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Foi-nos sugerido escrever um
texto sobre sexo, casamento e celibato e debruçamos sobre os temas
com forte ênfase voltada para reflexões da energia sexual ou da
libido
, com isso, estamos falando de nossos desejos, de nossas sensações
prazerosas, de nossa compreensão sobre a maneira como sentimos e
lidamos com as questões que envolvem essas energias.
Antes de quaisquer arrazoados
sejam arrojados ou tíbios evocamos Emmanuel quando recorda que
em torno do sexo, será justo
sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes: Não
proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno,
com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas
controle. Não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é
teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a
experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer
e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se
fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a
aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto
pertinente à consciência de cada um.
Cremos que os problemas
recorrentes sobre o sexo antes do casamento formal, por exemplo, não
estão nas questões do certo e do errado ou se é permissível ou não
fazer isto ou aquilo. No estágio moral que nos encontramos, e
cientes de que temos o livre arbítrio, os problemas fundamentais são
de outra ordem e grandeza, como nos ensina ainda Emmanuel “quem
estude os conflitos de sexo, na atualidade da Terra, admitindo a
civilização em decadência, tão só examinando os absurdos que se
praticam em nome do amor, ainda não entendeu que os problemas do
equilíbrio emotivo são, até agora, de todos os tempos, na vida
planetária”.
A sexualidade como expressão de amor
está ligada, de forma irreversível, ao poder e à posse. Mais
do que isso, o amor validado pela sexualidade, acaba se tornando uma
espécie de afeto espacial-geográfico. Eu gosto tanto mais do outro
quanto mais eu possuo alguma coisa dele. Todavia, o amor representa
a liberdade, e não o inconseqüente sentimento de posse. É a lei de
atração e de todas as harmonias conhecidas, sendo a força
inesgotável, que se renova sem cessar e enriquece ao mesmo tempo
quem dá e quem recebe.
Os Espíritos ensinam que o
estado de natureza é o da união livre e fortuita dos sexos.
O casamento constitui um dos primeiros atos de progressos nas
sociedades humanas. O casamento
será sempre um instituto benemérito, acolhendo, no limiar, em aromas
de alegria, paz e esperança aqueles que a vida aguarda para o
trabalho do seu próprio aperfeiçoamento e perpetuação. A
abolição do casamento seria regredir à infância da humanidade e
colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o
exemplo de uniões constantes. Destacando-se, porém, que a
indissolubilidade absoluta do casamento é uma lei humana muito
contrária à da Natureza. Mas os homens podem modificar suas leis; só
as da Natureza são imutáveis.
Há quem chega a esse exagero de
manifestar propósitos relacionados com a extinção ou abolição do
casamento, como se tratasse de costume desnecessário. Enganam-se os
que assim pensam. Claro que a construção da felicidade real
não depende do instinto sexual satisfeito. A permuta de células
sexuais entre os seres encarnados, garantindo a continuidade das
formas físicas em processo evolucionário, é apenas um aspecto das
multiformes permutas de amor. Importa reconhecer que o intercâmbio
de forças na constituição do lar não só permite a reencarnação dos
Espíritos e, conseguintemente, resgate de faltas do passado, como
representa a célula da família universal, unidade primeira da
educação espiritual.
Temos a convicção que os
casamentos são sempre acertados, ou melhor, preparados na vida
espiritual, em face dos desacertos, abusos, crimes ou incontinência
moral praticados em encarnações anteriores. De modo que os Espíritos
comprometidos com a lei divina, no passado, reencarnam com o fim de
reparar esses males que envolveram, até mesmo, os que virão depois
na condição de filhos.A Doutrina explica que há casamento de
amor, de fraternidade, de provação, de dever, de missão e de
interesse puramente sexual. Em verdade a experiência do casamento é
muita sagrada, não só a experiência do casamento, mas toda a
experiência do sexo, por afetar profundamente a vida mental.
Portanto toda a experiência sexual da criatura que já recebeu alguma
luz do Espírito é acontecimento de enorme importância para si mesma
porque afeta profundamente a vida da alma.
Engana-se quem supõe que a
normalidade sexual, consoante as respeitáveis convenções humanas,
possa servir de templo às manifestações afetivas. O campo do amor é
infinito em sua essência e manifestação.”
