entanto, dramatizar o problema de
qualquer um.
-
Em casos excepcionais, recorrer à
retrospecção mental, para auxiliar o esclarecimento da entidade sempre,
porém, sob a supervisão dos amigos espirituais e sob a proteção de prece.
-
Vazar a conversação em termos claros,
lógicos e edificantes, com paciência e apreço, evitando gírias,
pilhérias,ironia ou irreverência.
-
Solicitar a cooperação íntima de todos,
zelando pela boa ordem, harmonia e disciplina na reunião.
-
Atentar para a condição dos
comunicantes, a fim de auxiliá-los mais eficientemente (Espíritos
sofredores, que se comunicam pela primeira vez, reincidentes sistemáticos,
companheiros de nosso próprio passado espiritual, recém-desencarnados,
suicidas, malfeitores, sarcásticos, vampirizadores conscientes ou
inconscientes, religiosos, inconformados, etc.).
-
Ao usar termos como: espírito,
perispírito, desencarnado, evolução, livre-arbítrio, causa e efeito,
reencarnação, plano espiritual, médium, mediunidade e outros, explicá-los,
porque, comumente, os comunicantes não sendo espíritas, podem ignorar o
seu real significado.
-
Evitar expressões como: "você já
morreu" e outras, pois isso pode traumatizar e dificultar os
esclarecimentos ao comunicante. Este pode chegar à mesma conclusão, por si
mesmo, se o levarmos a analisar que os tempos são outros. Os costumes
mudaram, por exemplo, eles conversam com determinadas pessoas e esses não
os respondem. Entraram no recinto sem se utilizarem de portas ou janelas.
Notam a presença de outras pessoas desencarnadas e de cuja "morte" tinham
conhecimento, etc.
-
Quando o espírito se expressar por
outro idioma, lembrar-lhe de que basta emitir as imagens de seu pensamento
para comunicar as suas idéias. Se ainda assim encontrar dificuldades para
isto, pedir a sua aproximação, através de outro médium, para facilitar a
sua expressão de modo que todos possam entendê-lo.
-
Usar sempre a primeira pessoa do plural
(nós). De fato, nunca estamos sós na tarefa de esclarecimento doutrinário.
-
Jesus falou com autoridade aos
espíritos imundos. Nós não o podemos fazer. Assim, sejamos humildes,
aconselhando a exemplificação das virtudes que ainda estamos nos
esforçando por conquistar.
-
Respeitando sempre o livre arbítrio,
lembremo-nos de que Deus, Jesus e os espíritos superiores, aguardam
pacientemente a nossa renovação. Como impô-la aos outros? Respeito sem
compactuar com práticas exóticas ou conceitos errôneos.
-
É de pouca importância o nome que hoje
ostentam os espíritos comunicantes. Tratá-los sinceramente de irmãos.
-
Cultivando ainda reflexos dos
padecimentos que culminaram com a sua desencarnação, supliquemos em prece
a redução dos seus sofrimentos, com a intervenção de cooperadores
espirituais e sua condução a locais de recuperação.
-
Quando necessário, solicitar a outros
médiuns descrever o que percebem, colhendo assim, subsídios para maior
aproveitamento do Grupo, podendo, excepcionalmente, um guia se manifestar
para oferecer a sua ajuda mais direta no caso.
-
Evitar passes indiscriminados ou mãos
estendidas sobre o médium na hora da comunicação.
-
Evitar comentários do que se passa nas
reuniões, encarando com discrição os problemas de encarnados e
desencarnados.
-
Cada comunicante deve receber o
tratamento que corresponda aos seus sentimentos.
-
Conceder ao espírito o tempo necessário
para que ele exponha seus problemas e dificuldades a fim de que,
sentindo-lhe a necessidade, possa usar palavras e conceitos adequados.
-
Oferecer a intimidade fraterna aos
comunicantes, aplicando o carinho da palavra e o fervor da prece na
execução da enfermagem moral que lhe é necessária. A familiaridade estende
os valores da confiança. (Conduta Espírita - André Luiz - cap. 24).
-
Falar aos comunicantes perturbados e
infelizes, com dignidade e carinho, entre a energia e a doçura, detendo-se
exclusivamente no caso em pauta. Sabedoria no falar, ciência de ensinar.
(Conduta Espírita - André Luiz - cap. 24).
-
Em oportunidade alguma, polemizar,
condenar ou ironizar, no contato com os irmãos infelizes da
espiritualidade. A azedia não cura o desespero. (Conduta Espírita - André
Luiz - cap. 24).
-
Suprimir indagações no trato com
entidades infortunadas, nem sempre em dia com a própria memória, como
acontece a qualquer doente grave encarnado. A enfermagem imediata dispensa
interrogatório. (Conduta Espírita - André Luiz - cap. 24).
-
Há grande diversidade entre a tarefa de
doutrinar e evangelizar. Para doutrinar, basta o conhecimento intelectual
dos postulados do Espiritismo; para evangelizar é necessário a luz do amor
no íntimo. Na primeira, bastarão a leitura e o conhecimento: na segunda é
preciso vibrar e sentir com o Cristo. (O Consolador - perg. 237 -
Emmanuel).
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