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SOMENTE DEUS TEM O DIREITO DE
DISPOR DA VIDA HUMANA
Chamou-me a atenção o
caso de Terri Schiavo, uma mulher da
Flórida-EUA que permanecia em estado
vegetativo há 15 anos e que foi
desconectada do tubo que a alimentava,
depois de um intenso debate entre seus
familiares, o governo americano e os
tribunais. Segundo especialistas, ela pode
levar até duas semanas para morrer, sem
alimentação.
O que preocupa é que
muitos médicos revelam que eutanásia é
prática habitual em UTIs do Brasil, e que
apressar, sem dor ou sofrimento, a morte de
um doente incurável é ato freqüente e,
muitas vezes, pouco discutido nas UTIs de
hospitais brasileiros..
Apesar da Associação de Medicina Intensiva
Brasileira negar que a eutanásia seja
freqüente nas UTIs, existem aqueles que
admitem razões mais práticas, como a
necessidade de vaga na UTI para alguém com
chances de sobrevivência, ou a pressão, na
medicina privada, para diminuir custos.
Nos conselhos
regionais de medicina, a tendência é de
aceitação da eutanásia, exceto em casos
esparsos de desentendimentos entre
familiares sobre a hora de cessar os
tratamentos. Médicos e especialistas em
bioética defendem, na verdade, um tipo
específico de eutanásia, a ortotanásia, que
seria o ato de retirar equipamentos ou
medicações que servem para prolongar a vida
de um doente terminal. Ao retirar esses
suportes de vida, mantendo apenas a
analgesia e tranqüilizantes, espera-se que a
natureza se encarregue da morte.
Por definição a
palavra eutanásia vem do grego, significando
"boa morte" ou "morte apropriada". O termo é
de Francis Bacon que, em 1623, em sua obra
"Historia vitae et mortis", a definiu como
sendo o "tratamento adequado as doenças
incuráveis". Diversas são as expressões
utilizadas como sinônimas , podendo ser
citadas “boa morte”, “suicídio assistido”,
“eutanásia ativa”. O seu antônimo é “distanásia”
que, por sua vez, vem a ser a utilização dos
meios adequados para tratar uma pessoa que
está morrendo. Baseada em valores
humanitários, em que a ética médica visa a
prolongação da vida, em seu máximo possível.
Para alguns médicos a
palavra eutanásia ficou estigmatizada, e as
pessoas têm medo de usá-la. Destarte, crêem
necessário que uma legislação estabeleça
critérios e condutas éticas para uma morte
sem sofrimento. Porquanto a morte é um
preço que merece ser pago para o alívio da
dor consoante atesta um professor de
ética da Faculdade de Medicina de uma
importante Universidade brasileira, para ele
deve-se aceitar a eutanásia em situações de
doenças incuráveis, uma vez que "A
tendência é de não manter a vida a todo
custo”.
A eutanásia vem
suscitando controvérsias nos meios
jurídicos, lembrando, no entanto, que a
nossa Constituição, através do Direito Penal
Brasileiro é incisivo e conclusivo:
constitui assassínio comum.
Nas hostes médicas, sob o ponto de vista da
ética da medicina, a vida é considerada um
dom sagrado e portanto, é vedada ao médico a
pretensão de ser juiz da vida ou da morte de
alguém. À propósito é importante deixar
consignado que a Associação Mundial de
Medicina, desde 1987, na Declaração de
Madrid, considera a eutanásia como sendo um
procedimento eticamente inadequado.
No aspecto
moral ou religioso, sobretudo espírita,
lembremos que não são poucos os casos de
pessoas desenganadas pela medicina oficial e
tradicional que procuram outras alternativas
e logram curas espetaculares, seja através
da imposição das mãos, da fé, do magnetismo,
da homeopatia ou propósitos de mudanças
comportamentais. Não são poucos os casos de
criaturas com quadros clínicos de doenças
incuráveis e desenganados em que o
magnetismo posto em atividade pela imposição
das mãos conseguiu modificar o diagnóstico
médico e restabelecer o campo celular.
