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É importante observar que, pelas próprias limitações dos seres humanos, nem sempre a rotina do centro espírita reflete exatamente o espírito da Filosofia Espírita. Apesar da Doutrina Espírita não conter fórmulas e rituais específicos, às vezes, as pessoas tentam criá-los ou importá-los das religiões das quais provêm ou com que simpatizam. Apesar da Doutrina valorizar a espontaneidade e a sinceridade, alguns centros adotam padronizações de comportamento, especialmente em se falando do passe e do intercâmbio mediúnico, que se transformam em rituais pela força do hábito. Cada pessoa tem um forma toda própria de expressar seus sentimentos, e a isto se chama espontaneidade. Quando esta forma reflete um modo de pensar e sentir, ela é válida e importante, pois é a maneira de manifestar um estado interior. O problema da padronização é que ela esvazia a forma, acabam-se repetindo padrões sem se entender o seu significado e, logo, deixa de haver sinceridade. O resultado são falas e gestos maquinais, o pensamento distante, quando o Espiritismo nos diz que, na verdade, o pensamento é tudo. Por exemplo para se receber o passe, algumas pessoas acham que devem descruzar braços e pernas. Se uma ou outra pessoa se sente bem em fazer isto, não há porque impedi-la. Sua atitude expressa um modo de sentir e pensar e é, portanto, legítima, se bem que possa ser ela oportunamente esclarecida a este respeito. O que não é aceitável é que o centro estabeleça este tipo de regra, porque a Doutrina não é formalista, e porque o fato de nos sentarmos de um jeito ou de outro não influi na transmissão fluídica, a qual se baseia exclusivamente na ligação mental. É lógico que esta espontaneidade precisa levar em conta a ordem, o bom senso e a disciplina, e não se defende, em seu nome, nenhuma espécie de abuso ou exagero. Mas grandes são as desvantagens da padronização de comportamento, que cristaliza o aprendizado da Doutrina, na medida em que prescreve normas, às vezes, irracionais, que não têm cabimento, sobretudo, no Espiritismo, onde a fé se fundamenta (ou deve fundamentar-se) sobre as bases da razão. Doutrina Espírita mesmo é a que está nas obras de Allan Kardec. Prática espírita, portanto, é a que delas se depreende, seja por recomendação expressa do Codificador ou dos Espíritos que as transmitiram, seja por dedução lógica dos seus princípios. O mais são peculiaridades, opiniões, idiossincrasias, rituais, padrões, preferências pessoais, ou o que quisermos, menos Espiritismo. Tudo isto continuará a existir, onde existirem seres humanos, porque temos esta característica intrínseca de colocar nosso modo de ser em tudo que fazemos. Entretanto, o esclarecimento nos principais aspectos da Doutrina é fundamental, para que não se confunda o que é opinião particular, o que é jeito pessoal, e o que é prática espírita genuína. RITA FOELKER
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