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"A Transcomunicação Instrumental vem repetir, nos tempos atuais, o que
representou para o mundo a fenomenologia de Hydesville, no estado de Nova York,
nos idos de 1848, que culminaram com a chegada do Consolador prometido pelo
Cristo à Humanidade" . [i] , Altivo Ferreira, diretor da FEB, remete-nos aos
dias gloriosos de Allan Kardec. "À época do Codificador, a Transcomunicação
estava presente nas primeiras mensagens através da mesa pé-de-galo, ou depois,
na pequena cesta de vime, ou de outros fenômenos, pela manifestação das
mensagens fixadas em ardósia, sem contato humano ." [ii]
Realmente, o professor Hyppolyte-Léon-Denizart Rivail em maio de 1855, tomou
conhecimento de mesas que respondiam com batidas a perguntas feitas aos
"Espíritos". "O gênio de Lyon viu aí que havia um poder inteligente por trás
desse mini-poltergeist" (segundo o pesquisador Hernani Guimarães Andrade). O
método está muito aquém da técnica contemporânea, mas o princípio de conversar
com entidades sem a boca e os ouvidos do médium está todo aí." [iii]
Indubitavelmente foi Allan Kardec que interpretou esse belo fenômeno, desde seu
início quando codificou a Doutrina Espírita, revelando e confirmando a
imortalidade da alma.
Naquela época, os instrumentos para a Transcomunicação foram principalmente as
"mesas girantes", entre outros. Com o avanço tecnológico, os Espíritos têm
utilizado os equipamentos eletrônicos disponíveis da atualidade para se
comunicarem, como a televisão, gravadores, telefones, computadores e chapas
fotográficas sensíveis em câmaras de alta velocidade. É o fenômeno de
transcomunicação Instrumental, por definição, é o uso de instrumentos
eletrônicos para o intercâmbio com a vida além-túmulo. [iv]
O Livro dos Espíritos, questão nº 934 registra: "Tendes, porém, uma consolação
em poderdes comunicar-vos com os vossos amigos pelos meios que vos estão ao
alcance, enquanto não dispondes de outros mais diretos e mais acessíveis aos
vossos sentidos." [v] (grifamos) Destarte, os grandes gênios da humanidade estão
a um apertar tecla de aparelho de gravação e são a chave mestra para abertura
dos pórticos dos mistérios da vida espiritual. " Com eles estão os segredos do
tempo, do espaço, da História, da ciência, da filosofia." [vi] Eles possuem o
archote capaz de nos iluminar a caminhada entre as duas estações densas de
nossas indagações transcendentais: de onde viemos e para onde vamos?
"Extraordinárias descobertas descortinam novos e grandiosos horizontes aos
conhecimentos humanos". [vii] Embora pareça uma novidade para muitos, a rigor, a
pesquisa de TCI já tem mais de 100 anos. Segundo os pesquisadores, Thomas Edson,
teria sido o primeiro a cogitar da possibilidade de contactar os mortos, quando
disse que se ele conseguisse criar um aparelho sutil o suficiente para que
pudesse ser manipulado pelos que já partiram, o intercâmbio ocorreria. Porém, só
com o advento da Eletrônica é que os contatos interdimensionais começaram a se
firmar, ou seja, a partir dos anos 50. E foi em junho de 1956, em Estocolmo, que
um homem dedicado a gravar pássaros, Friederich Jürguenson, gravou pela primeira
vez uma voz do Além-Túmulo. "As suas experiências ensejaram ao grande
pesquisador Raudive dar prosseguimento. Mas nessa época, já o grande engenheiro
Meek tentava nos EUA realizar esse admirável trabalho, utilizando o Spiricom. [viii]
Através de três gerações sucessivas e tentativa de Spiricom, eles lograram
gravar vozes atribuídas inclusive a Charles Richet, o pai da metapsíquica
humana". [ix]
"Há uma preocupação em saber se a TCI se tornará reconhecida pela ciência,
contudo, é da natureza humana a característica de combater, contestar, reagir e
