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O que
caracteriza o homem, habitante da Terra há milhões de
anos, é a inteligência de que é dotado. Essa
inteligência complementa-se com a vontade e com a
liberdade para pensar e agir. Mas o ser humano, com sua
inteligência e atributos tem uma causa, uma geratriz, um
Criador, que está fora de si mesmo. Essa causa primeira,
a Inteligência Suprema, nos ensinos da Espiritualidade
Superior, é o Criador não somente do homem, mas de tudo
que existe em todo o Universo. Esses ensinos sintéticos,
que se encontram na obra básica do Espiritismo, foram
complementados por outros para que o homem pudesse
formar idéia de si mesmo, de sua origem e de seu
destino, do mundo em que vive e do Universo infinito. As
noções que a Doutrina dos Espíritos oferece do Criador e
da criação - Deus, espírito e matéria - facilitam a
compreensão de tudo o que existe, máxime quando esses
conhecimentos básicos são complementados pela revelação
das leis divinas estabelecidas para o funciona-mento de
tudo o que foi criado. Pelas leis naturais, ou divinas,
pode a Humanidade hoje perceber que a Inteligência
Suprema não só criou os dois elementos - espírito e
matéria - mas regulou o funciona-mento de toda a criação
dentro de uma harmonia total, universal. Matéria e
espírito estão ligados de tal forma que, regidos por
leis perfeitas e imutáveis, podemos, hoje, perceber o
sentido da vida na Terra e em outros mundos, numa.
Realidade que se contrapõe ao que as religiões e as
escolas filosóficas do passado e do presente têm
ensinado. A Nova Revelação desvenda, assim, os grandes
mistérios do passado, com os quais se depararam tanto o
homem primitivo das cavernas quanto os sistemas
filosóficos e religiosos de todas as épocas. Deus é a
causa primária, é o Criador Divino de tudo que existe,
mas é também o Legislador que estabeleceu as leis
eternas para o funcionamento de toda a sua criação, nos
domínios da Natureza e da Vida. A sabedoria dos
Espíritos Reveladores procurou não definir Deus, o
Criador, para evitar erros e limitações ao Ser perfeito
e infinito. A linguagem e a inteligência humanas,
limitadas, não têm condições de definir o que é infinito
e ilimitado. São muito importantes para a Humanidade as
Revelações da Espiritualidade Superior formuladas na
Codificação Espírita, sob todos os seus aspectos. Mas,
no que concerne às noções sobre Deus, o Criador e o
Universo, as Revelações assumem excepcional importância,
pela diversidade de concepções reinantes nas religiões,
nas filosofias e nas ciências, mostrando que Deus não
pode ser confundido com sua criação, como no panteísmo
oriental; nem é um Deus antropomorfo, como nas
concepções religiosas do Ocidente; ou não existe, para o
materialismo multifário e o ateísmo dominantes em
determinadas ciências e filosofias.As condições de vida
na Terra foram elaboradas de forma tal que o homem,
dispondo de livre-arbítrio, outorgado por seu Criador,
chegou às mais variadas conclusões a respeito de si
mesmo e de seu Deus, no decorrer dos milênios.
