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"Haveis
aprendido o que foi dito aos Antigos: Vós não matareis, e todo
aquele que matar merecerá ser condenado pelo julgamento. Mas eu vos
digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão merecerá
ser condenado pelo julgamento; que aquele que disser a seu irmão
Racca, merecerá ser condenado pelo conselho; e que aquele que lhe
disser: Vós sois louco, merecerá ser condenado ao fogo do inferno".()
Allan Kardec admoesta que por
essas máximas, Jesus faz da doçura, da moderação, da mansuetude, da
afabilidade e da paciência uma lei: condena, por conseguinte, a
violência, a cólera e mesmo toda expressão descortês com respeito ao
semelhante.()
A Câmara Federal aprovou dia 06/jul/2005
o Projeto de Decreto Legislativo 1274/04, que autoriza a realização
de referendo sobre a comercialização de armas de fogo a civis
em todo o território nacional. Para quem não sabe, o referendo
público é o endosso da população a uma decisão que precisa ser
tomada, no caso sobre a comercialização de armas. A consulta vai
ocorrer no primeiro domingo do mês de
outubro do corrente ano.()
Seria o desarmamento da população
a solução para a redução da criminalidade no país? Alguns dos mais
variados setores da sociedade defendem a manutenção do comércio
legal de armas de fogo aos cidadãos que necessitarem, por algum
motivo, justificando que todos têm direitos a possuir, nos limites
da Lei, uma arma de fogo para se defenderem de qualquer atentado à
incolumidade física do indivíduo, sua vida, seu patrimônio etc. Os
defensores dessa tese criticam os diversos projetos de lei, em
trâmite no Congresso Nacional, que visam à proibição total do
comércio legal de armas de fogo no país.
Entretanto, uma pesquisa de
opinião revela que muita gente é a favor da proibição da venda de
armas de fogo para civis no País. Um levantamento realizado pelo
Instituto Brasmarket a pedido do jornal Diário do Grande ABC
mostrou que, se o referendo fosse realizado hoje, 81,6% da população
da região do ABC de São Paulo votaria pelo fim da comercialização de
armas.
André Luiz em Conduta Espírita
avisa: Esquivar-se do uso de armas homicidas, bem como do hábito
de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o
processo em que se exprimam. Pois o servidor fiel da Doutrina
possui, na consciência tranqüila, a fortaleza inatacável.()
A maior influência maléfica
identificada no homem contemporâneo é a angustia social, provocada
pela estratificação de classes. Nela deparamos desde o miserável ao
abastardo, criando uma subdivisão da raça humana. E muitas dessas
distorções sociais provocam uma instabilidade psíquica ou uma
incompletude emocional do ser pensante. Cremos que a criminalidade
tem seus fulcros na desigualdade social, no elevado índice de
desemprego, na urbanização desordenada e, de modo destacado, na
difusão incontrolada da arma de fogo, sobretudo clandestina,
situações essas que contribuem de forma decisiva para o aumento do
crime. Consterna-nos saber que o Brasil é um dos líderes mundiais em
casos de mortes produzidas com a utilização de armas de fogo,
destarte, a sociedade clama por soluções efetivas para o problema da
violência urbana. E, por forte razão, cremos que ser falsa a
segurança oferecida pelas armas, especialmente considerando o
potencial de alto risco do uso da arma por familiares não
habilitados, que podem causar efeitos danosos irreparáveis na vida
doméstica do cidadão de bem.
Percebemos a rejeição que sofrem
os excluídos sociais em face da ganância ao dinheiro que tem
atingido patamares inimagináveis. Estarrece-nos a voracidade da
busca do sexo onde são remetidos os atormentados nos pântanos da
indigência moral. A cada dia sucumbem muitos jovens e adolescentes,
que são comercializados para o mercado do tráfico de armas,
algemados nos ambientes regados por alucinógenos e profunda
violência, onde são perpertrados crimes inconcebíveis sob o estímulo
da miséria moral e da obsessão . Atualmente muitas pessoas hesitam
em sair nas ruas por causa dos assaltos e seqüestros relâmpagos que
têm ocorrido a todo instante. Muitos vivem sob o guante da síndrome
das balas perdidas.São momentos de inquietudes e instabilidade
geral, só no Brasil existem entre 15 a 30 milhões de pessoas com
transtornos mentais, com neuroses e índices acentuados de demência e
várias psicoses.
