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Em plena Quinta Avenida de Nova York, na esplendorosa catedral de Saint Patrick
aconteceu um Seminário de 08 a 11 de abril de l996, para discutir-se sobre a
Ressurreição do Cristo. Duas das mais influentes revistas americanas - Newsweek
e Time - dedicaram 17 páginas de reportagem à rediscussão do fenômeno de dois
milênios atrás. Existem mais de quatro mil papiros que documentam os fenômenos
dos tempos apostólicos e a existência do Cristo, porém, para o "erudito" Gerard
Ludemann a ascensão de Jesus não passa de uma visão subjetiva de Pedro, isso
porque estava acabrunhado por ter negado o Mestre e deprimido pelo horror da
crucificação. E, ainda, segundo o jornalista Keneth Woodward o aparecimento de
Jesus para 500 seguidores não passaria de um estado de arrebatamento coletivo. A
moderna psicologia reduz o episódio a uma série de experiências psíquicas que
produziram nos discípulos um certo senso de zelo missionário, conforme explica
Woodward.
Lamentavelmente ainda hoje as religiões desconhecem os naturais fenômenos
mediúnicos de ectoplasmia, de materializações luminosas, levitação etc. Ainda
ignoram os naturais processos da reencarnação e da comunicabilidade dos
desencarnados. Essa insipiência dos fenômenos espirituais é, em parte,
decorrente das deliberações do Concílio de Nicéia em 325, quando o imperador
Constantino arrostou e combateu Ário de Alexandria, bispo que discutia a
natureza divina do Cristo, que não aceitava o mito dogmático da santíssima
trindade. Contexto histórico em que Basílio de Cesaréia e Gregório de Nazienzeno
impuseram o culto aos santos, culminando as decisões do evento na fatídica
proibição da prática da mediunidade, elemento básico dos cristãos ligados à
igreja de Antioquia.
O Cristianismo se afastou muito das propostas do Cristo, perdeu demais com isso,
e como se não fosse o bastante, em 381, o Imperador Teodósio oficializa o culto
cristão, para posteriormente, em 554, o imperador Justiniano convocar o II
Concílio de Constantinopla sepultando os estudos da reencarnação, a partir do
qual o Cristianismo ficou à deriva.
Dois mil anos em que muitos heróis dos bastidores cristãos tiveram que ofertar a
vida para a busca da liberdade de pensamento. Desde a Renascença, passando pela
Enciclopédia, e chegando a Kardec o mundo sofreu por um sopro renovador para uma
concepção mais próxima da realidade transcendental de nossa destinação.
Atualmente, graças aos Espiritismo visualizamos um Cristo mais consentâneo com
Sua realidade, menos mitológico. Longe de atos sacramentais, liturgias, bulas e
dos editos de perseguições inquisitoriais; distante das controvérsias a respeito
da materialização de Jesus após a Sua crucificação; uma vez que Mateus registra
que Ele apareceu primeiro para Maria Madalena, Lucas, no entanto, afirma que foi
Pedro quem O viu primeiro, enquanto Marcos não toca no assunto.
A despeito das contradições históricas eivadas de informações tendenciosas, o
adepto do Espiritismo, conscientes de sua contribuição ao cristianismo, tem
buscado uma interpretação mais contemporânea e racional para lidar com os fatos
contidos, sobretudo no Novo Testamento. A Doutrina Espírita não estimula a
crença no milagre, no sobrenatural, mas nas potencialidades da própria natureza
humana, em cujos pilares a mediunidade tem função preponderante. |