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A Casa Espírita deve ser um celeiro de esperanças na tumultuosa noite das
angústias e dores, por ser o referencial da luminescente mensagem do Paracleto
Prometido.
Como célula de inalienável importância do Movimento Espírita, encontramos o
Centro Espírita, com funções bem definidas e, portanto, totalmente vinculadas
aos preceitos doutrinários, junto da qual congregam-se os adeptos do Espiritismo
para integrarem-se na essência da Terceira Revelação, estabelecendo estrutura
básica de aprofundamento intelectual no contexto da informação doutrinária, de
modo a poder corporificá-la racionalmente no seu comportamento moral e social na
jornada diária. Contudo, é exatamente nas casas espíritas, onde o Movimento
Espírita deve se consolidar, que acontecem as mais estranhas práticas
"doutrinárias". Um dos mais graves problemas desse processo decorre daqueles que
assumem responsabilidades de direção, sem os imprescindíveis recursos morais,
culturais e doutrinários.
O Movimento Espírita decorre da dinâmica dos homens em prol da difusão dos
códigos espíritas. Desta forma, infere-se que este processo deve estar
consubstanciado no programa da Codificação, até porque é em razão dele que
existe. Mas, infelizmente, o Espiritismo ao se popularizar, permanece (por não
se estudar Kardec) desconhecido, e/ou distorcido e desviado em muitos dos seus
conceitos.
O Espiritismo é a Terceira Revelação dirigida aos homens, tendo seu edifício
doutrinário alicerçado na infatigável contribuição intelectual de Allan Kardec
que compilou as mensagens dos Benfeitores Espirituais, transformando-as em
livros, tradicionalizados como obras básicas, a saber: Livro dos Espíritos,
Livro dos Médiuns, Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e Gênese.
Por isso não se exercem práticas alheias aos objetivos propostos pela Doutrina
Espírita nos Centros Espíritas, dentre as quais lembramos os atos sacramentais
como: batismos, crismas, casamentos, velórios, dízimos, que se forem praticados
fora das hostes espíritas merecem o nosso maior respeito.
Como se não bastasse, surgem companheiros distantes da vigília cristã que
introduzem nos núcleos espíritas práticas inoportunas do tipo: festival da
caridade (isso soa contraditório diante do lema:... não saiba a vossa mão
esquerda...), preces cantadas, paramentos especiais (terno e gravata, roupas
brancas), debates de política partidária, jogos de azar (bingos, rifas,
tômbolas), desfiles de moda etc...
São irmãos que estabelecem a confusão doutrinária desnecessária, impondo idéias
próprias como se fossem princípios espíritas e sempre aceitando "novidades" e
"revelações" não comprovadas, criando seus espiritismos particulares numa
confusa tendência ao misticismo ocasional.
Isso, sem citarmos a publicação de livros supostamente "doutrinários" e
irresponsáveis, por meio dos quais se promove a exaltação da fantasia mediúnica.
Essas são práticas próprias das trevas, cujo objetivo é o aprisionamento mental
e a escravidão psíquica que se promovem em nome do Espiritismo.
Lembramos, por oportuno, que o Espiritismo não endossa propostas "terapêuticas"
nas casas espíritas do tipo: piramideterapia, cristalterapia, cromoterapia,
musicoterapia, hidroterapia, desobsessão por corrente magnética (estaríamos
trazendo o exorcismo para os centros?), apometria, choques anímicos, etc.
Enxertá-las nas instituições espíritas como se prática espírita fossem, é
atitude de alto risco, pois que desconsidera a magnitude do Espiritismo ao
querer limitá-la aos acanhados pontos de vista particulares.
Até quando continuar-se-ão impondo arroubos lúdicos nos centros espíritas
dirigidos por irmãos simples e sinceros (normalmente sem muita cultura), mas que
se deixam seduzir?
Por essa razão se instala o capricho das vontades das lideranças cristalizadas
ainda na ignorância doutrinária que disseminam essas práticas perfeitamente
dispensáveis nos grupos espíritas. |