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Fundada em 21/1/1883 por Augusto Elias da Silva, o "Reformador" foi um dos mais
audaciosos empreendimentos de publicação espírita no Brasil. Isto porque, fundar
e conservar um órgão de propaganda espírita, na Corte do Brasil era, naquele
período, para entibiar o ânimo dos espíritas mais resolutos. Uma vez que dos
púlpitos brasileiros, principalmente dos da Capital, choviam anátemas sobre os
espíritas, os novos hereges que cumpria abater.
Escreveu Augusto Elias: "Abre caminho, saudando os homens do presente que também
o foram do passado e ainda hão de ser os do futuro, mais um batalhador da paz: o
"Reformador".(grifamos) Com essas palavras inaugurais apresentava-se, ao mundo o
novo órgão da divulgação espírita. O artigo de fundo do primeiro número traçava
as diretrizes de paz e progresso pelos quais se nortearia o órgão evolucionista
da imprensa espírita, definindo ainda os relevantes objetivos que tinha em vista
alcançar. Apresentou-se, portanto, o "Reformador" como mais um semeador da paz,
apetrechado da tolerância e da fraternidade, desfraldando a bandeira do
paradigma Ismaelino: Deus, Cristo e Caridade.
Até 1888 a redação do periódico funcionou (num atellier) na residência de
Augusto Elias da Silva. Era um jornal quinzenal de 4 páginas e estima-se que sua
tiragem inicial era de aproximadamente 300 exemplares, contando com cerca de uma
centena de assinantes. A partir de 1902 passou ao formato de revista,
inicialmente com 20 páginas e periodicidade bimensal.
Na década de 30 passou a ser mensal, e o número de páginas aumentou
gradativamente, até as atuais 40 páginas. Em 1939, a FEB adquiriu e instalou as
máquinas impressoras próprias, nas dependências dos fundos do prédio da Avenida
Passos. Foi uma decisiva empreitada, um novo alento na trajetória do difusor
doutrinário na "Pátria do Evangelho". Graças a essa providência, as edições e
reedições de livros espíritas começaram sua grande expansão. Com a instalação do
Departamento Editorial, em 1948, em amplo edifício especialmente construído em
São Cristóvão/Rio de Janeiro, a "Casa de Ismael" deu sólida estrutura a todo seu
complexo editorial.(1) Nos anos 70 a FEB iniciou as impressões de Reformador com
as capas coloridas, substituindo inclusive o logotipo e desenho e a Revista
tomou novo aspecto gráfico, com excelente recepção.
Na sua extraordinária trajetória "Reformador" esteve intimorato ao lado de
causas justas, como a abolição da escravatura e a tolerância religiosa,
preservando até hoje o caráter genuinamente espírita e cristão da revista, que
se tornou um dos veículos principais do desenvolvimento da doutrina espírita no
mundo. A propósito, "a obra da Federação Espírita Brasileira, que se molda no
espírito da Codificação Kardequiana e no Evangelho de Jesus, tem-se refletido no
movimento espiritista de vários países da Europa, das Américas, da Ásia e da
África, ensejando contatos fraternos de expressiva importância no que diz
respeito às finalidades primaciais do Espiritismo."(2)
No transcorrer das décadas que se seguiram à sua fundação, duas guerras mundiais
estremeceram as estruturas da Terra e diversas convulsões sociais
desestabilizaram nosso País. Nesse contexto histórico, irrompiam em diversos
países os totalitarismos bolchevistas, fascistas, nazi-fascistas. Irrompe-se a
filosofia e movimento existencialista e a licenciosidade, porém sem amargar os
ressaibos amargosos dos estrugidos da violência, "Reformador" disseminava
através de suas páginas, como manancial de esperança, preciosos estudos e
oportunos comentários sobre a Boa Nova do Cristo e a Codificação Espírita de
Allan Kardec, estimulando os esforços mais nobres dos espíritos
bem-intencionados, no rumo da confraternização e da paz mundial.
"Reformador" continuou sempre a singrar, com equilíbrio sereno e inabalável, o
agitado oceano das idéias em conflito, repetindo, mês a mês, com imperturbável
segurança, a mensagem da verdade e do perdão, do trabalho, da solidariedade e da
tolerância, em nome da Terceira Revelação.
Hoje é o decano da imprensa espiritista em nosso território e um dos mais
antigos do Mundo, entre os similares. Conforme consignam os "Anais da Biblioteca
Nacional" (Vol. 85) o " Reformador" é um dos quatro periódicos surgidos no Rio
de Janeiro, de 1808 a 1889, que sobreviveram até os dias atuais. São eles, a
saber, pela ordem: "Jornal do Commercio" (1827); "Revista do Instituto Histórico
e Geográfico Brasileiro" (1839); "Diário Oficial" (1862); "Reformador"
(1883).(3) Excetuando-se o "Diário Oficial", " Reformador" é o único que nunca
teve interrompida sua publicação. Conservando as diretrizes que lhe foram
assentadas desde sua fundação, jamais divergiu do programa de estudar, difundir
e propagar o Espiritismo sob o seu tríplice aspecto (científico-filosófico-religioso),
e, se deu maior importância à face moral e religiosa da Doutrina, não
desconheceu, entretanto, e não desconhece o justo e real valor da experimentação
científica e das reflexões.