esse processo é natural, levando ao conhecimento de todos sobre esses fenômenos,
sendo inexistente negar-lhe a legitimidade dos fatos comprovados". [x] As
religiões já vêm afirmando que se vive depois da morte há mais de 5.000 anos,
mas a ciência não tem prestado muita atenção. "Quem sabe, se ao invés disso ser
dito sob teor religioso, mas comprovado como uma verdade científica, tenhamos a
disseminação efetiva dessa realidade – cujo resultado, imaginamos, será o de
trazer mais responsabilidade para o Homem, enfim, novos rumos para a Humanidade"
. [xi]
Atualmente por ser a comunicabilidade interdimensional uma realidade, cremos que
no porvir não muito distante a Ciência oficial passará a se defrontar com a
realidade do Espírito, devidamente comprovado em laboratório. Até porque
"Químicos e físicos, geômetras e matemáticos, erguidos à condição de
investigadores da verdade, são hoje, sem o desejarem, sacerdotes do Espírito,
porque, como conseqüência de seus porfiados estudos, o materialismo e o ateísmo
serão compelidos a desaparecer, por falta de matéria, a base que lhes assegurava
as especulações negativistas" [xii]
A parte científica do Espiritismo abarca áreas como a pesquisa de casos de
Poltergeist, Reencarnação, E.Q.M., Visões em Leito de Morte, Telepatia,
Clarividência, Regressões a Vidas Passadas etc. e embora todos esses fenômenos
sejam fartos de evidências, carece de documentação para sair da categoria de
metaciência. A Transcomunicação Instrumental é um segmento rico em
possibilidades no levantamento de provas a favor da realidade da sobrevivência
pós-morte, além de evidenciar a comunicabilidade.
Para chegar ao que é hoje, a Doutrina teve de caminhar dos Estados Unidos para o
México, daí para a Escócia e depois à Inglaterra, até chegar às mesas girantes
de Paris, em 1853. Como disse Allan Kardec, na Revista Espírita de maio de 1864,
os fenômenos surgiram primeiro nos EUA como de efeitos físicos porque estavam na
índole daquele povo. Quando penetraram na França, que era o berço da cultura
universal de então, mudaram as características do fenômeno, de efeitos físicos
para efeitos inteligentes. " No Brasil, temos quase um século e meio de
convivência com os fenômenos de efeitos inteligentes. Não precisamos mais de
materialização de Espíritos, movimentação de objetos à distância, escrita direta
etc. e outros tipos de fenômenos para nos convencer de coisa alguma. Os Centros
Espíritas trabalham basicamente com o fenômeno inteligente, que busca a
transformação moral da humanidade". [xiii]
Os fenômenos de hydesville provocaram um rebuliço geral, atraindo a atenção de
pesquisadores, da Imprensa e dos religiosos. Com o avanço da Cibernética e da
Informática, os Espíritos estão buscando outros caminhos para provocar os mesmos
resultados. No entanto, é extremamente importante lembrarmos que "O Centro
Espírita tem sua função, como pólo difusor doutrinário e posto de socorro ao
semelhante. Não se pode negar a validade das experiências de transcomunicação,
como também não se pode negar os resultados obtidos pela TVP (Terapia de Vidas
Passadas), pois seria o mesmo que negar a reencarnação. Mas nem uma nem outra
são finalidades do Centro. A TVP é para a clínica médica especializada, assim
como a TCI é um trabalho para pesquisadores". [xiv]
Procuramos sempre evitar relacionar a TCI com o Espiritismo especificamente.
Isso porque, pela sua natureza, a TCI é uma "tecnologia científica" que surgiu
independentemente de qualquer atitude ou base religiosa. Ela poderá ter
implicações religiosas apenas nos seus efeitos. A TCI unicamente funcionará como
uma evidência de apoio à hipótese da sobrevivência após a morte física e à
comunicabilidade com o plano espiritual. Este aspecto é comum a todas as
religiões espiritualistas.