Entretanto, em determinado momento da vida planetária,
quando a Humanidade já alcançara considerável progresso
em conhecimentos científicos sobre a matéria e
modificara muitos aspectos da organização social, essa
evolução alcançada contrastava com suas concepções sobre
seu Criador e sobre as leis divinas que regem tudo no
Universo. É nesse momento histórico da Humanidade, em
pleno século XIX da Era Cristã, que a Misericórdia
Divina, representada pelo Governa-dor Espiritual do
Orbe, o Cristo de Deus, vem em socorro dos habitantes
deste Planeta, trazendo-lhes os esclarecimentos que se
transformaram em luzes iluminando causas e efeitos não
percebidos até então. A Revelação Espírita vem em
socorro de todos os que já se encontram em condições de
entender o Poder, a Bondade e a Misericórdia de Deus,
suas múltiplas formas de manifestação por todo o
Universo, inclusive em nosso mundo de expiações e
provas.Essa revelação, como todas as anteriores, está à
disposição daqueles que estão em busca de conhecimentos
reais, em demanda da coerência e da verdade.Entretanto,
as novas revelações não obrigam nem constrangem os
negadores ou os céticos a aceitá-las. Elas representam a
solidariedade, o amor e a bondade do Alto aos que já
fazem jus à ajuda e à compreensão. O Espiritismo não se
apresenta à Humanidade como uma imposição do Superior ao
Inferior. Busca, sim, abrir a mente humana ao
conhecimento geral sobre a vida, sobre tudo o que
existe, suas causas e manifestações. Seus postulados
básicos não só explicam e aclaram os grandes problemas
defrontados pelo homem como auxiliam o pensamento a
evoluir sempre, não se detendo em colocações dogmáticas
que cerceiam futuros desdobramentos da realidade e da
verdade. É o que ocorreu, após a Codificação formulada
pelo missionário Allan Kardec, através de vasta
literatura, mediúnica ou não, que se ocupou em desdobrar
conceitos, definições e verdades reveladas nas obras
básicas, sem lhes alterar a essência, mostrando-nos a
continuação da vida nos mundos e esferas espirituais, o
funcionamento perfeito das leis divinas, nas mais
diferentes situações, e a confirmação da insuperável
Mensagem do Cristo, sem as distorções interpretativas
das diversas seitas denominadas cristãs.Além da
segurança que a Doutrina Consoladora e Esclarecedora
proporciona ao pensamento lógico e racional de seus
seguidores sinceros, a própria Doutrina assegura que
qualquer ponto mal entendido ou equivocado que as
ciências e o progresso geral comprovem como tal, ela
aceita a verdade comprovada ou o fato novo, antes
desconhecido, já que seu compromisso é com a realidade,
e esta não lhe afeta a estrutura essencial. Em
decorrência desse principio, o espírita não teme o
progresso das ciências, nem se preocupa com o confronto
dos princípios de sua Doutrina com os ensinos de outras
filosofias e religiões. A certeza da continuação da
vida, após a morte do corpo físico, o contato com as
realidades transcendentes, a percepção de um Deus justo
e misericordioso, o conhecimento e a comprovação das
vidas sucessivas e a demonstração da presença permanente
das leis divinas na Natureza, nos seus diversos reinos e
em todos os bilhões de mundos do Universo, dão ao
seguidor da Doutrina Espírita uma percepção diferente da
vida na Terra, diante das vicissitudes e do futuro,
induzindo- o a não se apegar às coisas transitórias do
mundo e a valorizar tudo que diz respeito ao ser imortal
que ele é - o Espírito. Dilatando a importância da
veada, a Doutrina auxilia seu adepto a aceitar os fatos
afligentes e as circunstâncias dolorosas, com confiam-na
e resignação. Sabendo que a morte só atinge o corpo,
aceita com naturalidade o próprio decesso e o daqueles
que o precederam, certo de que o reencontro é questão de
tempo. Essas e outras motivações, reais e não ilusórias,
influem poderosa-mente no crescimento espiritual e na
renovação moral do ser, dando-- lhe uma outra dimensão
da vida, em cuja realidade se encontra imerso, para
sempre. Por isso, considerando que a lei do progresso e
da evolução, como norma divina, renova toda a criação,
inclusive o mundo ainda atrasado em que vivemos, é
lícito que se espere a regeneração deste orbe, com o
predomínio dos ensinos do Cristo, em espírito e verdade,
e do Consolador por Ele enviado, propiciando a
substituição da mentalidade atual, oriunda de um passado
de erros, por outra, calcada na realidade e na
Verdade....Desde a Antigüidade clássica, na qual os
gregos predominaram com suas filosofias na civilização
ocidental, o campo dos conhecimentos encontra-se
dividido em duas partes: numa prevalece o pensamento
materialista, presente em diversas correntes
filosóficas; na outra, o pensamento espiritualista
embasa as religiões.Filosofias e religiões tradicionais
não conseguiram solucionar satisfatoriamente todos os
problemas humanos.A Doutrina dos Espíritos,
compreendendo aspectos filosóficos, científicos, morais,
religiosos, educacionais e sociais veio, no momento
certo, aclarar os problemas e dar--lhes soluções
