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As nações, freqüentemente, lutam para ter ou manter o controle de matérias
primas, suprimento de energia, terras, bacias fluviais, passagens marítimas e
outros recursos ambientais básicos. "Esses conflitos tendem a aumentar à medida
que os recursos escasseiam e aumenta a competição por eles".(1) O desenfreado
modelo econômico, predominantemente consumista, é uma das barreiras que impedem
a consciência ambiental.
Atualmente, nem é preciso ter o dom da profecia, para se fazer uma projeção
sobre o triste cenário do futuro do nosso Planeta. Temos consciência de que
estamos na iminência de desastres ecológicos, de conseqüências imprevisíveis, em
face da rota de colisão entre o homem e a Natureza.
Por que somos tão ingratos para com a Natureza, que trabalha sem cessar em nosso
favor, oferecendo-nos recursos ilimitados, esquecendo-nos de que ela, também,
como nós, ama, sofre e se revolta? Senão, vejamos: recentemente vimos, no Sul do
Brasil, ciclones com um cortejo de tragédias. Nos EUA, os furacões vão
estremecendo as estruturas da sociedade americana, a exemplo do Katrina. Na
Europa, e em outras partes da Terra, observamos o verão cada vez mais
incandescente, causando incêndios em várias florestas do Orbe, sem precedentes
na História.
Mister se faz que respeitemos a Natureza, e, sobre isso, Emmanuel esclarece: "A
Natureza é sempre o livro divino, onde a mão de Deus escreveu a história de sua
sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem
evoluindo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos".(2) Já
percebemos que o nosso Planeta Terra está num processo acelerado de aquecimento
e solicita medidas urgentes! O relatório da comissão que estuda as mudanças
climáticas, da ONU (Organização das Nações Unidas), é sombrio: "Até o fim do
século, três de cada dez espécies de seres vivos desaparecerão do Planeta, e a
vida humana será profundamente afetada".(3)
Segundo o Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa, 2005 foi o ano que
registrou o mais alto grau de temperatura na superfície terrestre, desde o
início dos registros climáticos modernos, em 1890, "provavelmente o mais quente
dos últimos milhares de anos."(4) Os principais agentes poluidores da atmosfera,
responsáveis pelo seu acelerado aquecimento, são as indústrias e os veículos
movidos a motor de explosão (combustíveis líquidos ou gasoso), mas, há outros
agentes tóxicos que, também, causam um grande transtorno ambiental, como as
chaminés, sem a devida proteção (filtros), queima propositada ou acidental de
uma floresta ou de um campo, e, as incinerações (lixo, resíduos industriais,
hospitalares, etc.).
As fábricas de papel e cimento, indústrias químicas, refinarias e as
siderúrgicas emitem óxidos sulfúricos, óxidos de nitrogênio, enxofre, partículas
metálicas (chumbo, níquel e zinco) e substâncias outras usadas na fabricação de
inseticidas. "Os escapamentos dos veículos automotores emitem gases como o
monóxido (CO) e o dióxido de carbono (CO2), o óxido de nitrogênio (NO), o
dióxido de enxofre (SO2) e os hidrocarbonetos. Todos esses poluentes são
resultantes das atividades humanas e são lançados na atmosfera."(5)
Outro fator relevante é o desmatamento desarvorado, que contribui, efetivamente,
para o aquecimento atmosférico, pois a queima das florestas produz grande
quantidade de gás carbônico. O gás carbônico, por sua vez, tem a propriedade de
absorver calor, provocando o "fenômeno estufa". O aumento da proporção desse
gás, lançado na atmosfera, ocasiona um aquecimento acelerado da superfície
terrestre, conhecido como "aquecimento global". O efeito estufa (6) ganhou
notoriedade nos últimos 50 anos, período que coincide com a massificação do uso
dos combustíveis fósseis em veículos com motor a combustão.
Em 1985, os cientistas identificaram um buraco na camada de ozônio, sobre a
Antártida, que continua se expandindo, assustadoramente. A redução do ozônio (7)
contribui para o "fenômeno estufa". As conseqüências dessa síndrome são
catastróficas, como o aquecimento e a alteração do clima, precipitando a
ocorrência de furacões, tempestades severas e, até, terremotos; o efeito do "El
Ninõ e La Niña", também é aterrorizante, pois que acelera o degelo das calotas
polares, aumentando, conseqüentemente, o nível do mar e inundando regiões
litorâneas. Prova disso, são os registros de diminuição das geleiras no
Himalaia, nos Andes, no Monte Kilimanjaro, e a única estação de esqui da
Bolívia, Chacaltaya, pôs fim à sua atividade, pela escassez de neve naquela
região.
