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Foi-nos sugerido escrever um texto sobre sexo, casamento e celibato e debruçamos
sobre os temas com forte ênfase voltada para reflexões da energia sexual ou da
libido (1), com isso, estamos falando de nossos desejos, de nossas sensações
prazerosas, de nossa compreensão sobre a maneira como sentimos e lidamos com as
questões que envolvem essas energias.
Antes de quaisquer arrazoados sejam arrojados ou tíbios evocamos Emmanuel quando
recorda que em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas
normas seguintes: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas
emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina,
mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar
simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso,
será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação
pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da
reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é
assunto pertinente à consciência de cada um. (2)
Cremos que os problemas recorrentes sobre o sexo antes do casamento formal, por
exemplo, não estão nas questões do certo e do errado ou se é permissível ou não
fazer isto ou aquilo. No estágio moral que nos encontramos, e cientes de que
temos o livre arbítrio, os problemas fundamentais são de outra ordem e grandeza,
como nos ensina ainda Emmanuel "quem estude os conflitos de sexo, na atualidade
da Terra, admitindo a civilização em decadência, tão só examinando os absurdos
que se praticam em nome do amor, ainda não entendeu que os problemas do
equilíbrio emotivo são, até agora, de todos os tempos, na vida planetária".(3) A
sexualidade como expressão de amor está ligada, de forma irreversível, ao poder
e à posse. Mais do que isso, o amor validado pela sexualidade, acaba se tornando
uma espécie de afeto espacial-geográfico. Eu gosto tanto mais do outro quanto
mais eu possuo alguma coisa dele. Todavia, o amor representa a liberdade, e não
o inconseqüente sentimento de posse. É a lei de atração e de todas as harmonias
conhecidas, sendo a força inesgotável, que se renova sem cessar e enriquece ao
mesmo tempo quem dá e quem recebe.
Os Espíritos ensinam que o estado de natureza é o da união livre e fortuita dos
sexos.(4) O casamento constitui um dos primeiros atos de progressos nas
sociedades humanas. O casamento será sempre um instituto benemérito, acolhendo,
no limiar, em aromas de alegria, paz e esperança aqueles que a vida aguarda para
o trabalho do seu próprio aperfeiçoamento e perpetuação. A abolição do casamento
seria regredir à infância da humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de
certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes. Destacando-se, porém,
que a indissolubilidade absoluta do casamento é uma lei humana muito contrária à
da Natureza. Mas os homens podem modificar suas leis; só as da Natureza são
imutáveis. (5) Há quem chega a esse exagero de manifestar propósitos
relacionados com a extinção ou abolição do casamento, como se tratasse de
costume desnecessário. Enganam-se os que assim pensam. Claro que a construção da
felicidade real não depende do instinto sexual satisfeito. A permuta de células
sexuais entre os seres encarnados, garantindo a continuidade das formas físicas
em processo evolucionário, é apenas um aspecto das multiformes permutas de amor.
Importa reconhecer que o intercâmbio de forças na constituição do lar não só
permite a reencarnação dos Espíritos e, conseguintemente, resgate de faltas do
passado, como representa a célula da família universal, unidade primeira da
educação espiritual.
Temos a convicção que os casamentos são sempre acertados, ou melhor, preparados
na vida espiritual, em face dos desacertos, abusos, crimes ou incontinência
moral praticados em encarnações anteriores. De modo que os Espíritos
comprometidos com a lei divina, no passado, reencarnam com o fim de reparar
esses males que envolveram, até mesmo, os que virão depois na condição de
filhos.A Doutrina explica que há casamento de amor, de fraternidade, de
provação, de dever, de missão e de interesse puramente sexual. Em verdade a
experiência do casamento é muita sagrada, não só a experiência do casamento, mas
toda a experiência do sexo, por afetar profundamente a vida mental. Portanto
toda a experiência sexual da criatura que já recebeu alguma luz do Espírito é
acontecimento de enorme importância para si mesma porque afeta profundamente a
vida da alma.
Engana-se quem supõe que a normalidade sexual, consoante as respeitáveis
convenções humanas, possa servir de templo às manifestações afetivas. O campo do
amor é infinito em sua essência e manifestação." Urge afastar às aberrações e
aos excessos; contudo, é imperioso reconhecer que todos os seres nasceram no
Universo para amar e serem amados". Contudo, muitos fogem do casamento e optam
pelo celibato(7) voluntário o que não representa um estado de perfeição
meritório aos olhos de Deus. E, os que assim optem, por egoísmo, desagradam a
Deus e enganam o mundo, exceto quando feito para o bem. Quanto maior o
sacrifício, tanto maior o mérito.(8) Portanto, o celibato em si mesmo, não é um
estado meritório, exceto quando essa renúncia às alegrias da família é praticada
em prol da humanidade. Uma vez que todo sacrifício pessoal, tendo em vista o bem
e sem qualquer idéia egoísta, eleva o homem acima da sua condição material.