Recordo que o Papa João Paulo II, em 1983, disse: " O diálogo com os mortos não
deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos
horizontes do mundo". [xv] Posteriormente, em novembro de 98, dirigindo-se a
peregrinos em Roma, conforme transmitido pela Rádio Vaticano, João Paulo II
novamente afirmou: " Não se deve pensar que a vida depois da morte começa no Dia
do Juízo Final. Condições muito particulares existem depois da morte natural. É
uma fase de transição. Enquanto o corpo se dissolve, os componentes espirituais
prosseguem vivos. Esse elemento espiritual é formado pela própria consciência e
seu livre-arbítrio. O homem existe sem o corpo físico ". [xvi]
O Padre François Charles Antoine Brune dedica-se a estudos dos fenômenos de TCI".
Brune declara que " O após vida existe e nós podemos nos comunicar com aqueles
que chamamos de mortos". [xvii] Autor dos livros "Os Mortos nos Falam" e "Linha
Direta do Além", François Brune ainda esclarece: "Escrevi estes livros para
tentar derrubar o espesso muro de silêncio, de incompreensão, de ostracismo,
erigido pela maior parte dos meios intelectuais do ocidente. Para eles,
dissertar sobre a eternidade é tolerável; dizer que se pode entrar em
comunicação com ela é considerado insuportável .(...) Eu quero mostrar que a
vida continua, que há Deus que nos ama, que nos espera e que o único valor da
vida é o amor. Quero mostrar que a vida depois da morte depende de nossa vida
neste mundo ". [xviii]
Fontes:
[i] Entrevista com Altivo Ferreira Fonte: Jornal Alavanca - Meses
Novembro-Dezembro - 1997
[ii]Depoimento de Divaldo P. Franco no programa "Espiritismo Via Satélite", dia
02/11/97, disponível,em http://www.consciesp.org.br >acessado em 23/1/2005
[iii] Disponível em < www.espiritismogi.com.br> acessado em 12/11/2005
[iv] Leia Ponte Entre o Aqui e o Além, de Hildegard Shäffer (Ed. Pensamento),
que tudo está descrito com detalhes, incluindo as técnicas.
[v] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB 2001, perg 934.
[vi] Disponível em < www.espiritismogi.com.br> acessado em 02/11/2005
[vii] Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, Rio de Janeiro:
Ed. FEB, 2000, Cap. 1.
[viii] Spiricom é um vocábulo formado pela contração de duas palavras do inglês;
spirit e comunication. Ela serve para designar um sistema eletrônico que
possibilita a comunicação verbal, direta e em dois sentidos, com os Espíritos de
pessoas já falecidas. [ix] Depoimento de Divaldo P. Franco no programa
"Espiritismo Via Satélite", dia 02/11/97, disponível,em http://www.consciesp.org.br
>acessado em 23/1/2005
[x] Atualidade do Pensamento Espírita – Pelo Espírito Vianna de Carvalho –
Divaldo P. Franco.
[xi] Associação Nacional de Transcomunicadores(ANT),disponível em < http://grupopas.com.br/artigos.asp>acessado
em 22/10/2005
[xii] Idem Cap. 4
[xiii] Entrevista com Hernani Guimarães Andrade Fonte: Revista de Espiritismo N.
26 - 1995
[xiv] Entrevista com Altivo Ferreira Fonte: Jornal Alavanca - Meses
Novembro-Dezembro - 1997
[xv] Consciência espírita www.consciesp.org.br, Disponível em< http://www.guia.heu.nom.br/t_c_i_.htm
>acessado em 11/10/2005
[xvi] Idem
[xvii] Brune, François. Os mortos nos Falam, Sobradinho, DF: Edicel, 1991, 1 ª
edição.
[xviii] Idem |