Diz o ditado popular:
“Aqui se faz, aqui se paga”
Trocando em miúdos, é o mesmo que a lei de
causa e efeito.
Porém, quando se fala em pagar, quitar
débitos, sejam de reencarnações anteriores ou mesmo da atual, o que vem em
mente é: Sofrimento, tortura, tristeza sem fim.
Criou-se essa cultura de que pagar é
sofrer.
Contudo, a realidade vai distante disso e
muitas vezes estamos quitando nossos chamados “débitos”, de maneira suave,
gostosa, diria até que imperceptível.
Sim amigo leitor, para “pagar dividas”não
precisamos necessariamente sofrer. Deus, Pai de Infinita Bondade, nos
concede pagamentos á prazo, freqüentemente utilizando nossas habilidades,
nossas aptidões como instrumento de nossa própria libertação, ou seja, ao
mesmo tempo que quitamos débitos, colaboramos com o semelhante,
desenvolvemos potencialidades, aprendemos e ainda sentimos prazer com tudo
isso.
É o dinamismo do universo a concorrer para
nossa felicidade!
A grande questão está em que algumas
pessoas vivem com os olhos focados em problemas, daí provém que muitos
consideram a existência pesada, densa, taciturna.
E as provas em suas bocas logo tornam-se
carmas, explodindo em frases do tipo:
-
Meu cônjuge é um carma!
-
O que fiz em outra reencarnação para
merecer tanto sofrimento!
Com uma visão dessa certamente pagar ou não
pagar débitos será sempre uma sensação penosa, porque se enxerga a vida de
forma penosa.
E chega a ser engraçado como alguns vêem
méritos no fato de sofrer: Aquele que muito sofreu certamente muito pagou e
muitas venturas irá conseguir – Conclamam, justificando o sofrimento alheio,
ou quem sabe até o próprio.
Não é bem assim. Em O Evangelho segundo o
espiritismo, CAP V – Bem Aventurados os Aflitos – o Espírito Lacordaire, dá
a seguinte mensagem intitulada Bem e Mal sofrer:
18. Quando o Cristo disse: "Bem-aventurados
os aflitos, o reino dos céus lhes pertence", não se referia de modo geral
aos que sofrem, visto que sofrem todos os que se encontram na Terra, quer
ocupem tronos, quer jazam sobre a palha. Mas, ah! poucos sofrem bem; poucos
compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino
de Deus. O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos
falte coragem. A prece é um apoio para a alma; contudo, não basta: é preciso
tenha por base uma fé viva na bondade de Deus. Ele já muitas vezes vos disse
que não coloca fardos pesados em ombros fracos. O fardo é proporcional às
forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem. Mais opulenta
será a recompensa, do que penosa a aflição. Cumpre, porém, merecê-la, e é
para isso que a vida se apresenta cheia de tribulações.
O militar que não é mandado para as
linhas de fogo fica descontente, porque o repouso no campo nenhuma ascensão
de posto lhe faculta. Sede, pois, como o militar e não desejeis um repouso
em que o vosso corpo se enervaria e se entorpeceria a vossa alma.
Alegrai-vos, quando Deus vos enviar para a luta. Não consiste esta no fogo
da batalha, mas nos amargores da vida, onde, às vezes, de mais coragem se há
mister do que num combate sangrento, porquanto não é raro que aquele que se
mantém firme em presença do inimigo fraqueje nas tenazes de uma pena moral.
Nenhuma recompensa obtém o homem por essa espécie de coragem; mas, Deus lhe
reserva palmas de vitória e uma situação gloriosa. Quando vos advenha uma
causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponde-vos a ela, e, quando
houverdes conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do
desespero, dizei, de vós para convosco, cheio de justa satisfação: "Fui o
mais forte."
Bem-aventurados os aflitos pode então
traduzir-se assim: Bem-aventurados os que têm ocasião de provar sua fé, sua
firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus, porque terão
centuplicada a alegria que lhes falta na Terra, porque depois do labor virá
o repouso. - Lacordaire. (Havre, 1863.)
Em suma amigo (a) leitor (a), o mérito reside justamente
na forma que encaramos os embates da vida, eis porque um motivo mais que
imediato para que encaremos o “Quitar Débitos” de maneira positiva, as
aflições de forma serena, as injurias de maneira sensata, a vida de forma
entusiasmada.
O sucesso existencial não está baseado na intensidade do
sofrimento, mas sim, na forma como o encaramos.
Coragem pois, para que a existência seja de vitória sobre
o pessimismo, enfim, vitória sobre nós mesmos.
Pensemos nisso!