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A ciência acadêmica, materialista por excelência, estabelece que o pensamento é
um fenômeno meramente fisiológico, decorrente da incessante atividade neuronial.
A rigor, a matéria mental é criação da energia que se exterioriza do Espírito e
se difunde por um fluxo de partículas e ondas, como qualquer outra forma de
propagação de energia do Universo. Tanto quanto no campo físico, o pensamento,
em graus variados de excitação, gera ondas de comprimento e freqüência
correspondentes ao teor do impulso criador da vontade ou do objetivo desejado.
Pensar é um processo de projeção de matéria mental. Nesse aspecto, o pensamento
deixa de ter uma dimensão intangível para se consubstanciar na condição de
matéria em movimento.
Expressando qualquer pensamento com muita determinação, estamos induzindo os
outros a pensarem como pensamos. A anuência que os outros fazem de nossas
ideações passa a ser questão de sintonia. Até porque, nossos pensamentos geram
nossas atitudes e nossas atitudes geram pensamentos nos outros. Destarte, nossas
idéias e convicções nos ligam, forçosamente, a todas as mentes que pensam como
nós e, quanto maior nossa obstinação em sustentar uma idéia ou uma opinião, mais
nos fixamos às correntes mentais das pessoas que se sentem quais nos sentimos e
que abraçam as mesmas opiniões.
“Nossa mente projeta fora de nós as formas, as figuras e os personagens de todos
os nossos desejos, inclusive com todo o conteúdo dinâmico do cenário elaborado.
Com essa constelação de adornos mentais, atraímos ou repelimos as mentes que
conosco assimilam ou desaprovam nosso modo de pensar,”(1) porque a nossa
atividade mental, através do discernimento e do raciocínio, nos dá a
prerrogativa de escolhermos nossos próprios objetivos.
Pensar ou conversar, continuadamente, significa projetar nos outros e atrair
para si as mesmas imagens que criamos, suportando em nós mesmos a conseqüência
decorrente dessa influência recíproca. Na persistência das idéias fixas, em
comportamentos obsessivos ou tensões emocionais deliberadamente violentas, nos
escravizamos a um ambiente psiquicamente denso, com imagens que nós forjamos e
que nos mantêm num circuito de reflexos condicionais viciosos.
Esses reflexos dos sentimentos e pensamentos negativos que alimentamos se voltam
sobre nós mesmos, depois de transformados em ondas mentais, tumultuando nossas
funções neurológicas, e essas respostas condicionadas inconseqüentes,
derramando- se sobre o tecido cerebral, criam alucinações que podem variar do
medo manifesto ao estado neurótico, situação em que os desencarnados e
encarnados perturbados nos atingem com sugestões destruidoras, diretas ou
indiretas, conduzindo- nos a deploráveis fenômenos de descontrole emocional.
O pensamento, como uma modalidade de energia sutil, atuando em uma forma de
onda, com velocidade muito superior à da luz, quando de passagem pelos lugares e
criaturas, situações e coisas que nos afetam a memória, age e reage sobre si
mesmo, em circuito fechado, trazendo-nos, assim, de volta às sensações
desagradáveis, contato de qualquer ação desequilibrante. “Isso tudo acontece
porque, quando nos rendemos ao desequilíbrio ou estabelecemos perturbações em
prejuízo dos outros, plasmamos nos tecidos fisiopsicossomáticos determinados
campos de ruptura na harmonia celular, criando predisposições mórbidas para essa
ou aquela enfermidade e, conseqüentemente, toda a zona atingida torna-se
passível de invasão microbiana.”(2)
Consciência desarmonizada, revestida de remorso, completa de ambições
desvairadas ou denegrida de aflições, não pode senão atrair forças semelhantes
que a encadeiam a torvelinhos dolorosos. Pelo pensamento de medo, angústia
exacerbada, dissabor, escravizamo-nos nos troncos de suplício doloroso,
sentenciando-nos, por vezes, a anos e anos de peregrinação nos trilhos da
intranqüilidade espiritual. E, para abreviar o tormento que nos flagela de
vários modos a consciência, é imprescindível atender à renovação mental, único
meio de recuperação da harmonia espiritual.