Urge afastar às aberrações e aos excessos; contudo, é
imperioso reconhecer que todos os seres nasceram no Universo para
amar e serem amados”.Contudo, muitos fogem do casamento e optam
pelo celibato
voluntário o que não representa um estado de perfeição meritório aos
olhos de Deus. E, os que assim optem, por egoísmo, desagradam a
Deus e enganam o mundo, exceto quando feito para o
bem. Quanto maior o sacrifício, tanto maior o mérito.
Portanto, o celibato em si mesmo, não é um estado meritório, exceto
quando essa renúncia às alegrias da família é praticada em prol da
humanidade. Uma vez que todo sacrifício pessoal, tendo em vista o
bem e sem qualquer idéia egoísta, eleva o homem acima da sua
condição material.
Na manifestação do amor,
certamente encontramos a sexualidade. No entanto não podemos dizer
que na sexualidade está presente o amor. O mal não está em que nós
a aceitemos; o mal consiste em quase todos abusarem dessa
experiência. Lembrando que o sexo reside na mente, a expressar-se
no corpo espiritual e conseqüentemente no corpo físico, por
santuário criativo de nosso amor perante a vida, e, em razão disso,
ninguém escarnecerá dele, desarmonizando-lhe a forças, sem
escarnecer e desarmonizar a si mesmo.
Enorme porcentual de espíritos encarnados na Crosta da Terra, de
mente fixa na região dos movimentos instintivos, concentram suas
faculdades no sexo, do qual se derivam naturalmente os mais vastos e
freqüentes distúrbios de ordem emocionais e psicológicos.
No dias atuais a desagregação
familiar é resultante de um fenômeno eminentemente materialista,
veiculada, sobretudo, pelos vários segmentos da mídia. Quando à
indução aos consumismos, desde os produtos mais básicos até aqueles
que incentivam as fantasias sexuais, têm sido extremamente
valorizados; a religiosidade, a fé, a esperança cedem terreno,
diminuindo profunda e sensivelmente a nossa capacidade de suportar
as aflições cotidianas. Destarte, urge higienizemos nosso reduto
doméstico com o teor vibratório do nosso pensamento elevado, pois
existem bacilos psíquicos que produzem tortura sexual, oriundos da
insustentável sede febril de prazeres inferiores, e nesse
ponto, o aguilhão da
consciência, guardião da probidade interior, o adverte
[pensamento]
e sustenta; mas, muitas vezes se mostra impotente diante dos
sofismas da paixão.
O
aguilhoamento às excitações mentais em torno das energias sexuais
não é problema que possa ser equacionado por sociólogos, médicos
psicólogos a agir no campo exterior: É problema da alma, que exige
atitude individual de soerguimento e cura, e sobre esta situação só
o espírito solucionará nos escrínios do tribunal da própria
consciência. Até porque o sexo é tesouro excelso em
que o lar é refúgio santificante, lembrando, porém, que o amor e
o sexo plasmam responsabilidades naturais na consciência de cada um
e que ninguém lesa alguém nos tesouros afetivos, sem dolorosas
reparações.
Um professor jesuíta da Universidade de Harvard, o padre
Fischler, descobriu que 92% do clero norte-americano sugeria
que os sacerdotes pudessem escolher livremente se queriam
ser casados ou solteiros. Outro sacerdote e psicoterapeuta,
o padre Sipe, revelou que só 2% desse clero cumprem o
celibato; 47% o fazem ''relativamente''; e 31,5% vivem uma
relação sexual, das quais um terço homossexual. Diante
disso, vários bispos têm solicitado que se elimine o
celibato para o clero latino, já que o oriental - inclusive
o ligado a Roma - não tem essa obrigação e é, normalmente,
casado. Até mesmo o Concílio Vaticano II louvou o sentido
espiritual do sacerdote casado do Oriente, in A obscura
história do celibato clerical, Extraído - Correio
Braziliense E. Miret Magdalena , teólogo disponível no site
http://www.cacp.org.br/cat_celibato.htm , acesso
em 19/06/2005
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, São Paulo:
IDE, 1984, item 7, no
Cap. XVII.
Artigo gentilmente cedido por
Jorge
Luiz Hessen
Servidor público Federal, Expositor Espírita na região de Brasília e
Goiás,
Articulista das Revistas "Reformador", "O Espírita" e "Brasília
Espírita " |