MAL E BEM
Acautela-te
em pedir o favor do bem, porque muitas vezes a concessão que se nos afigura bem
nosso pode ser efetivamente o mal que arruína os outros.
Muitos
solicitam excessiva fartura em casa, esquecendo que o bem aparente da mesa lauta
é o mal da penúria entre os próprios vizinhos.
Criaturas
numerosas reclamam a bolsa farta, com absoluta despreocupação das necessidades
alheias, olvidando que os bens acumulados em seu nome produzem males sem conta
na economia daqueles que lhes respiram a experiência.
Lembra-te de
que há bens fugazes que geram males de longo curso, tanto quanto existem males
passageiros que asseguram bens sagrados e duradouros.
A alegria
ruidosa e insensata é um bem que, não raro, determina desastres de
conseqüências imprevisíveis, enquanto a dor paciente e humilde gera
bênçãos de sublimada expressão.
Muitos ferem
os outros, com a desculpa de preservar o bem próprio, criando largo cortejo de
males em derredor de si mesmos, quando apenas os que sabem receber no âmago do
peito os golpes do mal é que penetram, tranqüilos, na seara dos bens que a
vida entesoura a benefício dos que sabem vencer, vencendo, antes de tudo, a si
próprios.
Não te
enganes, desta forma, no câmbio ilusório da fortuna e da carência, do prazer
e da lágrima, da consideração e do menosprezo, ao jogo das aparências
terrestres.
Recorda que
a abastança de hoje pode ser a penúria de amanhã e que o domínio de agora
pode ser derrocada depois.
Sobretudo,
não troques o mal da provação transitória pelo bem da fuga desassisada, com
plena deserção do campo de luta, em que a Lei te situa os passos, porque
somente ao preço de tolerância e abnegação, nos males da sombra presente, é
que conseguirás, com justiça, entrar na posse dos bens que te esperam ao sol
do grande futuro.
DO LIVRO: Semeador em Tempos Novos
Pelo Espírito: Emmanuel
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
