Os determinantes do suicídio patológico estão nas
perturbações mentais, depressões graves, melancolias, desequilíbrios
emocionais, delírios crônicos. Algumas pessoas nascem com certas desordens
psiquiátricas tal como a esquizofrenia e o alcoolismo, o que aumenta o risco
de suicídio. Há os processos depressivos onde existem perdas de energia
vital no organismo, num processo de desvitalização, ocorrendo interferência
em todo mecanismo imunológico do ser.
Sob o ponto de vista sociológico o suicídio é um ato que
se produz no marco de situações anômicas()
em que os indivíduos se vêem forçados a tirar a própria vida para evitar
conflitos ou tensões inter-humanas, para eles insuportáveis. Émile Durkheim
registra que a causa do suicídio quase sempre é de matriz social ou seja, o
ser individual é abatido pelo ser social. Absorvido pelos valores (sem
valor) como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a
necessidade de não perder, de ser o melhor, de não falhar, o homem se afasta
de si e de sua natureza. Sobrevive de “aparências” para representar um
"papel social" como protagonista do meio. E, nesta vivência neurotizante,
ele deixa de desenvolver sua potencialidades, não se abre, nem expõe suas
emoções e se esmaga na intimidade.
Há estudos que indicam que de 30 a 40% da população
mundial irão ter depressão, pelo menos, uma vez ao longo da vida, mormente
na juventude. Até porque o jovem sofre muito por não conseguir entender, nem
se sentir entendido. Muitas vezes a sociedade se revela para ele, como
referência de amarguras e instabilidade. Deste modo, age e sente de
forma volúvel e nem sabe porque. E se sente vazio em si e muito só.
Destarte, passa facilmente do riso às lagrimas, da alegria à tristeza. E da
tristeza, muitas vezes à depressão. Que se instala, devoradora, silenciosa e
perversa. E o emudece, o. asfixia, sobrevindo a irritabilidade constante, o
cansaço, o desânimo; as idéias de inutilidade e por fim o suicídio.
Geralmente inconsciente de que “de todos os
desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles pela sua
característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de
suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto
dos homens, sem a luz da misericórdia”.[1]
O autocídio significa o ponto alto da
insatisfação, representa uma solução desesperada para fugir da depressão. O
"self" de quem se suicida sente-se naquele momento fragilizado a
ponto de ser dominado pelo instinto da morte.
Até 70% das pessoas que cometem suicídio tinham sofrido
de um distúrbio bipolar (maníaco-depressivo) ou um distúrbio do humor ou de
exaltação/euforia (mania) desaguando numa depressão severa no período que
antecedeu suas mortes. . O suicídio pode ocorrer tanto na fase depressiva
como na fase de mania, sempre conseqüente do estado mental. A Doutrina
Espírita esclarece que “o pensamento delituoso
é assim como um fruto apodrecido que colocamos na casa de nossa mente. A
irritação, a crítica, o ciúme, a queixa exagerada, qualquer dessas
manifestações, aparentemente sem importância, pode ser o início de
lamentável perturbação, suscitando, por vezes, processos obsessivos nos
quais a criatura cai na delinqüência ou na agressão contra si mesma.”[2]
Um indivíduo quando perde a capacidade de se amar, quando
a auto-estima está debilitada, passa a ter dificuldade de manter a saúde
física, psíquica e somática. André Luiz cita nas suas obras que “os
estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos que são
unidades de força psicossomáticas, que se localizam nas mitocôndrias. A
mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do
nosso organismo, através dos bióforos. Ela funciona ora como um sol
irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do
nosso organismo, e ora como tempestades, gerando raios e faíscas
destruidoras que desequilibram o ser, . principalmente em atingindo as
células nervosas.
Á rigor, não existe pessoa "fraca" a ponto de não
suportar um problema, que ele julga, de certa forma, demasiado para si. O
que de fato ocorre é que esta criatura não tem força de mobilizar a sua
vontade própria para enfrentar os desafios. Joanna de Angelis assevera que o
“suicídio é o ato sumamente covarde de quem
opta por fugir, despertando em realidade mais vigorosa, sem outra
alternativa de escapar”.[3]
O mais grave é que o suicida acarreta danos ao seu
perispírito. Quando voltar a reencarnar, além de enfrentar os velhos
problemas ainda não solucionados, terá acrescido a necessidade de reajustar
a sua lesão perispiritual. Portanto, adiar dívida significa reencontrá-la
mais tarde com juros somados com cobrança sem moratória. Na questão 920 do
Livro Espíritos registra que a vida na Terra foi dada como prova e expiação
e depende do próprio homem lutar com unhas e dentes para ser feliz o quanto
puder amenizando as suas dores.[4]
Além de sofrer no mundo espiritual as dolorosas
conseqüências de seu gesto o suicida ainda renascerá com todas as seqüelas
físicas daí resultantes, e terá que arrostar novamente a mesma
situação-provacional que a sua pouca fé e distanciamento de Deus não lhe
permitiu o êxito existencial.
Certamente não cometeriam o autocídio se os que querem se
matar soubessem que após o ato “o que [ocorrerá] é o choro
convulso e inconsolável dos condenados que nunca se harmonizam! O que
[ocorrerá] é a raiva envenenada daquele que já não pode chorar, porque
ficou exausto sob o excesso das lágrimas! O que [ocorrerá] é o
desaponto, a surpresa aterradora daquele que se sente vivo a despeito de se
haver arrojado na morte!O que [ocorrerá] é
a consciência conflagrada, a alma ofendida pela imprudência das ações
cometidas, a mente revolucionada, as faculdades espirituais envolvidas nas
trevas oriundas de si mesma! É o inferno, na mais hedionda e dramática
exposição (...)”·[5]·.
Na Terra é preciso ter tranqüilidade para viver, até
porque não há tormentos e problemas que durem para sempre. Recordemos que
Jesus nos assegurou que " Pai não dá fardos mais pesados que nossos
ombros" e "aquele que perseverar até o fim, será salvo"[6].
Ante o impositivo da Lei da fraternidade devemos orar
pelos que se mataram, compadecendo-nos de suas dores, sem condená-los. Até
porque "Todos os suicidas, sem exceção, lamentam o erro praticado e são
acordes na informação de que só a prece alivia os sofrimentos em que se
encontram e que lhes pareciam eternos."
[7]
Tenhamos pois piedade dos que fugiram da vida pelas
portas falsas do suicídio, pois eles carecem do amor, da graça e da
misericórdia de Deus reveladas pela cruz, morte e amor de Jesus Cristo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1]
_________, Francisco Cândido, O Consolador, Ditado pelo Espírito
Emmanuel RJ: Ed. FEB - 13ª
edição pergunta 154
[2]
Mensagem extraída do livro “PACIÊNCIA”, de Emmanuel; psicografado
por Francisco Cândido Xavier
[3]
Franco, Divaldo, Momentos de Iluminação, Ditado pelo Espírito Joanna
de Angelis, RJ: ed. FEB.
[4]
Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2002, pergunta
920
[5]
Pereira, Yvonne Amaral, Memórias de um Suicida, RJ: Ed FEB, 1975,
Vale dos Suicidas
[7]
INNOCÊNCIO, J. D. Suicídio. REFORMADOR, Rio de Janeiro, v. 112, n.
1.988, p. 332, nov. 199