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Desamparo, mendicância, crianças
abandonadas, doentes sem assistência médica e psicológica, velhos
desabrigados forma todo um contingente de irmãos necessitados de
sobrevivência material/moral/espiritual.
O número sempre crescente de
cristãos/espíritas vive sensibilizado pela dor alheia, sentindo em
si a dor do semelhante, fazendo suas as lágrimas por ele derramadas.
Ele, o espírita, é parte desta coletividade, e o que ela sente, o
atinge doridamente; não pode ser de outra forma.
Muitas vezes passa pela nossa
cabeça cristã o desejo de encontrar uma solução imediata para essas
situações envolvendo irmãos e irmãs em humanidade, quando a todos
desejamos a felicidade relativa que o mundo pode, apenas oferecer.
Criar uma nova casa assistencial,
dotá-las das melhores condições para abrigar crianças e idosos,
expressando a vivência da legítima caridade, leva ao candidato
cristão/espírita a pensar, falar e realizar assistência social.
Estão sempre sendo abertas aqui e
ali obras assistenciais respeitáveis, com capacidade de aliviar
muita dor e sofrimento, que aflige os menos dotados de recursos
amoedados.
Quem se aproxima do Espiritismo
logo compreende a necessidade de acercar-se do trabalho de
assistência ao próximo, sem o que sua atuação de espírita fica em
débito com a própria consciência, ainda mais quando logo compreende
a significação da frase que é um verdadeiro slogan da Doutrina
Espírita: "Fora da caridade não há salvação". Podemos aditar que não
há mesmo!
Seres pensantes que somos,
precisamos ter sempre em mente que até os impulsos nobres, partindo
do coração, claro, merecem de nós todo um cuidado observador, ampla
consideração e detalhado exame.
O espírita, reencarnacionista por
excelência, sabe que a dor não bate, jamais, em porta errada, sabe
sempre o endereço certo, para lá se encaminhando na primeira
oportunidade, porque a lei de ação e reação a impele,
inexoravelmente, procurando fixar nos painéis mentais da criatura
comprometida, sua responsabilidade diante da circunstância infeliz
por que passa.
O espírita procura conciliar o
que estuda e ouve na doutrina que o abençoa, levando-o a mergulhar
fundo nas causas do sofrimento do semelhante, nele vendo e sentindo
um irmão carente. Visita-o sempre mentalmente, com isso ilumina-se,
interiormente.
Há aqueles que exteriorizam toda
uma feição espírita, sem, no entanto, movimentar-se pelo caminho da
caridade de forma segura, o que evidencia uma falta de convicção nos
postulados religiosos esposados.
Precisamos ser espíritas e nos
olharmos como tais, dessa maneira aproveitando a oportunidade de
desfrutamento de uma doutrina tão transformadora em todos os
aspectos espirituais.
Ser espírita é ter por hábito a
fidelidade ao dever, o respeito às tarefas dos outros, é ser
portador de discrição e sinceridade, mostrar-se um cultivador da fé
inabalável e da humildade, com tolerância às falhas alheias, é saber
cultivar a fraternidade e a solidariedade, mesmo que possa perceber
a conspiração do mal que poderá atingi-lo. Nessas horas renuncia às
ambições,alegra-se espontaneamente e enche o coração de esperança e
renovação, acreditando que tudo quanto for seu a si virá, segundo a
Vontade Soberana do PAI.
Assistência social e filantropia
nunca serão deixadas de lado, pelo contrário, serão sempre um lábaro
a tremular no céu dos corações espiritistas.
O Espiritismo tem por objetivo a
estruturação moral do homem, tendo sido esta a grande iniciativa de
JESUS, que procurou o mais possível cercá-lo pelas legítimas
verdades evangélicas, as quais induzem amorosamente às manifestações
do amor a si mesmo e ao próximo, o que redundará no amor ao CRIADOR.
Joanna de Ângelis é bem clara e
sugestiva quando conceitua a vivência do Espiritismo com assistência
social e esta com aquele, porque, em verdade, não pode haver essa
doutrina, entregue a nós por JESUS com muita lágrima, sangue e dor,
sem aquela que é a sua base indestrutível e a sua complementação - a
caridade.
Somos permanentemente chamados a
sermos hoje melhores do que ontem, e amanhã melhores do que hoje,
introjetados que todos estamos no processo evolutivo que nos levará
à perfeição espiritual.
Sendo tudo aqui exposto levado em
consideração, chega-se infalivelmente à conclusão que nós espíritas
precisamos estudar de forma eclética as várias angulações da
existência, a fim de encontrarmos as origens da vida no seu aspecto
global, para que, só desta maneira, nos entreguemos a um trabalho de
apoio a nós mesmos, fortalecendo-nos pela renovação, e apresentando
sempre um índice crescente de melhoras morais/espirituais, a todo
instante.
O Espiritismo ao mesmo tempo que
ampara o presente, o agora, estimula a busca mais amena, mais feliz
do futuro, proporcionando meios e recursos ao homem vivamente
interessado pela sua reforma de comportamento e de valores.
Jamais abandonemos um trabalho de
assistência material, no entanto, a assistência moral e espiritual
possui transcendental importância, tem total primazia em nossas
vidas, pelo fato dela poder resistir a toda intempérie
característica do nosso mundo.
Sabemos da resistência que se
encontra nas fileiras espiritistas, quando se insinua a busca do
estudo, do aprendizado priorizando a doação material. Esta expressão
da caridade não tem existência real, sem estudo, compreensão
doutrinária, único e infalível meio para nos situarmos
harmonicamente dentro da vida.
Pensarão muitos, afervorados que
se acham ao preceito básico do Espiritismo -fazer o bem-, que essa
prática não deve ser trocada pelo impositivo do estudo.
Acontece que, no nosso
entendimento, a verdadeira reunião de tratamento que poderá chegar à
cura total, é a de estudos doutrinários. Freqüentando-a, o candidato
ao desfrute de saúde e de bem estar moral/espiritual, passará a
conhecer o porquê da vida, a causa de suas dores e das dores
alheias, capacitando-se desta forma para uma existência mais feliz.
Conhecer a raiz da doença não é a primeira e principal iniciativa de
todo médico ao receber seus pacientes?
Na assistência social não devemos
esquecer a necessidade de converter corações ao bem, ao trabalho, ao
controle emocional, ao conhecimento mediante o estudo, à pureza de
sentimentos, sem os quais o carente social não se revestirá de
fortaleza interior para novo rumo imprimir à sua vida.
Certa mulher untou os pés de
JESUS com perfume de rara fragrância, sendo advertida por Judas. Que
fosse o dinheiro gasto no perfume aplicado na prática da caridade
material aos pobres. Não percebia o equivocado apóstolo que, aquela
mulher transformada pela palavra de JESUS, já vivenciava o nobre
sentimento da gratidão. Possivelmente ouvira falar da cura dos dez
leprosos, quando só um voltou para agradecer.
Apoio: Autora Espiritual De Ângelis,
Joanna, livro "Dimensões da Verdade", páginas 49 a 52, psicografia
de Divaldo P. Franco, Livraria Espírita Alvorada - Editora.
ADÉSIO ALVES MACHADO Escritor, Orador e Radialista. Autor dos livros: Ser, Crer e Crescer - Elucidações Para uma Vida Melhor;
Diálogo com Deus - Preces de MEIMEI e Verdades que o tempo
não apaga, lançado recentemente. Para adquiri-los ligue:
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