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Manifestações Físicas
Espontâneas
É esta a denominação que Allan Kardec
dá aos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos (ruídos, pancadas,
lançamento de objetos, transportes, combustão espontânea etc.) que ocorrem
sem a participação consciente do próprio médium - ou seja, com seu
concurso, mas sem que ele os tenha desejado provocar.
De vez em quando, a imprensa noticia
acontecimentos como estes, como ocorreu no Fantástico do dia
19/05/96, mostrando o adolescente em torno do qual ocorriam fenômenos
bastante incômodos.
Estas pessoas, conquanto possuam mediunidade em certo grau, não têm
conhecimento de seu poder e, freqüentemente, não atribuem a si mesmas
qualquer participação nos fatos produzidos.
Aliás, por mais
surpreendentes que possam parecer, eles não indicam nenhum tipo de estado
patológico, não se trata de uma doença ou anormalidade. Indicam,
simplesmente, a existência de Espíritos e o seu desejo de se comunicarem
com os encarnados.
O meio que escolhem é que é, algumas
vezes, inoportuno, como no caso em questão, depende da aptidão do médium e
do objetivo pretendido.
No que diz respeito à aptidão,
existem médiuns mais aptos aos fenômenos de efeitos físicos que aos de
outro tipo (psicofonia, psicografia, etc.).
Em relação ao objetivo de acontecerem
estas coisas, de modo geral, as manifestações físicas espontâneas
objetivam, segundo O LIVRO DOS MÉDIUNS (Item 85), chamar nossa atenção
sobre alguma coisa, convencer-nos da presença de uma força superior à do
homem.
Quando os Espíritos Superiores
provocam efeitos físicos, fazem-no com este intuito e se servem, para
isso, de Espíritos inferiores, mais afinizados com a matéria.
Quando se trata de Espíritos pouco
elevados, a este objetivo pode estar ligado outro, mais particular,
relacionado ao Espírito perturbador e à pessoa ou ao ambiente visado, como
a diversão pura e simples, a vingança, o desejo de entrar em comunicação
com os encarnados. Um Espírito pouco elevado (não necessariamente mau)
pode estar apenas necessitado de preces, de ajuda ou de orientação.
Segundo Allan Kardec, o meio de fazê-lo parar é procurar saber o que ele
quer, por que motivo vem fazendo aquilo e tentar ajudá-lo.
Por outro lado, a prece, a manutenção
de pensamentos elevados, enfim, a ligação com os bons Espíritos, é o
melhor meio de afastar os realmente maus, mas exige perseverança e
paciência.
As manifestações físicas estiveram relacionadas ao próprio
surgimento da Doutrina Espírita, no século passado, quando Denizard
Hippolyte Léon Rivail teve sua atenção despertada para as chamadas
mesas girantes e passou a estudá-las (ver O LIVRO DOS ESPÍRITOS -
Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita).
No princípio, eram apenas movimentos
e pancadas, que poderiam ser explicados, talvez, pela ação de causas
materiais. Porém logo se verificou que os objetos respondiam a perguntas
formuladas, demonstrando que havia no movimento a ação de uma causa
inteligente.
Que causa seria esta, qual a sua
origem e sua finalidade foram temas que passaram a ocupar o pensamento do
Professor Rivail, que começou a estudá-los, levando-o às pesquisas e ao
trabalho de compilação e organização da Codificação Espírita, os cinco
livros que editou usando o pseudônimo de Allan Kardec.
As manifestações físicas espontâneas
não são raras, e embora as que atinjam um certo grau de intensidade acabem
virando notícia, elas sempre existiram nas mais diversas culturas e
receberam as mais diversas interpretações, desde a intervenção diabólica
até o magnetismo, ou o poder divino, ou as forças da mente.
Por mais insólitas que pareçam, são
fatos naturais, cujas leis o Espiritismo desvenda e estuda, oferecendo
explicações lógicas.
RITA FOELKER


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