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No Jornal
do Brasil, de 27 de outubro de 1989, Dom Boaventura
Kloppenburg, bispo de Novo Hamburgo/RS, escreve: O
pensamento reencarnacionista pode ser compendiado em
alguns pontos:
1 - Pluralidades das existências terrenas (já vivemos
várias vezes em vários corpos na Terra),
2 - Progresso contínuo para a perfeição não se admitindo
retrocesso na evolução,
3 - Conquista da luz por méritos próprios em cada
existência física a alma avança na medida dos seus
esforços,
4 - À medida que evolui, a alma assumirá um corpo mais
sutil e menos material.
Escreve, ainda, o bispo: Segundo a teoria da
reencarnação, a alma deve reencarnar por dois motivos:
para expiar suas faltas de vidas anteriores e para
progredir até a perfeição.
Depois dessa eloqüente demonstração de conhecimento
sobre o tema, o religioso arremata: A unicidade da vida
humana na Terra está na revelação cristã, uma vez que
Paulo escreve aos Hebreus (cap.9:3) "está ordenado que o
homem morra uma só vez e depois disso é o julgamento..."
e prossegue em seu discurso: basta meditar os textos dos
Evangelhos para constatar que Jesus, quando fala desta
nossa atual vida, costuma atribuir-lhe um valor decisivo
para toda a existência posterior à morte.
Taxativamente, Kloppenburg, conclui: Não há
reencarnação, graças a Deus. (!!??)
Lembramos ao bispo que, ao contrário da sua assertiva
"justificadora", Jesus ensinou que "é preciso nascer de
novo" (João,cap.3:7) e, para os espíritas, as palavras
do Cristo se sobrepõem a quaisquer outras. Sobre o
documento evocado pelo clérigo, urge refletir que: A
carta aos hebreus não possui o preâmbulo e o
endereçamento característico de Paulo de Tarso em todas
as suas epístolas. O autor, em suas 29 (vinte e nove)
citações do Velho Testamento, usa a tradução grega.
Paulo, por ter sido fariseu, era mais familiarizado com
o texto hebraico e dele se utilizaria, principalmente
para os hebreus. O estilo da carta é suave e, portanto,
longe do enérgico estilo que Paulo imprimia em suas
missivas e pregações.
Digamos que Paulo tenha esquecido seu estilo e escrito a
carta. Nela, nada trata sobre a unicidade das
existências ou, pelo menos, não faz defesa dessa idéia.
Portanto, a frase evocada pelo bispo Boaventura não tem
a significação que lhe quer dar, porque seria uma
insensatez escrever uma carta tão longa, com o objetivo
de combater a pluralidade das existências e, somente em
uma única frase "perdida", referir-se àquilo que deseja
defender. Outro deve ser, portanto, o sentido da frase.
Analisemos, pois, os trechos evangélicos com os olhos de
ver e cientificaremos que o Cristo falou muito em
reencarnação:
"Os discípulos, certa vez, perguntaram-Lhe: por que
dizem os escribas, que é mister que Elias venha
primeiro? Ensinou Jesus -Elias virá primeiro e
restaurará todas as coisas. Mas ele já veio e não o
conheceram...Então, entenderam os discípulos que lhes
dissera isto de João Batista"(Mateus,cap.17:10a13) Sobre
isso, vejamos o que diz Malaquias (cap.4:5e6): "Vou
mandar-vos o profeta Elias, antes que venha o grande e
terrível dia do Senhor.....E ele converterá o coração
dos pais para os filhos e vice-versa de modo que não
ferireis mais de maldição a terra".
"Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher não
surgiu outro maior que João Batista e o menor do reino
celestial é maior que ele"(Mateus,cap.11:11) "porque
todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se
quiserdes dar crédito, é este o Elias que havia de vir.
Quem tem ouvidos de ouvir que
ouça"(Mateus,cap.11:13a15).
"Chegando às portas de Cesarea de Felipo, interrogou
seus discípulos, dizendo: quem dizem os homens que sou
eu, o Filho do Homem? E eles responderam: uns dizem que
és João Batista, outros, Elias, e outros Jeremias ou um
dos profetas"(Mateus,cap.16:13e14).
"Disse-lhe Ele: e vós, quem dizeis que eu sou? E Simão
Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho de
Deus vivo... E Jesus disse-lhe: bem-aventurado és tu,
Simão Barjonas... (Mateus,cap.16:15a17)
Pela resposta dos discípulos, compreende-se que os
judeus acreditavam na reencarnação e julgavam que Cristo
tivesse sido um dos profetas. Caso contrário, não
poderiam falar daquele modo e, nesse caso, Jesus,
inclusive, nada disse que lhes contrariasse a suposição.
"E ao passar, viu Jesus um homem que era cego de
nascença. Seus discípulos lhe perguntaram: Mestre, que
pecado cometeu este homem ou cometeram seus pais para
que nascesse cego? Respondeu-lhe o Cristo: Nem ele
pecou, nem pecaram os seus pais; isto assim é para que
nele se manifestem as obras do poder de Deus"
(João,cap.9:1a3). Será que os discípulos pensavam que
aquele homem, cego de nascença, "pecou" no ventre da
mãe???
Em Mateus (cap.19:28), a palavra 'reencarnação' acha-se
claramente expressa, vejamos: "em verdade vos digo que
vós que me seguistes na reencarnação ( traduzida como
regeneração para os evangélicos e renovação para os
católicos) cada vez que o filho do homem se sentar no
trono de sua glória sentareis também vós sobre doze
tronos para julgamento das tribos de Israel". Se
compararmos essa tradução com as demais que têm por aí,
cientificaremos a omissão ocorrida pelo tradutor da
Vulgata, que, certamente, por falta de fidedignidade,
provocou a omissão, para provar que o Cristo nunca falou
em reencarnação. No entanto, se consultarmos o original,
em grego, veremos a palavra En Tei Paliggenesian como
termo comum aos pitagóricos, para designar reencarnação.
"Havia um homem entre os fariseus, por nome Nicodemos,
senador dos judeus. Numa noite, foi falar com Jesus e
disse-lhe: Ninguém pode fazer o que fazes, se Deus não
estiver presente. Jesus respondeu: Não pode ver o reino
celeste, senão aquele que renascer. Nicodemos perguntou:
Sendo velho pode o homem retornar ao ventre de sua mãe?
Não admireis o que vos digo porquanto é preciso nascer
de novo....." (João,cap.3:1a4 e7).
Por que nascem crianças com sérios distúrbios congênitos
como hidrocefalia, síndrome de down, sífilis, hemofilia,
esquizofrenia, AIDS e/ou graves cardiopatias? Na
reencarnação, identificamos a Justiça Divina, corrigindo
tiranos, suicidas, homicidas, viciados e libertinos de
toda espécie, em vidas passadas.
A reencarnação é o mais legítimo mecanismo de aplicação
dos Códigos de Deus. Com ela, também compreendemos as
diferenças individuais, que a muitos têm desafiado,
tornando explicáveis as intrincadas perquirições, quanto
a crianças superdotadas, idéias inatas, tendências
artísticas e culturais, instintos para virtudes e
vícios, etc., mas que teimam sem respostas, ante os
açodados argumentos psicopedagógicos. Por essa razão,
não raro, encontramos crianças e jovens, portando um
patrimônio moral e intelectivo, impossível de se
adquirir em uma só existência física.
Pelo exposto, convidamos o respeitável sacerdote para
refletir sobre a oportuníssima e genial frase inscrita
no túmulo de Kardec: "Nascer, viver, morrer, renascer
ainda, progredir sempre, tal é a lei". |