“Satisfazer-se alguém com o rótulo, em matéria religiosa, sem qualquer esforço
de sublimação interior, é tão perigoso para a alma quanto deter uma designação
honorífica entre os homens com menosprezo pela responsabilidade que ela impõe.
Títulos de fé não constituem meras palavras acobertando-nos deficiências e
fraquezas. Expressam deveres de melhoria a que não nos será lícito fugir, sem
agravo de obrigações. Em nossos círculos de trabalho, desse modo, não nos
bastará o ato de crer e convencer”.(3)
É fato que todos nos encontramos em processo de burilamento moral e espiritual,
carregando úlceras ou cicatrizes, daquelas mais recentes ou remotas, que nos
dilaceraram a alma. A presença da imperfeição moral, em nós, significa um
convite para que percebamos o muito que ainda necessitamos realizar, a fim de
nos libertarmos das heranças primárias que insistem em nos atormentar. Até
porque, quando nos dispomos a servir em nome do Cristo, igualmente, nos
renovamos e alcançamos níveis de consciência mais elevados, desde que apoiados
nos bons propósitos, reconhecendo o erro em que estagiamos, mas não lhe dando
trégua.
“Nosso remédio é e será sempre Jesus. Ajustemo-nos ao Evangelho Redentor, pois o
Cristo é a meta de nossa renovação. Regenerando a nossa existência pelos padrões
d'Ele, reestruturaremos a vida íntima daqueles que nos rodeiam. O Evangelho do
Senhor nos esclarece que o pensamento puro e operante é a força que nos arroja
das trevas para a luz, do ódio ao amor, da dor à alegria.”(4)
Procuremos adotar rígida disciplina de hábitos mentais e morais, estabelecendo
como metas colocar os deveres que nos dizem respeito acima dos prazeres mundanos
e mantenhamo-nos serenos com a oportunidade ímpar da atual experiência física,
que nos favorece com a informação espírita. Afastemo-nos da irritação contumaz,
não cultivando pessimismo, desculpando-nos quando nos equivocamos e procedendo
da mesma maneira em relação ao próximo.
Nessa linha de ação, não nos permitamos desgastes psicológicos, quando acusados,
nem euforias estonteantes, quando elogiados. Busquemos, acima de tudo, os
hábitos salutares da oração, da meditação e do trabalho, procurando
enriquecer-nos de esperança e de alegria, para nunca desanimarmos diante dos
desafios do cotidiano. “Devemos vigiar e orar para não cairmos nas tentações,
uma vez que mais vale chorar sob os aguilhões da resistência do que sorrir sob
os narcóticos da queda.”(5)
Em resumo, “Procuremos a consciência de Jesus, para que a nossa consciência lhe
retrate a perfeição e a beleza!... Saibamos refletir-lhe a glória e o amor, a
fim de que a luz celeste se espelhe sobre as almas, como o esplendor solar se
estende sobre o mundo.”(6) O Espiritismo derruba os muros invisíveis da
ansiedade e da fobia, alargando os horizontes da felicidade, que vão além dos
condicionamentos ilusórios das paixões, pois desta forma encontraremos
consolação e paz, adquirindo ânimo e entusiasmo para prosseguir. Comecemos nosso
esforço de soerguimento espiritual desde hoje e, amanhã, teremos avançado,
consideravelmente, no grande caminho à conquista da luz.
FONTES:
(1) Cf. Nubor Orlando Facure, artigo publicado no Jornal Mundo Espírita em
Abril/1998
(2) Artigo "Uma Visão Integral do Homem", Grupo Espírita Socorrista Eurípides
Barsanulfo disponível no site http://www.geocities.com/Athens/9319/chacras.htm,
acessado em 25/04/2006
(3) Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, ditada pelo Espírito
André Luiz, 14ª edição, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, páginas: 118 a 125"
(4) Idem
(5) Xavier, Francisco Cândido. Fonte Viva, Ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de
Janeiro: Ed. Feb, 2002, cap 110
(6) Idem |