Os animais irracionais, ainda que
bípedes e mamíferos, somente atacam para saciar fome ou manterem-se
vivos, sempre em estado de defesa, e na maioria das vezes para
preservação de sua própria espécie. Não existem dados científicos
demonstrando que os animais irracionais em algum momento tenham
tentado a autodestruição, como ocorre na raça humana. Alguns definem
o homem como um autômato, uma maquina, composto de engrenagens
complexas, dinâmicas, harmoniosa e que pode ao mesmo tempo ser
contraditório. Essa contraditoriedade pode remeter o homem a fugir
dos padrões sociais e arroja-lo numa alienação.()
Os espíritas cônscios acreditam,
obviamente, que uma das soluções para a criminalidade seria a
proibição da venda de armas de fogo em todo o território nacional,
ressalvada a aquisição pelos órgãos de segurança pública federal e
estadual, municipal e pelas empresas de segurança privada
regularmente constituída, na forma prevista em Lei. A Pátria do
Evangelho é grande produtora de armas (contrastando com o
compromisso espiritual) por isso cremos que proibir sua
comercialização no mercado interno é prática inadiável, porque o
problema seria atacado diretamente em sua origem.()
Cremos ser o investimento de recursos em armamentos inútil e
desnecessário.
Para alguns observadores a
delinqüência, a perversidade e a violência fluem, abundantes, dos
campos das guerras sujas e cruéis, engendradas pela necessidade da
moderna tecnologia em libertar os países superdesenvolvidos do
excesso de armamentos bélicos e dos equipamentos militares
ultrapassados. Contrariamente, o desarmamento geral será uma prática
de eficiência administrativa sem prejuízo algum, pois haverá
desinteresse em conflitos internos e externos devido à possibilidade
da convivência amigável em comunidade local ou global, implementado
inclusive pela competitividade saudável no trabalho, mas com
respeito ao semelhante.
Contudo, também não
somos tão ingênuos de pensarmos que a restrição (proibição) do uso
de armas de fogo equacione definitiva e imediatamente o problema.
Sabemos que a arma pode ser substituída por outras, talvez não tão
eficientes. Na ausência de estrutura da aparelhagem repressora e
preventiva do Estado, as armas de fogo continuarão chegando às mãos
dos indivíduos descompromissados com o bem e fazendo suas vítimas.
Por isso, urge meditar que devemos aprender a
desarmar, antes de tudo, nossos espíritos e isto só se consegue pela
prática do amor e da fraternidade. As leis e a ordem impostas à
sociedade como resposta à exigência coletiva são bem-vindas e
necessárias, mas muito melhor será quando todos souberem amar e
fazer ao próximo o que desejaria que lhe fizessem, pelo menos
respeitar seus direitos, sobretudo o mais fundamental como o direito
à vida e nesse contexto o ensinamento espírita em seu arcabouço
filosófico e religioso ou ético-moral é o instrumento por excelência
decisivo na transformação social.
Nesse panorama a mensagem do
Cristo é o grande edifício da redenção social, que haverá de
penetrar em todas as consciências humanas como um dia penetrou, no
desprendimento de Vicente de Paulo, na majestosa solidariedade de
irmã Dulce, na bondade de Chico de Assis na suprema dedicação de
Teresa de Calcutá, na humildade de Chico Xavier e na não-violência
de Mohandas Karamchand
Gandhi, o
Mahatma da Índia.
O homem iluminado interiormente pela flama
cristã da certeza quanto à sobrevivência do Espírito ao túmulo e da
sua antecedência ao berço, sabendo-se herdeiro de si mesmo,
modifica-se e muda o meio onde vive, transformando a comunidade que
deixa de a ele se impor para dele receber a contribuição expressiva,
retificadora.()
Para a mudança da panorâmica social, necessitamos alimentar a
compaixão sem pieguismos, cultivar generosidade que começa na arte
de doar coisas para culminar no dom de doar-nos ao próximo. Fazer
alguma coisa boa que ninguém saiba a favor de um inimigo.
Aprendermos a orar e meditar e na conseqüência soltarmos o estóico
clamor como nas
palavras de Paulo aos gálatas "eu vivo, mas já não sou eu que
vivo, pois é Cristo que vive em mim" ()
expressando nossa adesão total ao projeto de Jesus pala paz.
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