"A trajetória secular do "Reformador" virtualmente se confunde com a própria
história da Casa de Ismael"(4) da qual é o porta-voz e a representação do seu
pensamento. Todos os espiritistas conhecem sobejamente a orientação editorial do
órgão febiano. Servindo de mensageiro da Federação espírita Brasileira, expressa
seu pensamento e suas diretrizes. Está permanentemente a serviço do Evangelho de
Jesus, à luz da Doutrina Espírita, e isto diz tudo. Sempre esteve na estacada,
em defesa do Movimento Espírita, das Instituições Espíritas, dos espíritas,
contra os ataques, as perseguições e os preconceitos de qualquer ordem ou
procedência. Nessa linha de coerência, tem expressado sempre a coragem serena
dos que pugnam pela prevalência da verdade, da justiça e da fraternidade entre
os homens.
"Como se expressava o Codificador, a unidade da Doutrina é a fortaleza ante a
qual as dissidências se fundirão e os sofismas quebrar-se-ão ante princípios
sustentados pela razão".(5) Para a consubstanciação desse projeto, "há mais de
um século "Reformador" vem doutrinando e consolando as massas brasileiras,
principalmente, na proposta eficaz transformação dos preconceitos arraigados e
de idéias que estorvam a evolução espiritual.(6) Nesse sentido Emmanuel se
expressa "Para que todos sejam um".(7)
A rigor, a Unificação é um processo lento, de amadurecimento, que caminha no
sentido de estimular a vivência de participação, de intercâmbio e de respeito
entre as instituições espíritas, considerando suas diversidades de condições,
respeitando-se a autonomia administrativa que dispõem.(8)
Para alguns confrades a FEB difunde demasiadamente (via "Reformador") o aspecto
religioso da doutrina, motivo pelo qual, nutrem certa ojeriza bastante estranha
frente a tudo que tenha laços com a religião. Várias instituições laicas vêm
tentando ingerir-se no Movimento Espírita brasileiro. Companheiros que afirmam
não ser o Espiritismo o Consolador Prometido, pois Espiritismo e Cristianismo
seriam duas doutrinas distintas. (sic) Negam a adjetivação cristã ao
Espiritismo. Nesse vórtice confuso não admitem submissão a qualquer poder
constituído, as regras, para o espírito anarquista são atropelos para o
livre-pensar, por isso, usando a liberdade como bandeira de suas teses
estranhas, são convictos de suas "sapiências" e julgam que suas idéias são a
expressão da verdade.
No que reporta à intransferível tarefa institucional da FEB ressaltamos as
instruções de Allan Kardec, quando trata da organização do Movimento Espírita. O
mestre lionês demonstra não só a necessidade do órgão diretivo, mas como deveria
funcionar. Por forte razão, deixar a Doutrina Espírita solta à volúpia
insuperável das interpretações pessoais pode transformar o Movimento Espírita
numa confusão sem precedentes. Quem não entende a necessidade de uma instituição
unificadora torna-se partidário do que se chama movimento
"anárquico-libertário"(?!). E não são poucos os remanescentes de tais arroubos
progressistas formando escolas de um "Espiritismo à moda" sob os frágeis pilares
das "meias verdades".
Com o objetivo alcançar harmonioso relacionamento com os centros espíritas
adesos, a FEB e o "Reformador" materializam o compromisso junto às federativas
estaduais [sintonizadas com a FEB] de evitar a dispersão sistemática e
generalizada, em caminho de desintegração, por força de interferências
estranhas. Até porque a unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de
Allan Kardec, por ser a fortaleza inexpugnável da Doutrina Espírita.
Ao lembrar, pois, a importância da revista "Reformador", dentro da conjuntura
atual do Movimento Espírita Mundial, recomendamos a todos sua leitura, como
fonte de paz e amor e poderoso antídoto contra os venenos das discórdias e
desuniões.
FONTES:
1- Departamento Editorial e Gráfico funciona em prédio próprio, à Rua Souza
Valente nº 17, no Rio de Janeiro (RJ), e já publicou cerca de 6.000.000 de
exemplares das obras de Allan Kardec e mais de 12.600.000 de outras obras
espíritas, entre as quais se incluem, com mais de 8.300.000 de exemplares, os
livros mediúnicos recebidos por Francisco Cândido Xavier. Algumas dezenas de
obras didáticas e doutrinárias foram editadas em Esperanto pela Federação
Espírita Brasileira, que desde 1909 propaga a Língua Neutra Internacional nos
meios espíritas e até mesmo no seio de coletividades leigas. (Fonte: Estudo
Sistematizado da Doutrina Espírita Baseado em Publicação da FEB).
2- Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita Baseado em Publicação da FEB
3- Juvanir Borges de Souza In Reformador Janeiro de 2003
4- "Reformador": porta-voz da espiritualidade superior "- artigo de Francisco
Thiesen In "Reformador"" de outubro de 1972.
5- Juvanir Borges de Souza, artigo Allan Kardec e a Unificação , disponível em
acesado em 21/11/2005
6- Frase extraída do capítulo sobre Augusto Elias da Silva de Grandes Espíritas
do Brasil, 2a ed., revista e corrigida, Rio, FEB, 1969.
7- (João, 17:22).
8- "O Espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria puerilidade
indigna da grandeza do assunto. Daí vem que os centros que se acharem penetrados
do verdadeiro espírito do Espiritismo deverão estender as mãos uns aos outros,
fraternalmente, e unir-se para combater os inimigos comuns: a incredulidade e o
fanatismo".(In Obras Póstumas - Constituição do Espiritismo - Item VI). |