FADIGA E JUGO
Observemos a
criatura que, em se julgando vaidosamente livre, se rendeu às sugestões
arrasadoras da cólera...
Mobilizando
a independência de que se crê detentora, para simplesmente abusar, espalha, em
torno da própria senda, raios sinistros de perturbação e de morte, criando
para si mesma causas obscuras de frustração e aniquilamento.
Se houver
ferido o companheiro da estrada, sem dúvida, complicará o próprio roteiro,
disseminando aflição e amargura que se voltarão, fatalmente, sobre o ponto de
origem, infligindo-lhe angústia e insegurança, a se expressarem nos mais
estranhos processos de enfermidade.
Se tiver
lacerado seres queridos, decerto terá formado no próprio templo doméstico
braseiros de incompreensão e discórdia a lhe incendiarem a alma, por longo
tempo.
E se houver
chegado, impensadamente, às raias do crime, condenar-se-á naturalmente à
enxovia, com que a justiça do mundo lhe ferreteará o coração, segregando-a
à distância da liberdade.
No símbolo,
reconhecemos nossas fadigas de espíritos milenares, enquistados na treva de
nossas próprias fraquezas...
Supondo-nos
exonerados do dever de auxiliar e compreender, amparar e servir, admitimos que o
mundo deveria surgir como ribalta de nossos próprios caprichos, acabando
humilhados e ensandecidos, sob as algemas cármicas do resgate que a vida nos
impõe ainda hoje, em dolorosos processos de sofrimento.
Entretanto,
se nos atemos ao julgo leve do Cristo, eis que todo o painel se reajusta e
renova, porque, então, voluntariamente submissos ao cumprimento de nossas
obrigações, entenderemos por fim que, segundo Jesus, perder é ganhar, e
escravizar-se alguém à felicidade dos outros é adquirir a própria
libertação para a Vida Imperecível.
DO LIVRO: Semeador em Tempos Novos
Pelo Espírito: Emmanuel
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
