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"- Quando a verdadeira união se fizer espontânea, entre
todos os homens no caminho redentor do trabalho santificante
do bem natural, então o Reino do Céu resplandecerá na Terra,
à maneira da árvore divina das flores de luz e dos frutos
de ouro". (Neio Lucio)
O Espiritismo precisa da FEB? Como você vê o papel da FEB no Movimento Espírita?
Devemos continuar defendendo-a? Essas perguntas nos foram endereçadas por uma
confreira espírita de Brasília, motivo pelo qual resolvemos escrever o presente
texto.
Antes de qualquer comentário acerca da Federação Espírita Brasileira, recordamos
aqui que a sua Missão é: "Promover o estudo, a prática e a difusão do
Espiritismo, com base nas obras da Codificação de Allan Kardec e no Evangelho de
Jesus; a prática da caridade espiritual, moral e material, dentro dos princípios
espíritas; e a união solidária e a Unificação do Movimento Espírita, colocando o
Espiritismo ao alcance e a serviço de todos".(2) (grifamos) Portanto, quando
refletimos sobre a Casa-Máter somos remetidos ao conceito de Unificação. Para a
FEB, o trabalho unificacionista é uma atividade-meio objetivando fortalecer e
facilitar a ação do Movimento Espírita na sua atividade-fim de promover o
estudo, a difusão e a prática da Doutrina.
A proposta da Unificação legítima, aquela que de fato transcende aos limites que
os homens insistem em estabelecer, está firme e vigorosa na Codificação e para
administrar o ideário unificador, a FEB criou (via Pacto Áureo) o Conselho
Federativo Nacional em 1949, que por sua relevância, propõe reunir e congregar
representantes do Movimento Espírita brasileiro para bem estruturá-lo. Por
decorrência a FEB encaminha seu projeto por uma Unificação sem uniformização,
por saber que a padronização dos comportamentos humanos, em qualquer nível, é
ruinosa, por obstar a liberdade não só de ação, mas, sobretudo de pensamento.
Desta forma, a idéia febiana é unir para irmanar; unir esforços para construir,
unificar para fortalecer e para convergir, lembrando que Jesus e Kardec são um
todo, por conseguinte unos e afluem para um só escopo. A propósito, o eminente
Codificador assinala que o maior obstáculo à divulgação da Doutrina é a falta de
unidade. Recorda Bezerra de Menezes, que "o serviço da Unificação em nossas
fileiras é urgente, mas não apressado. Uma afirmativa parece destruir a outra.
Mas não é assim. É urgente porque define objetivo a que devamos todos visar; mas
não apressado, porquanto não nos compete violentar consciência alguma"(3)
(grifamos)
Um dos mais antigos textos específicos [mediúnicos] sobre Unificação foi
psicografado por Chico Xavier em 1948. Mensagem essa dirigida aos participantes
do 1o Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, realizado em São Paulo, de 31
de outubro a 05 de novembro de 1948, e coordenado pela então nascente USE-União
das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Nessa página, intitulada "Em
nome do Evangelho", Emmanuel se fundamenta na expressão "Para que todos sejam
um"(4) . Em verdade, a Unificação é um processo lento, de amadurecimento, que
caminha no sentido de estimular a vivência de participação, de intercâmbio e de
respeito entre as instituições espíritas, considerando suas diversidades de
condições, respeitando-se a autonomia administrativa que dispõem.(5)
Para alguns confrades a FEB difunde demasiadamente o aspecto religioso da
doutrina, motivo pelo qual, nutrem certa ojeriza bastante estranha frente a tudo
que tenha laços com a religião. Várias instituições laicas vêm tentando
ingerir-se no Movimento Espírita brasileiro. Companheiros que afirmam não ser o
Espiritismo o Consolador Prometido, pois Espiritismo e Cristianismo seriam duas
doutrinas distintas. (sic) Negam a adjetivação cristã ao Espiritismo. Nesse
vórtice alienante não admitem submissão a qualquer poder constituído, as regras,
para o espírito anarquista são atropelos para o livre-pensar, por isso, usando a
liberdade como bandeira de suas teses extravagantes, são convictos de suas
"sapiências" e julgam que suas idéias são a expressão da verdade.
Durante um período esses confrades defendiam essa laicidade da Doutrina no bojo
de uma campanha informal, denominada de "espiritização" do movimento que, dentre
outras coisas, combatiam: a transformação do Espiritismo em apêndice do
Cristianismo, a crença de que o Espiritismo possui um aspecto religioso, a
excessiva pregação de cunho evangélico, o uso de expressões estranhas ao corpo
semântico do Espiritismo, como evangelização, mediunidade com Jesus e culto
evangélico no lar, a "igrejificação" do movimento, com a adoção de uma estrutura
hierárquica formal, a supervalorização da culpa e da dor.
O que fica evidente nesses grupos é uma ação de intelectuais afins (normalmente
adornados pela "autoridade" das titulações acadêmicas) com a intenção de criar
um novo movimento de idéias, utilizando o Espiritismo como ponte para teorias
insertas nas ciências sociais e políticas. Confrades esses que estão
inequivocamente exercitando seu livre-arbítrio, porém, que o façam sem
acrescentar mais cisões ao Movimento Espírita brasileiro.
