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Quando pensamos nos milhares de espíritas de pouca cultura, humildes e
materialmente pobres, porém verdadeiros vanguardeiros da Terceira Revelação;
quando imaginamos que o edifício doutrinário se mantém firme em face do amor
desses lídimos baluartes do Evangelho, impossível não nos entristecermos quando
se trombeteia em nossas hostes os excesso de consagração das elites culturais.
“A presença do elitismo nas atividades doutrinárias (...) vai expondo-nos a
dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para
ricos, para intelectuais, para incultos(...)”(1)
Chico Xavier já advertia em 1977, “É preciso fugir da tendência à ‘elitização’
no seio do movimento espírita(...)o Espiritismo veio para o povo. É
indispensável que estudemo-lo junto com as massas mais humildes social e
intelectualmente falando e deles nos aproximarmos(...)Se não nos precavermos,
daqui a pouco estaremos em nossas casas espíritas apenas falando e explicando o
Evangelho de Cristo, às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou
intelectuais(...)” (2)
Acompanhamos com muita reserva o surgimento de várias associações de:
jornalistas, psicólogos, pedagogos, escritores, magistrados, médicos. Esse
espírito corporativista é inaceitável sob a ótica cristã. Aliás, corporações
essas que promovem elegantes eventos (quase sempre cobrando-se taxas de
inscrição) para aguçar a vaidade de alguns confrades que não perdem a
oportunidade de atrair para si os holofotes da “fama”.
Os eventos gratuitos devem ser realizados, obviamente, porém urge considerar que
esses simpósios sejam estruturados sobre programação aberta a todos e de
interesse da doutrina, não para ser uma ribalta de competição para intelectuais
com titulação acadêmica, como um “passaporte” para traduzirem “melhor” os
conceitos kardecianos.
Caso contrário, consigna o editorialista da Revista O Espírita, “Chico Xavier,
Divaldo Franco, tanto quanto no passado Lèon Denis, que era caixeiro-viajante,
não poderiam participar desses conclaves, sob pena de se sentirem desambientados
e constrangidos, por não terem titulação conferida pelas universidades do mundo.
Para não falarmos do próprio Cristo, que não passou da condição de modesto
carpinteiro”.(3)
Sinceramente, não conseguimos compreender o Espiritismo, sem Jesus e sem Kardec
para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira
Revelação alcance os fins a que se propõe.
É ainda Chico Xavier que ensina: “Por mais respeitáveis os títulos acadêmicos
que detenhamos, não hesitemos em nos confundir na multidão para aprender a
viver, com ela, a grande mensagem. (...)”. (4)
Reenfatizamos as admoestações de Chico Xavier, “Precisamos conversar
desapaixonadamente sobre o nosso movimento. É preciso que nós, os espíritas,
compreendamos que não podemos nos distanciar do povo. É preciso fugir da
tendência à "elitização" no seio do movimento espírita. É necessário que os
dirigentes espíritas, principalmente os ligados aos órgãos unificadores, (5)
compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. É
indispensável que estudemos a Doutrina Espírita junto com as massas, que amemos
a todos os companheiros, mas sobretudo, aos espíritas mais humildes social e
intelectualmente falando e deles nos aproximarmos com real espírito de
compreensão e fraternidade. Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em
nossas casas espíritas apenas falando e explicando o Evangelho de Cristo às
pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais e confrades de posição
social mais elevada. Mais do que justo evitarmos isso, a "elitização" no
Espiritismo, isto é, a formação do "espírito de cúpula", com evocação de
infalibilidade, em nossas organizações”.(6)
Portanto, devemos buscar pela simplicidade doutrinária evitar tudo aquilo que
lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios
injustificáveis, imunidades, prioridades. Que repensemos as associações de
profissionais A,B,C...
Aliás, amigo leitor, você conhece alguma associação espírita de carpinteiros,
marceneiros, lavadeiras, passadeiras, garis, pedreiros, serventes?
FONTES:
1- Editorial da Revista O Espírita, ano 11 numero 57-jan/mar/90.
2- Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal
uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro
intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.
3- Editorial da Revista O Espírita, ano 11 numero 57-jan/mar/90.
4- Cf. Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal
uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro
intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.
5- Fazemos uma justa ressalva para preservar a Federação Espírita Brasileira,
que tem orientado de forma grandiosa como as federativas estaduais devem
proceder. Lamentavelmente essas que se perdem muitas vezes nos labirintos das
promoções de shows de elitismo. Patrocinam eventos para espíritas endinheirados,
e cobram taxas e se perdem na sua tarefa unificacionista. Conhecemos federativa
que chega a gastar R$. 100.000,00 (cem mil reais) para promover evento para
5.000(cinco mil) pessoas como se o Espiritismo necessitasse desses eventos
“grandiosos”. Precisamos retornar à simplicidade doutrinaria, conforme nos
advertiu Bezerra de Menezes através de Ivone Pereira.
6- Idem |