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"JESUS SABIA..."

Passados foram mais de dois mil anos da mensagem de JESUS, e é sempre um encanto a sua interpretação. Nela há sempre algo a ser desvendado e dilatado o que não fora antes percebido.

Frente a Pilatos, o Divino amigo teve a oportunidade de afirmar, textualmente, que "Se meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui" (1).

Claro está que JESUS não referia, quando falou "minha gente" a um exército de homens, mas de Espíritos, a que nenhuma força humana, por mais poderosa que se possa imaginar, teria ou tem condições de vencer.

JESUS deixou-se imolar, porque havia a necessidade de tudo acontecer como foi profetizado, tanto que encontramos no Novo Testamento: "Estas palavras disse JESUS no lugar do tesouro, ensinando no templo, e ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora" (realçamos) (2).

Está bem explícito, na citação, o poder de JESUS, na qual ELE externa que somente estava deixando prender-se porque era essa a vontade do PAI. Não fosse, ELE disporia, como dispõe, de condições suficientes para resistir, pelos meios mais naturais possíveis, e não se deixaria aprisionar para sofrer a dor moral que sofreu.

As guerras na Terra têm um ganhador escolhido por DEUS, por Seus desígnios, senão seria o caos na evolução da criatura humana. Tivesse outro vencedor a 2ª grande guerra, desfrutaríamos o que nos cerca? Em geral, somente sabemos reclamar da vida, sem pararmos à análise de fatos tão flagrantes, demonstrando a soberania do mundo espiritual sobre o carnal, sobretudo a Providência divina.

Havia, como se deduz, um momento em que, após cumprir tudo quanto havia para ser feito, ELE se deixaria prender para o cumprimento das profecias que o apontavam como o Enviado. Nada obstante, não foi reconhecido como tal.

João Evangelista registrou o sacrifício a que seria submetido JESUS quando, em seu Evangelho , anunciou: " E JESUS lhes respondeu, dizendo; É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado" (3). Que significaria a expressão "ser glorificado"? Nada mais nada menos do que a sua prisão e crucifixão. Estes fatos haveriam de O colocar numa posição de tamanho destaque que dividiria a humanidade terrena, como dividiu, em duas épocas distintas: antes e depois dELE.

João, o discípulo que, em nosso entender, mais amou o Messias porque O entendeu, assinalou esta passagem de JESUS com Pedro, mostrando, definitivamente, que JESUS sabia o que lhe atingiria de forma tão amarga: "Mas JESUS disse a Pedro: Mete a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o PAI me deu?" (realçamos) (4). O cálice tem uma conotação toda simbólica, levando-nos à conclusão inapagável de que JESUS, com sua presciência, apanágio de um Espírito Puro, tinha certeza de que enfrentaria a ignorância humana, e que para ela sentia-se plenamente preparado.

O conhecimento do que LHE aconteceria é tão flagrante, que ELE chegou a determinar quantos dias antecedia o início de seu calvário: "Bem sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado"(5)

O registro de tais palavras de JESUS não poderiam penetrar o entendimento dos judeus, porque nem hoje o homem absorve, em seu intelecto, a significação profunda delas.

O grande poder de JESUS, a coroa de rei LHE cabe tão bem, justamente porque falava de uma realidade espiritual que somente o Espiritismo pode hoje mostrar vinte séculos depois, com meridiana clareza.

Somente a imagem simbólica de um rei espiritual que falou de um reinado moral poderia ser trazido por JESUS, numa demonstração eloqüente de que conhecia profundamente, como continua conhecendo, as reais necessidades da criatura humana, a principal dela a ignorância com relação à vida fora da matéria. Ninguém antes se mostrou suficientemente competente para falar sobre tal assunto.

Faz-se necessário continuarmos "nascendo de novo a fim de vermos o Reino de DEUS, como disse JESUS a Nicodemos, isto é, reencarnando, sucessivamente, para em realizando a nossa transformação interior, num processo lento mas contínuo, capacitarmo-nos moral/espiritual/intelectualmente para habitar mundos que mais parecem um "paraíso", fruindo um estado de bem-estar d'alma cuja condição de vida lá, simbolicamente, encontra-se na expressão entrar no "reino de DEUS".


(1) Novo Testamento João 8:36 - João Ferreira de Almeida
(2) idem ibidem 8:20
(3) idem ibidem 12:23
(4) idem ibidem 18:11 - João, como muitos entendem, não foi o discípulo mais amado por Jesus. Exatamente o contrário aconteceu: João foi quem mais amou a Jesus, porque O entendeu, percebeu a Sua missão divina e por isso mesmo O seguiu ao Gólgota, enquanto os demais ficaram de longe. Além do mais, e isto é muito importante, o AMOR de um Espírito Puro não se gradua. Ele apenas AMA. Jesus, desta forma, não poderia ter amado mais a um do que a outro de Seus seguidores.
(5) idem ibidem Mateus 26:2


ADÉSIO ALVES MACHADO
Escritor, Orador e Radialista.
Autor dos livros: Ser, Crer e Crescer - Elucidações Para uma Vida Melhor;
Diálogo com Deus - Preces de MEIMEI
e Verdades que o tempo não apaga, lançado recentemente. Para adquiri-los ligue:
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Formatação: Damião da Silva Leão