Gargalhadas ecoavam pela casa. Eram os
adolescentes, amigos do filho de Jaime que juntamente com o garoto se
divertiam com os novos jogos de vídeo game. Curioso com aquele alvoroço da
garotada, Jaime se dirigiu ao quarto onde estavam para ver qual o jogo que
lhes causavam tamanha excitação e alegria.
Qual não foi sua surpresa quando se deparou
com aquela triste cena; a garotada se divertia com um jogo que exaltava a
violência, onde tiros eram trocados e sagrava-se vencedor aquele que
conseguia massacrar seu oponente com o maior número de marcas no corpo. Cada
parte contava um ponto diferente: Tiro nos membros inferiores valiam 5
pontos, no peito 10 e na cabeça 15.
Diante daquele fato lamentável acontecendo
em sua própria casa, só restou a Jaime chamar a garotada para um bate papo
esclarecedor.
Fale-se da violência, esbraveja-se contra a
falta de segurança, todavia, a paz que trará segurança à todos começa
justamente dentro de nosso lar.
Há uma atividade cerebral denominada P300
que reflete o impacto emocional causado por uma imagem. Adolescentes que se
comprazem com games violentos têm uma diminuição dessa atividade, o que
colabora para a insensibilidade diante de imagens chocantes. O resultando
não é difícil de prever: Os jovens acostumam-se com a violência como se
fosse ela algo normal.
Criaturas que trazem uma tendência belicosa
tendem a acentuar essa característica se convivem livremente com agressões e
violências das mais diversas formas, mesmo que seja em jogos aparentemente
inocentes.
Não pode haver diversão onde espalha-se
sangue , mesmo que seja nas telas do computador, televisão ou cinema.
Por isso há que refletir no que estamos
permitindo chegar à nossos filhos. Jogos violentos que retratam tiros
trocados, lutas onde o vencedor é aquele que massacra com rudes golpes seu
adversário, filmes onde o herói mutila dezenas de pessoas, transmitem ao
jovem um espírito de animosidade que pode acompanhá-lo em toda a existência.
Isso colabora para que se criem pessoas
prontas ao ataque, e não apenas ao ataque corporal que se exprime na
agressão física, mas também ao ataque das palavras, onde machuca-se com a
crueldade das criticas ferinas, ou ao ataque intelectual, onde procura-se
subjugar os outros impondo o medo, a duvida e semeando a desesperança
através da fácil articulação de idéias.
Bem... Esses apontamentos poderão ser
contestados, inclusive com estudos e pesquisas que contradizem o que estamos
afirmando, ou seja, os jogos violentos não geram atitudes agressivas.
Alguns dirão ainda que o cerne do problema
da violência vai muito além disso, e que há coisas muito mais importantes à
considerar, como: Desigualdade social, Educação e o próprio comportamento
violento dos pais que muitas vezes agridem toda a família. Porém, não creio
que apreciar a violência, mesmo que virtual, possa trazer algum benefício à
alguém.
No mais, há muitas coisas sadias e
instrutivas que podem divertir os adolescentes, ao mesmo tempo que
sedimentam valores nobres em suas almas.
Cabe então aos pais e educadores de um modo
geral, avaliar essa questão e ver o que preferem transmitir à seus
tutelados.