INIBIÇÕES MENTAIS
Embora o
advento do Cristianismo sobre a Terra, espalhando amor e paz nos corações
humanos, por muito tempo ainda, em favor da segurança e da ordem, não
poderemos prescindir da justiça, que rearticula as peças vivas da comunidade,
buscando recuperá-las para a harmonia.
Assim é que
o magistrado, à maneira do cirurgião competente, trata o organismo social,
usando o bisturi da lei para vazar a tumoração do vício, esvurmar as chagas
morais ou interferir em regiões cancerosas ou gangrenadas, impondo-lhes a
inevitável extirpação.
Por isso, o
delinqüente - como zona enfermiça que é preciso regenerar - sofre a
internação nas casas de socorro ou nos presídios adequados à pena que os
tribunais lhe cominam.
Nesse mesmo
critério, a alma que abusa da inteligência, transformando-a em laço escuro de
exploração inferior, a detrimento dos semelhantes, padece, em nova romagem
física, a prisão indispensável e justa, recebendo no cérebro doentio ou
imperfeito a redentora detenção de que necessita.
É desse
modo que vemos a idiotia e a loucura, a epilepsia e a obsessão garantindo
processos de cura espiritual, tantas vezes dolorosos à visão daqueles que
somente enxergam a existência da carne.
E é aí,
nesses calabouços de sombra, que todos nós, quando malfeitores do pensamento,
expiamos os delitos de lesa-fraternidade, não através de estagnação fria e
inútil, mas por intermédio da inibição e do sofrimento, que nos apressam o
reajuste.
Diante do
companheiro segregado em semelhantes grades mentais, exerce o santo dever da
caridade e da paciência, aprendendo na triste lição, sob teus olhos, que é
preciso usar a cabeça para o bem comum, mentalizando e agindo em termos de
compreensão e solidariedade, serviço e progresso de todos, a fim de que as
forças do mal não nos apaguem a lâmpada divina do discernimento e da razão,
a luz que Deus nos concede para os caminhos da Eternidade.
DO LIVRO: Semeador em Tempos Novos
Pelo Espírito: Emmanuel
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
