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O dominador deixa-se influenciar,
talvez sem o perceber, pelo dominado; as leis que chamamos de "ação
e reação" são implacáveis nesse terreno; o ignorante sente prazer na
opressão, porque desconhece os recursos do oprimido no ato
reversivo.
O submisso segue como o boi que
aceita a canga no pescoço, e puxa o carro em que o senhor se
assenta. O dominante, contudo, por sua vez, tem obrigações múltiplas
para com aqueles que lhe servem como servos.
Um país traça leis para que se
respeitem, e com isso cria deveres para com seus filhos. O pai é o
chefe do lar e a ele se apega pelos sentimentos com obrigações da
mantê-lo. Um apurado estudo nos leva à conclusão de que toda
influência também é influenciada.
Um comandante expede ordens para
os seus subalternos, e esses o prendem em seu posto. Os milicianos,
em muitos casos, são obrigados a legarem a própria vida para
sustentar a honra do comando. Um general não pode temer perigo
algum, para que se firme, cada vez mais, a moral da tropa.
O dominador, pelo sentido da
palavra, deixa transparecer que não pode viver só. Quem sente a
ansiedade pela posse, torna-se escravo da propriedade.
Quem pretende amar, exigindo
amor, fica na dependência do sacrifício. É uma dívida que pode lhe
custar muito caro.
Tanto o Santo, quanto o Sábio,
dão de si mesmos, sem esperar dádivas. Pois, são conscientes que, na
proporção em que ofertam, receberão oferendas.
As leis da justiça estão
presentes dentro e fora de nós, sem que deixem passar um til no
trato com os merecimentos.
Até o domínio próprio tem certos
limites, para que não nos tornemos prisioneiros de nós mesmos. É bom
que entendamos quando os clarins ressoam, anunciando a hora de
conhecermos mais um pouco da verdade, para que uma liberdade maior
possa conduzir-nos.
Cada dia é dia de colocarmos as
mãos no arado, sem que nossa visão intente ver o que se passa, pois,
sendo ele mau, correremos o perigo de esmorecer; e, sendo muito bom
estaremos sujeitos à vaidade.
E a vaidade pior é aquela que
esquece a ajuda dos outros.
Que somente fala do EU, e lembra,
mas se faz esquecida do NÓS.
Eu mando, é prepotência que
arruína a amizade.
Eu fiz, é indigesto para os que
ajudaram a fazer.
Eu dei ordens, é sinal fechado
para amor.
Eu não quero, é recusa da
experiência alheia.
Eu não posso, é porta fechada,
para quem confia em nós.
E ainda mais, o tom da palavra
pode melhorar ou piorar essas condições.
Pelo Espírito: CARLOS
Psicografia: JOÃO NUNES MAIA
Do livro: TUAS MÃOS |