A camada de ozônio fica bem mais exposta ao Sol. Efetivamente, gases e vapores
lançados na atmosfera absorvem a radiação infravermelha emitida da superfície da
Terra, e, por sua vez, devolvem a energia absorvida para a superfície.
Resultado: a superfície retém quase o dobro de energia que deveria receber do
Sol, ficando cerca de 30 graus Celsius mais quente do que se não sofresse a ação
dos gases que provocam esse aumento. Os cientistas calculam que, no hemisfério
sul do planeta, dezenas de milhares de pessoas não resistirão ao calor. Se o
aumento da temperatura for de 3º C, o número de mortos, por ano, será de 87 mil,
até 2071. Se o aumento do calor for de 2,2º C, o número de mortos baixará para
36 mil, por ano. Logo, diante dessas assustadoras previsões, o que nos resta?
Creio que não mais caminharmos em sentido contrário ao da Natureza.
A análise de muitos ambientalistas revela que a elevação da temperatura em até
8ºC, nas regiões temperadas, e 5ºC, nos trópicos, vai provocar, antes de 2100,
impactos desastrosos no equilíbrio ecológico, como a extinção maciça de espécies
vegetais e animais, e o desaparecimento de vastas áreas de mata virgem,
selvagens, como a Floresta Amazônica, reconhecidamente tida como "o pulmão do
Mundo", decretando o fim da maior parte da vida na Terra, com a morte de
milhões, ou, talvez, bilhões de pessoas.
Sabemos que o clima e o meio ambiente exercem grande influência no espírito
encarnado. A realidade climática é constituída de vários elementos a saber::
temperatura, chuva, umidade, ventos, massas de ar e pressão atmosférica, e sofre
a influência de vários outros fatores, como, por exemplo: a posição astronômica
e geográfica da região ou país, a configuração do território, as altitudes e as
linhas mestras do relevo, fenômeno meteorológico, etc.. Em face disso, Emmanuel
admoesta: "O meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a
prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, faz-se
indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem,
melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na
sua zona de influência"(8).
No momento em que a sociedade percebeu os efeitos catastróficos, de
desequilíbrios e desastres ambientais, as normas que regulam a relações do homem
com o meio ambiente foram surgindo, para desviar a rota de um provável choque
entre a Natureza e o homem. O marco da consolidação da consciência ambiental
foi, sem dúvida, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano,
em Estocolmo, realizada em junho, de 1972. Vinte anos após (1992), a Rio-92 foi
outro importante marco para o Direito Ambiental e as políticas de proteção ao
meio ambiente, em diversos países, principalmente, no Brasil.
Os progressos das negociações sobre a implementação da Convenção-Quadro sobre
Mudança do Clima resultaram na adoção, em 1997, de um Protocolo, durante a
Terceira Conferência da Partes (COP), realizada em Kyoto, no Japão. Esse
documento, que ficou conhecido como Protocolo de Kyoto (UNITED NATIONS FRAMEWORK
CONVENTION ON CLIMATE CHANGE, 1997), estabelece metas e prazos relativos à
redução ou limitação das emissões futuras de dióxido de carbono e outros gases
responsáveis pelo efeito estufa. (9)
Não é sem razão que devemos considerar, sim, os perigos reais que nos cercam: o
buraco na camada de ozônio; o desmatamento desordenado de nossas florestas; a
poluição das nossas águas límpidas, as indústrias poluentes, a produção cada vez
maior de veículos à combustão, etc.. Se meditarmos sobre o momento em que
vivemos, sob a ótica da revelação espírita, teremos motivos suficientes para
crer que o imobilismo e desesperança, conseqüentes do pessimismo e indiferença
que prevalecem, atualmente, entre os homens, precisam ser substituídos pela ação
eficaz de cada um de nós. E por que não fazemos mais, e tentarmos mudar esse
triste panorama? Por que não nos mobilizamos em adotarmos medidas urgentes de
prevenção, evitando, assim, um mal maior, ou seja, um caos ecológico para nós
mesmos e, principalmente, às gerações futuras, ao invés de ficarmos apenas como
espectadores?