corretas, com a revelação de realidades desconhecidas e
aproveitamento de verdades antigas, como a doutrina da
reencarnação, ou das vidas sucessivas, conhecida há
milênios no Oriente. A Codificação Espírita foi
edificada em sólidas bases, sob os auspícios da
Espiritualidade Superior. Tão firmes são seus
fundamentos que, apesar do enorme avanço dos
conhecimentos científicos na segunda metade do século
XIX e no século XX, não houve necessidade de ajustar a
Doutrina Espírita a quaisquer verdades ou descobertas
novas.Os espíritas estudiosos sabem que muitos dos
ensinos doutrinários constituem-se em antevisões de
realidades que só futuramente serão reconhecidas pelos
diversos departamentos científicos a que se dedica o
homem. Isto não significa que o Espiritismo seja obra
pronta e acabada.Os próprios Espíritos Instrutores e o
Codificador caracterizaram-no como doutrina
evolucionista, no sentido de agregar sempre as novas
verdades descobertas e comprovadas. Se há um terreno em
que a lei de evolução opera com toda nitidez, este é o
das revelações sucessivas. E o Espiritismo é
precisamente a última fase das Manifestações Espirituais
Superiores junto à Humanidade. Se há uma sucessividade
de revelações do Alto, fácil será deduzir- se sua
continuação no futuro. As Revelações são suprimentos,
proporcionados pela Espiritualidade Superior aos homens,
a povos, raças e civilizações, para que possam perceber
determinadas verdades transcendentes, as quais
permaneceriam ocultas sem a intervenção superior, pela
incapacidade de percepção humana em determinadas fases
evolutivas. A iniciativa das Revelações parte do Alto,
em função das necessidades humanas. Entretanto, nem
todos os homens estão aptos a recebe- lãs e aceitá-las
de imediato. Muitos se opõem a elas, por não
compreendê-las devidamente, ou por contrariarem elas
seus inteirices imediatos.Isto ocorreu com a Mensagem de
Jesus, inovadora e retificadora de muitas coisas
assentes, trazida pessoalmente pelo Mestre Incomparável.
Com a Nova Revelação ocorreria o mesmo. São muitas as
oposições, umas frutos da ignorância espiritual, outras
resultantes de interesses contrariados e de
preconceitos. Entretanto, o que não se justifica são os
desvios do pensamento espírita, da sua moral
fundamentada totalmente nos ensinos morais do
Cristo.Tornam-se necessários um cuidado permanente, uma
vigilância constante para que não se desvirtuem os
princípios espíritas. Esse é um compromisso sério de
todo espírita sincero e digno da Doutrina que abraçou.
Arvorados em "espíritos fortes e independentes", certas
criaturas, dos dois planos da vida, imbuídas de
personalismo excessivo, primam por estabelecer no
Movimento Espírita a confusão, com a negação de valores
consagrados, alardeando-se em árbitros do que está além
e acima de seu entendimento. Falta--lhes autocrítica,
apesar de converterem- se em críticos do Cristo, dos
Evangelhos, dos Espíritos Instrutores, dos
médiuns.Questões de ordem secundária são por esses
críticos transformadas em pontos capitais, como se
fossem eles os reconstrutores da Doutrina. Eis alguns
exemplos das questões levantadas, sem a menor
procedência, denotando desconhecimento e inconseqüência,
resultantes do orgulho, da vaidade e do personalismo
exagerado: "Kardec está superado"; "a Doutrina precisa
ser atualizada"; "a moral espírita é independente da
moral cristã"; debates e criticas sobre questões
perfeitamente definidas no contexto doutrinário;
preocupações com aspectos sociais e políticos, sem o
necessário embasamento mento na Doutrina; preocupação
com a criação de termos novos, como se a adjetivação, só
por si, modificasse a substância das coisas; confusão
entre liberdade responsável, reconhecida pela Doutrina
Espírita, com licença ampla para se dizer e fazer o que
bem se entenda. Essas referências, meramente
exemplificativas, dão idéia do que ocorre de negativo no
Movimento Espírita, conseqüência do posicionamento
individualista, no qual falta sempre a humildade,
virtude cristã e espírita que se contrapõe ao orgulho e
à vaidade. Na vivência e na divulgação da Doutrina
Espírita, o que se requer, antes de tudo, é a fidelidade
aos seus princípios.Esquecem-se certos divulgadores de
que sua liberdade encontra limites naturais na própria
Doutrina, que não pode e não deve ser mutilada em seus
princípios. Vivenciar e divulgar a Doutrina dos
Espíritos requer, antes de tudo, seu conhecimento e
fidelidade a ela. O divulgador espírita não pode ser, ao
mesmo tempo, crítico ou inconformado com princípios
corretos da Doutrina.A Codificação e os Evangelhos são
valores assentes, interpretados pela Espiritualidade
Superior em auxílio aos homens. Nós, espíritas de hoje e
do amanhã, somos seus aprendizes, em demanda do caminho
certo referido pelo Cristo, e não reconstrutores desse
caminho. Para compreender a grandeza e a beleza das
Revelações Espíritas Superiores torna-se necessário
evitar o preconceito, o personalismo e a precipitação,
vícios humanos comuns que prejudicam e impedem o
conhecimento da verdade.
