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Por inacreditável possa parecer, ainda encontramos irmãos "espíritas" que
questionam o aspecto religioso da Terceira Revelação. Negam a excelsitude de
Jesus com febril descontrole emocional, referindo-se ao Mestre como se Ele fosse
um homem vulgar. Para esses confrades atoleimados em suas fanfarras imaginárias,
alertamos o seguinte: Espiritismo religioso, Sim! Acompanhemos o raciocínio de
Emmanuel "Somente o Cristianismo restaurado pode salvar o mundo que se perde.
Nossa missão é essencialmente religiosa, na restauração da fé viva e na
revivência das tradições simples dos tempos apostólicos. Não temos a presunção
de pedir o atestado de óbito das escolas religiosas, nem desejamos estabelecer a
luta dogmática e o sectarismo. Desejamos tão-só reavivar a crença pura, a fim de
que o homem, na qualidade de herdeiro divino, possa entrar na glória espiritual
da compreensão de Jesus Cristo (1)". (grifamos)
Se aceitamos os preceitos da Doutrina Espírita, não podemos negar-lhes
fidelidade absoluta. Prevendo esses estranhíssimos movimentos em nossas hostes,
Chico Xavier há 21 anos advertia "as falanges das trevas são muito poderosas,
organizadas. O que elas desejam é expulsar Jesus do Espiritismo e se tirarem
Jesus do Espiritismo este desaparecerá. Têm surgido, ultimamente, muitas
práticas estranhas no movimento kardeciano. Estou alertando vocês porque eu
tenho pouco tempo de vida e vocês devem defender esse tesouro." (2)
Posteriormente, numa entrevista cedida a confrades de
Uberaba, Chico reafirma: "Se tirarmos Jesus do
Espiritismo, vira comédia. Se tirarmos Religião do
Espiritismo, vira um negócio. A Doutrina Espírita é
ciência, filosofia e religião. Se tirarmos a religião, o
que é que fica? Jesus está na nossa vivência diária,
porquanto em nossas dificuldades e provações, o primeiro
nome de que nos lembramos, capaz de nos proporcionar
alívio e reconforto, é JESUS.".
Alguns "espíritas", distantes de quaisquer argumentos inteligíveis persistem em
disseminar a desgastada cantilena de que se é preciso fugir do Cristo, do
religiosismo, do igrejismo no Espiritismo e transformá-lo numa academia de
notáveis. Sob o viés dessa esdrúxula fábula conceitual, escrevem livros,
artigos, fazem palestras, escravizados aos impulsos telepáticos dos "gênios das
trevas".
Desta forma, pela tendência desses estranhos irmãos "espíritas", percebe-se que
o Evangelho ainda encontrará, por algum tempo, a resistência das trevas, da
má-fé, da ignorância, apesar de representar a grande síntese de todas as
propostas filosóficas que visam aprimorar o homem.
Esses desarrazoados pregoeiros de idéias vãs esquecem-se de que o Cristo é o
modelo de virtudes sobre-humanas. É incomparável a dedicação e a santidade que
Ele dispensa à Humanidade. Nós, que ainda estamos mergulhados no vício da
corrupção, não temos parâmetros para avaliarmos a Sua magna importância para o
Espiritismo, porque a Sua perfeição se perde na noite indevassável dos séculos.
O Espiritismo sem Jesus pode alcançar as melhores expressões acadêmicas, mas não
passará de atividade destinada a modificar-se ou desaparecer, como todas as
conquistas transitórias do mundo. E o espírita, que não cogitou da sua
iluminação com o Evangelho Dele, pode ser um intelectual, um doutor e um
filósofo, com as mais elevadas aquisições culturais, mas estará sem bússola e
sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação.
FONTES:
1- Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio
de Janeiro: Ed FEB, 2000, questão 42,
2- Revista Internacional do Espiritismo, Matão 1985 |