Podemos incentivar, no uso de nossa plena cidadania, a criação de rigorosa
legislação antipoluição; adotarmos o rodízio diário de carros (Uma pessoa que
roda 20 quilômetros por dia num carro "popular" (1.0 c.c), movido à gasolina,
emite 1,87 tonelada de CO2, por ano. Para neutralizar essas emissões, precisam
plantar nove árvores, a cada ano); colaborarmos no controle e fiscalização sobre
desmatamentos e incêndios, nas matas e florestas; planejarmos nossas residências
nos bairros, nas cidades, buscando sempre a harmonia entre a natureza e a
urbanização; incentivarmos as pessoas a plantarem árvores; evitarmos o
desperdício de água e energia elétrica; percorrermos pequenas distâncias de
bicicleta, ao invés de sairmos de carro; separar o lixo, se em nossa cidade não
houver coleta seletiva de lixo e, muito mais...
Devemos ficar atentos, abrir os nossos olhos para os alertas dos especialistas,
pois já está demasiado claro que é apenas uma questão de tempo, para as
conseqüências nefastas das previsões começarem a afetar, brutalmente, as nossas
vidas e, principalmente, as vidas de nossos filhos e netos. E não venhamos com o
desculpismo de ocasião, afirmando que tudo está previsto por Deus!!!! Não nos
esqueçamos de que Deus se manifesta ao homem, através do próprio homem.
Portanto, nem tudo está previsto, pois, trata-se, tão-somente, da ação do homem.
A Terra assemelha-se a um organismo vivo, com mecanismos para auto-regular suas
funções.(10) Lembremos que se o aquecimento global é questão mundial, as
conseqüências sobre a Terra serão de responsabilidade individual.
É óbvio que devemos guardar a esperanças em dias melhores, até, porque, "o
Espiritismo, na sua missão de Consolador, é o amparo do mundo neste século de
declives da sua História; só ele pode, na sua feição de Cristianismo redivivo,
salvar as religiões que se apagam entre os choques da força e da ambição, do
egoísmo e do domínio, apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos. No seu
manancial de esclarecimentos, poder-se-á beber a linfa cristalina das verdades
consoladoras do Céu, preparando-se as almas para a nova era."(11)
Espíritas, mãos à obra!!! Façamos a nossa parte. Não transfiramos para os
outros, ou para os nossos governantes, o que é, também, de nossa
responsabilidade.
FONTES:
1- Trecho é encontrado na página 325 do relatório BRUNDTLAND, de 1988, da
Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no livro "Nosso Futuro
Comum"
2- Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio
de Janeiro: Ed FEB, 2001, questões 27, 28
3- Relatório da comissão que estuda as mudanças climáticas, da ONU (Organização
das Nações Unidas), 2007
4- Cf. Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa-EUA
5- Texto de Marcos Tadao Mendes Murassawa. Aquecimento Global - Ficção x
Realidade acessado em 01-01-08
6- Fenômeno percebido pela primeira vez em 1827, pela comunidade científica
7- Ozônio é um gás que filtra os raios ultravioletas do Sol. Se esses raios
chegassem à superfície terrestre com mais intensidade provocariam queimaduras na
pele, que poderiam até causar câncer, e destruiriam as folhas das árvores. A
camada de ozônio protege a terra dos raios ultravioleta do sol, que são
extremamente prejudiciais à vida. Ela está situada na faixa de 15 e 50 Km de
altitude.
8- Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio
de Janeiro: Ed FEB, 2001, questão 121
9- Pelo Protocolo de Kyoto os países industrializados se comprometiam a trazer
suas emissões de carbono (CO2) a um nível 5,2% menor que o de 1990 entre 2008 e
2012. Para isso precisa da ratificação de 55 países
10- Teoria que afirma ser o planeta Terra um ser vivo. Apresentada em 1969 pelo
investigador britânico James E. Lovelock, a Teoria de Gaia, também conhecida
como 9-Hipótese Gaia, diz ser a biosfera terráquea capaz de gerar, manter e
regular suas próprias condições de meio-ambiente.
11- Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, RJ: Ed FEB 1987 |