No que tange à tarefa institucional da FEB é interessante examinar as instruções
de Allan Kardec, quando trata da organização do Movimento Espírita.(8) O mestre
lionês demonstra não só a necessidade do órgão diretivo, mas como deveria
funcionar. Por forte razão, deixar a Doutrina Espírita solta à volúpia
insofreável das interpretações pessoais pode transformar o Movimento Espírita
numa confusão sem precedentes. Quem não entende a necessidade de uma instituição
unificadora torna-se partidário do que se chama movimento
"anárquico-libertário"(?!). E não são poucos os remanescentes de tais arroubos
progressistas formando escolas de um "Espiritismo à moda" sob os frágeis pilares
das "meias verdades".
A unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a
fortaleza inexpugnável do Espiritismo. Nesse sentido, o papel das federativas
estaduais [sintonizadas com a FEB] além da necessidade de harmonioso
relacionamento com as casas espíritas adesas, precisa programar-se contra a
dispersão sistemática e generalizada, em caminho de desintegração, por força de
interferências estranhas. Manter vigília contra os movimentos paralelos que
disseminam práticas exóticas, mistas de magia e de superstição, com a introdução
de ritos de outros credos e cerimônias religiosas de estranho aspecto e
significação. Munir-se contra a infiltração nas fileiras espíritas de ideologias
discutíveis, ligadas a movimentos políticos-revolucionários e tentativas
reiteradas de dominação político-partidária, tudo incompatível com os sãos
princípios e com as finalidades essenciais da Doutrina. Por essa razão e por não
ser tarefa das mais fáceis, as federativas estaduais ainda encontram extremas
dificuldades de realizarem o ideal da Unificação sonhada por Kardec e Bezerra de
Menezes.
É importante lembrar que, na lógica unificacionista, as Entidades integrantes do
Conselho Federativo Nacional (9) mantêm a sua autonomia, independência e
liberdade de ação. Os vínculos com o CFN têm por fundamento a solidariedade e a
união fraterna, livre, responsável e conscientemente praticada à luz da Doutrina
Espírita, com vistas à sua difusão. Nesse sentido, obviamente, as Instituições
Espíritas, sediadas no território nacional, que desenvolvem suas atividades
dentro dos princípios básicos da Doutrina Espírita contidos nas obras da
Codificação Kardequiana estão, naturalmente, aptas a participar do esforço de
Unificação do Movimento Espírita, em trabalho de apoio recíproco e solidário,
para uma mais eficiente difusão do Espiritismo.
Porém, o Movimento Espírita é campo fértil à fascinação e à gênese de idéias
advindas da pseudo-sabedoria, por isso, cremos que a indulgência é necessária,
mas a conivência, jamais. Respeitar idéias diferentes é obrigação cristã,
contudo, acatá-las, não obrigatoriamente. Sobre isso Kardec nos chama a atenção:
"A tática ora em ação pelos inimigos dos Espíritas, mas que vai ser empregada
com novo ardor, é a de tentar dividi-los, criando sistemas divergentes e
suscitando entre eles a desconfiança e a inveja. Não vos deixeis cair na
armadilha; e tende certeza de que quem quer que procure, seja por que meio for,
romper a boa harmonia, não pode ter boas intenções".(10) Deste modo, mister a
entronização de Allan Kardec "nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas
obras, a fim de que a nossa fé não faça hipnose, pela qual o domínio da sombra
se estabelece sobre as mentes mais fracas acorrentando-as a séculos de ilusão e
sofrimento".(11)
Para se arrostar o desafio de união na diversidade ante a conquista do
desiderato unificacionista é imperioso que "seja Allan Kardec, não apenas crido
ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente
vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é
difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós
pela unificação.
FONTES:
1- Xavier, Francisco Cândido. Jesus no Lar, Ditado pelo Espírito Néio Lúcio, Rio
de Janeiro: Ed. FEB, 2001, cap. 46.
2- Disponível em< http://www.febnet.org.br/apresentacao/content,0,0,265,0,0.html>
acesso em 18/08/2005
3- (Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da
Comunhão Espírita Cristã, em 20-4-1963, em Uberaba, MG.) publicada no Reformador
edição de dez/1975.
4- (João, 17:22).
5- "O Espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria puerilidade
indigna da grandeza do assunto. Daí vem que os centros que se acharem penetrados
do verdadeiro espírito do Espiritismo deverão estender as mãos uns aos outros,
fraternalmente, e unir-se para combater os inimigos comuns: a incredulidade e o
fanatismo".(In Obras Póstumas - Constituição do Espiritismo - Item VI)
6- Provêm de laicismo, doutrina que proclama a laicidade absoluta das
instituições sociopolíticas e da cultura, ou que pelo menos reclama para estas
autonomias em face da religião.
7- A rigor não há sistema científico, social, filosófico ou religioso (sério),
que funcione, ou que se sustente sem princípios normativos.
8- Na verdade há grande confusão entre movimento espírita e Espiritismo. O
primeiro, é o conjunto de ações perpetrado pelos seguidores de Allan Kardec ao
longo da história espírita. O segundo, o conjunto de ensinamentos legados à
humanidade pelos Espíritos superiores, através do trabalho missionário de Allan
Kardec...
9- Entidades Federativas Estaduais, Entidades Especializadas de Âmbito Nacional,
Centros e demais Sociedades Espíritas
10- Kardec, Allan, Revista Espírita Ano V fevereiro 1862, Vol 2.
11- (Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da
Comunhão Espírita Cristã, em 20-4-1963, em Uberaba, MG.) publicada no Reformador
edição de dez/1975.
12- (Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da
Comunhão Espírita Cristã, em 20-4-1963, em Uberaba, MG.) publicada no Reformador
edição de dez/1975. |