À LUZ DO EVANGELHO
"Meus amigos:
Saudando o nosso irmão presente, bem como aos demais
companheiros da nossa caravana evangélica, faço-o na paz
de Jesus, desejando-vos a sua luz santificadora.
Nada mais útil do que o esforço de evangelização, na
atualidade, e é dentro dessa afirmativa luminosa que
precisamos desenvolver todos os nossos labores e pautar
todos os pensamentos e atitudes.
As transições terríveis e amargas do século têm sua
origem na clamorosa incompreensão do exemplo do Cristo.
O trabalho secular de organização das ciências positivas
caminhou a par da estagnação dos princípios religiosos.
Os absurdos contidos nas afirmações e negações de hoje
são o coroamento da obra geral das ciências humanas,
entre as quais, despojada de quase todos os seus
aspectos magníficos da Antigüidade, vive a filosofia
dentro de um negativismo transcendente. E o que se
evidencia, aos amargurados dias que passam, é , de um
lado, a ciência que não sabe e, de outro, a religião que
não pode.
O nosso labor deve caracterizar-se totalmente pelo
esforço de renovação das consciências e dos corações, à
luz do Evangelho. Urge, pelos atos e pelos sentimentos,
retirar da incompreensão e da má-fé todas as leis
orgânicas do código divino, e aplicá-las à vida comum.
O vosso sacrifício e o vosso esforço executarão o
trabalho regenerador, mas necessário é não vos
preocupeis com os imperativos do tempo, divino
patrimônio da existência do espírito. À força de
exemplificação e apoiados nas vossas convicções
sinceras, conseguireis elevadas realizações, que farão
se transladem para as leis humanas as leis centrais e
imperecíveis do Divino Mestre Esse o grande problema dos
tempos.
Nenhuma mensagem do mundo espiritual pode ultrapassar a
lição permanente e eterna do Cristo, e a questão, sempre
nova, do Espiritismo é, acima de tudo evangelizar, ainda
mesmo com sacrifício de outras atividades de ordem
doutrinária.
A alma humana está cansada de ciência sem sabedoria e,
envenenado pelo pensamento moderno, o cérebro, nas suas
funções culturais, precisa ser substituído pelo coração,
pela educação do sentimento.
O Evangelho e o trabalho incessante pela renovação do
homem interior devem constituir a nossa causa comum.
Procuremos desenvolver nesse sentido todo o nosso
esforço dentro da oficina de Ismael, e teremos
encontrado, para a nossa atividade, o setor de
edificação sadia e duradoura.
Que Jesus abençoe os labores do nosso amigo e dos seus
companheiros, que, com abnegação e renúncia, lutam pela
causa do glorioso Anjo, servindo de instrumento sincero
à orientação superior da sua Casa no Brasil, é a
rogativa muito fervorosa do irmão e servo humilde.
"Emmanuel"
Psicografada no dia 13 de maio de 1938.
Dirigida a Manuel Quintão, na época Vice-Presidente da
Federação Espírita Brasileira, que se achava em Pedro
Leopoldo em visita ao Chico.
Foi publicada pelo Reformador daquele mesmo ano ( p. 210
) e republicada no número de maio de 1.976, da mesma
revista ( p. 123 ). |