Na manifestação do amor, certamente encontramos a sexualidade. No entanto não
podemos dizer que na sexualidade está presente o amor. O mal não está em que nós
a aceitemos; o mal consiste em quase todos abusarem dessa experiência. Lembrando
que o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual e
conseqüentemente no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a
vida, e, em razão disso, ninguém escarnecerá dele, desarmonizando-lhe a forças,
sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo.(9) Enorme porcentual de espíritos
encarnados na Crosta da Terra, de mente fixa na região dos movimentos
instintivos, concentram suas faculdades no sexo, do qual se derivam naturalmente
os mais vastos e freqüentes distúrbios de ordem emocionais e psicológicos.
No dias atuais a desagregação familiar é resultante de um fenômeno eminentemente
materialista, veiculada, sobretudo, pelos vários segmentos da mídia. Quando à
indução aos consumismos, desde os produtos mais básicos até aqueles que
incentivam as fantasias sexuais, têm sido extremamente valorizados; a
religiosidade, a fé, a esperança cedem terreno, diminuindo profunda e
sensivelmente a nossa capacidade de suportar as aflições cotidianas. Destarte,
urge higienizemos nosso reduto doméstico com o teor vibratório do nosso
pensamento elevado, pois existem bacilos psíquicos que produzem tortura sexual,
oriundos da insustentável sede febril de prazeres inferiores, e nesse ponto, o
aguilhão da consciência, guardião da probidade interior, o adverte [pensamento]
e sustenta; mas, muitas vezes se mostra impotente diante dos sofismas da
paixão.(10)
O aguilhoamento às excitações mentais em torno das energias sexuais não é
problema que possa ser equacionado por sociólogos, médicos psicólogos a agir no
campo exterior: É problema da alma, que exige atitude individual de soerguimento
e cura, e sobre esta situação só o espírito solucionará nos escrínios do
tribunal da própria consciência. Até porque o sexo é tesouro excelso em que o
lar é refúgio santificante, lembrando, porém, que o amor e o sexo plasmam
responsabilidades naturais na consciência de cada um e que ninguém lesa alguém
nos tesouros afetivos, sem dolorosas reparações. (11)
FONTES:
1- Libido vem do latim e quer dizer "desejo violento ou luxúria" Mas no sentido
psicanalítico - a psicanálise foi criada por Freud - temos a energia motriz dos
instintos de vida, portanto da conduta ativa e criadora do homem. Assim nos
explica de forma bem acessível o dicionário Aurélio.
2- Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed
FEB, 1999.
3- Op. Cit
4- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2004, Pergs. 335 a 696
5- Op. Cit. Pergs 335 696
6- Xavier, Francisco Cândido. No Mundo Maior Ditado pelo Espírito André Luiz,
RJ: Ed FEB, 1999, Cap.11 "Sexo".
7- Um professor jesuíta da Universidade de Harvard, o padre Fischler, descobriu
que 92% do clero norte-americano sugeria que os sacerdotes pudessem escolher
livremente se queriam ser casados ou solteiros. Outro sacerdote e psicoterapeuta,
o padre Sipe, revelou que só 2% desse clero cumprem o celibato; 47% o fazem
''relativamente''; e 31,5% vivem uma relação sexual, das quais um terço
homossexual. Diante disso, vários bispos têm solicitado que se elimine o
celibato para o clero latino, já que o oriental - inclusive o ligado a Roma -
não tem essa obrigação e é, normalmente, casado. Até mesmo o Concílio Vaticano
II louvou o sentido espiritual do sacerdote casado do Oriente, in A obscura
história do celibato clerical, Extraído - Correio Braziliense E. Miret Magdalena
, teólogo disponível no site http://www.cacp.org.br/cat_celibato.htm , acesso em
19/06/2005
8- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2004, Pergs. 335 a 696
9- Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo. Evolução em Dois Mundos, Ditado
pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2002, pág. 56, II
10- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, São Paulo: IDE, 1984, item
7, no Cap. XVII. 11- Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo
Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 6 ª edição 1999. |