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CHICO XAVIER - O HOMEM
Nascido em um lar humilde, a 2 de Abril
de 1910, na cidade de Pedro Leopoldo-MG, foram seus pais João
Cândido Xavier e Dona Maria João de Deus; ele, cambista (vendedor
de bilhete de loteria) e ela de afazeres domésticos.
Aos cinco anos
de idade Chico Xavier assiste o falecimento de sua mãe, a qual,
momentos antes, confia o menino à sua madrinha, Dona Rita. Esta,
por ser muito nervosa, segundo a bondade de Chico Xavier, não
tem para com o pequeno órfão o afeto que o menino mais tarde encontraria
em Dona Cidália, a segunda esposa de João Cândido Xavier.
Dona Rita aplicava no menino,
diariamente uma surra com vara de marmeleiro, o que lhe causava,
é óbvio, dores horríveis. Aquela senhora tinha um filho adotivo,
seu sobrinho - o Moacir. Um dia apareceu umas feridas no pé do
menino; uma vizinha ensina para Dona Rita uma "simpatia infalível"
para que tais feridas sejam curadas: numa sexta-feira mandar uma
criança lamber as ditas feridas. Não resta dúvida que o Chico
foi o escolhido para tal "simpatia". Mais tarde Chico Xavier,
em entrevista, conta que sua mãe auxiliou-o na cura das feridas.
Aos nove anos
de idade Chico consegue empregar-se em uma Fábrica de Tecelagem,
graças às boas recomendações do virtuoso Vigário Scargelli, seu
confessor, do qual Chico Xavier até hoje guarda imenso carinho
e inapagável gratidão.
Além do trabalho
na Fábrica, Chico estuda no Grupo Escolar "São José", levantando-se
às seis horas da manhã, pois às sete inicia as tarefas escolares.
O serviço na fábrica inicia às 15 horas e o término é às 23 horas.
O trabalho era
por demais exaustivo e Chico se vê obrigado a deixar aquele emprego
e vai trabalhar no estabelecimento comercial do Senhor José Felizardo
Sobrinho, onde o serviço iniciava às seis horas da manhã até às
oito da noite. No referido estabelecimento o jovem Chico Xavier
executava vários serviços - escrituração, faxina, até mesmo cuidar
das hortaliças. Devido seus afazeres e a necessidade de auxiliar
o pai, Chico se vê obrigado a abandonar os estudos antes mesmo
de concluir a quinta série do antigo primário.
Anos mais tarde,
quando Chico Xavier já era funcionário do Ministério da Agricultura,
alguém lhe diz que seu ex-patrão, José Felizardo Sobrinho, havia
falecido após muitos anos de enfermidade e vicissitudes, inclusive
informa-o da falência total de seu estabelecimento. Chico Xavier
pergunta a que horas seria o sepultamento.
- Creio que vão
sepultá-lo a qualquer hora, como indigente, em caixão doado pela
Prefeitura, isto é, no rabecão.
Chico fica meditativo
e diz o seguinte:
- Por gentileza,
faça-me um favor: vá à casa em que desencarnou o Senhor José e
peça para aguardarem. Vou ver se consigo um caixão, mesmo barato.
Após avisar seu
chefe que iria chegar com um certo atraso à repartição, Chico
sai de porta em porta, pedindo a caridade de um auxílio para comprar
um caixão para sepultar seu extinto amigo. Pouco tempo depois,
toda cidade de Pedro Leopoldo tinha conhecimento do fato e todos
correram ao encontro do Chico na nobilíssima iniciativa. Até mesmo
um cego, por vulgo NEGO, que vivia de esmolas públicas, foi ter
com o Chico dizendo_lhe: "-Tenho aqui um dinheirinho que me deram
ontem..." E deixou nas laboriosas mãos do Chico alguns trocados.
Chico olhou aqueles olhos mortos e sem luz e viu neles muitas
lágrimas. Chico abraçou o NEGO e disse-lhe: "- Obrigado, meu amigo.
Que Jesus abençoe seu sacrifício..."
Ninguém deve
esquecer que o menino Chico teve um grande período de infelicidade
em sua infância, pois além de ver-se na orfandade materna aos
cinco anos, o menino não teve em Dona Rita, sua madrinha, o necessário
afeto. Mais que isso: aquela senhora batia constantemente no menino,
mormente quando este dizia ver e ouvir as pessoas já falecidas.
Acreditando que o menino estava com o "diabo no corpo", a madrinha
lhe introduzia garfos na pele para afastar o "astuto".
Até que um dia
o senhor João Cândido Xavier, pai de Chico, resolve casar novamente.
A noiva, a jovem Cidália, impôs uma condição ao viúvo: aceitaria
casar, mas somente se o noivo reunisse todos os filhos para os
dois cuidarem de sua criação.
Quando o pequeno
Chico foi trazido à D. Cidália, esta pergunta para o Chico se
ele sabia quem era ela, no que o menino responde, candidamente:
"-A Senhora é um anjo bom que minha mãe mandou..." Realmente,
Dona Cidália foi um anjo para Chico. Espírito sublimado pela renúncia
e pela bondade doou aos filhos de João, amor e ternura de Mãe.
Mas aos dezessete
anos de idade, Chico assiste, com profunda tristeza, a desencarnação
de sua segunda mãezinha, que momentos antes pediu ao jovem amparar
todos os seus irmãos, ao que Chico atendeu-a, sempre, pois naquele
momento e para toda sua existência, Chico Xavier sentiu-se um
chefe de família.
Antes de desempenhar
as funções de datilógrafo no Ministério da Agricultura, Chico
foi até mesmo faxineiro, e como tal teve que limpar escarradeiras,
em uso naquela época.
DO LIVRO: Chico Xavier - O
Homem, o Médium, o Missionário
AUTOR: Antônio Matte Noroefé
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