Allan Kardec indaga aos Benfeitores
espirituais se homem tem o direito de dispor
da sua própria vida e os Espíritos
esclarecem que
somente
Deus tem esse direito.
Ninguém tem
o direito de tirar uma vida, somente a Deus
cabe esta decisão. A eutanásia é uma forma
de interromper uma expiação daquele espírito
que sofre como paciente terminal. Seus
parentes pensando que estão aliviando suas
dores, solicitam a eutanásia, mas é um ledo
engano, pois estão praticando um crime
contra a vida e não consideram que os
sofrimentos morais são maiores que os
sofrimentos materiais e este espírito deve
resgatar suas dívidas.
Emmanuel explica que
por trás dos olhos baços e das mãos
desfalecidas que parecem deitar o último
adeus, apenas repontam avisos e advertências
para que o erro seja sustado ou para que a
senda se reajuste amanhã.
E ante o leito da doença mais difícil e mais
dolorosa brilha o socorro da Infinita
Bondade facilitando, a quem deve, a
conquista da quitação. Não
desrespeites, assim ,quem se imobiliza na
cruz horizontal da doença prolongada e
difícil, administrando-lhe o veneno da
morte suave, porquanto, provavelmente,
conhecerás também mais tarde o proveitoso
decúbito indispensável à grande meditação.
.Não cabe
ao homem, em circunstância alguma, ou sob
qualquer pretexto, o direito de escolher e
deliberar sobre a vida ou a morte de seu
próximo, e a eutanásia, essa falsa piedade
atrapalha a terapêutica divina, nos
processos redentores da reabilitação. Para
os espíritas sabemos que a agonia prolongada
pode ter finalidade preciosa para a alma e a
moléstia incurável pode ser, em verdade, um
bem. Nem sempre conhecemos as reflexões que
o espírito pode fazer nas convulsões da dor
física e quantos tormentos lhe podem ser
poupados em um relâmpago de arrependimento.
A eutanásia
interrompe o processo depurativo da
enfermidade, impondo ao doente crônico
sérias dificuldades inclusive no retorno ao
plano espiritual. Ademais, os familiares que
buscam tal recurso, “piedoso” na realidade,
encontram-se apenas e indevidamente ansiosos
por libertar-se do compromisso e da
responsabilidade de ajudar, sustentar e amar
seu ente querido.
À rigor, o
câncer é o meio de expungir as trevas que
povoam o coração, impedindo-lhe maior
entendimento da vida. A paralisia e a
loucura, o pênfigo e a tuberculose, a
idiotia e a mutilação, quase sempre,
funcionam por abençoado corretivo, em
socorro do espírito que a culpa ensandeceu
ou ensombrou na provação expiatória. Desta
forma, respeitemos a dor como instrutora das
almas e, sem vacilações ou indagações
descabidas, amparemos quantos lhes
experimentam a presença constrangedora e
educativa. Lembrando sempre que a nós
compete tão somente o dever de servir,
porquanto a Justiça, em última instância,
pertence a Deus que distribui conosco o
alívio e a aflição, a enfermidade, a vida e
a morte, no momento oportuno.
O
verdadeiro cristão porta-se sempre em favor
da manutenção da vida e de respeito em
relação aos desígnios de Deus, buscando não
só minorar os sofrimentos do próximo (sem
eutanásias, claro!), mas também, confiar na
justiça e na bondade divina, até porque nos
Estatutos de Deus não há espaço para a
injustiça.
Xavier, Francisco Cândido. Religião
dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed.
FEB, 1999
Artigo gentilmente cedido por
Jorge
Luiz Hessen
Servidor público Federal, Expositor Espírita na região de Brasília e
Goiás,
Articulista das Revistas "Reformador", "O Espírita" e "Brasília
Espírita "
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